OOO janeiro | 2016 | Cedasb

“Águas de Janeiro”: mapeamento revela a quantidade de chuva armazenada em Tecnologias Sociais de captação hídrica

De todos os cantos e lugares de nosso Semiárido o motivo de tanta alegria é um só: as chuvas de Janeiro. E na região sudoeste do nosso Estado, assim como em todo Nordeste do país, nas diversas comunidades de atuação do CEDASB foi registrado um grande volume de chuva. São tantos os depoimentos emocionados/as de Agricultores e Agricultoras de nossa região, que cada um/a tem uma bonita experiência com a chegada das Águas de Janeiro.

Seu João Lélis da comunidade Ribeirão, região de Vitória da Conquista disse que, “aguada que tinha tempo que não enchia, agora está transbordando de tanta água”. Erisvalda Agricultora experimentadora do Quilombo de Mumbuca em Bom Jesus da Serra, disse que sua barragem subterrânea passou água por cima da tapagem. Dona Elenita de Barra do Choça, Comunidade do Santo Antônio disse que, “o que há de Cisterna da grande e da pequena encheram tudo”. Dona ‘Lau’ da Comunidade Bomba no município de Belo Campo, afirma que desde o nascimento de sua única filha (há 29 anos atrás), não via tanta “chuva aqui no Bomba, não tem mais canto pra colocar água e, não está dando nem mais pra diferenciar o que é riacho, e o que é pastagem; das cisternas nem se fala: tudo cheias! As veredas da região da mata de cipó estão com quase meio metro de água. Até os baldes estão cheios”. O “céu chora” por esse sertão a fora, e o/a sertanejo/a está é achando graça, de toda essa água que cai em nosso chão, mata nossa sede e faz brotar as flores e os frutos que nos sustentam.

Os tantos depoimentos dos Agricultores e Agricultoras revelam a grande importância das tecnologias sociais de captação hídrica. Cisternas de consumo e para produção, barreiros e barragens subterrâneas, tanques de pedra e aguadas, todas esses reservatórios revelam sua grandeza, guardam a água que gera vida, ampliando a resistência e fortalecendo a convivência. “Antes da Cisterna se encher d’água, ela se enche de conhecimento”, e agora estão cheias de água e de muito conhecimento para ser transmitido e disseminado por esse Sertão à fora.

Diante tanta alegria trazida pelas Águas de Janeiro, o CEDASB fez um mapeamento que apresenta uma média de dados quantitativos, do volume de chuva captado/armazenado pelas diversas tecnologias sociais construídas em sua área de atuação (confira o mapa de Atuação do CEDASB).

Comunicação CEDASB.

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Oficina de Capacitação da Equipe ATER CEDASB-BAHIATER-2016.

Na última sexta- feira, 22 de janeiro de 2016, o CEDASB reuniu no Vocacionário Nossa Senhora de Aparecida, em Vitória da Conquista- BA, coordenadores, gerentes e equipe técnica do Projeto ATER para a Oficina de Capacitação da Equipe ATER CEDASB-BAHIATER-2016.

O Projeto ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) em sua amplitude tem, em todos os espaços onde atuou; estimulado a construção do conhecimento entre agricultores e agricultoras e com isso, buscado resgatar o saber tradicional de cuidados com a terra, as sementes crioulas para segurança alimentar e nutricional e a resistência camponesa. Dentre suas falas Roque, coordenador Do BAHIATER comentou que “o projeto ATER é uma forma de promoção de políticas públicas, ligadas principalmente à agroecologia. E que vem caminhando para poder vencer os desafios e transformar para melhor a vida do agricultor e agricultora no campo”.

Faz-se necessário salientar que atuar no ATER nem sempre é tão simples quanto parece e requer além de conhecimento do técnico, uma boa parceria dele com as famílias agrícolas. Sobre isso a técnica Maria do Carmo afirma: “lembro que numa comunidade em que trabalhei as famílias produziam de modo orgânico, mas na mesma região havia fazendeiros que incentivava a usar compostos químicos, justificando que exigiam menos esforço e isso tornava meu trabalho mais difícil”.

Nesse sentido, na Oficina de Capacitação os técnicos agrícolas compreenderam que para além da prestação de um serviço institucional o trabalho no campo deve ser realizado com sensibilidade. Pois, muito mais que visitas às propriedades, preparo do solo, plantio, combate a pragas, colheita e captação de documentos, o técnico deve valorizar a família agrícola, dar importância ao trabalho que esta realiza no campo para sua subsistência e permanência. É como declarou Helena Paula coordenadora do ATER- CEDASB “auxiliar o agricultor e agricultora a ter ou permanecer com as práticas agroecológicas, mesmo que a princípio esse nome “agroecologia” seja para eles desconhecido”. Em outras palavras é possibilitar através da troca de saberes e ideias, maior qualidade de vida no campo.

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CEDASB participa de Oficina de ATER em Salvador BA

A oficina acontece nos 12 e 13 Janeiro para as 33 entidades de ATER selecionadas para os serviços de ATER no edital 001/2015 e 002/2015, publicado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia. Estes serviços será coordenada pela BahiAter e executadas pelas entidades no período de 03 anos de atendimento aos Agricultores e Agricultoras, onde vão atender 40.920 famílias.

Tem como objetivo, o fortalecimento da agricultura familiar no acesso a mercado, PAA, PNAE, regularização fundiária, regularização ambiental, acesso ao crédito, inclusão nas políticas públicas, organização social, transição agroecológica e etc. Destas entidades o CEDASB vai prestar os serviços no lote 39 para 720 famílias de 3 municípios: Vit. da Conquista, Piripá e Cordeiros.

Representam o Cedasb na Oficina, Everaldo Mendonça (presidente do CEDASB) e Helena Paula (Coordenadora de Ater/CEDASB).

Por,

Everaldo Mendonça, Presidente do CEDASB

Helena Paula e Everaldo Mendonça, Oficina de ATER

ATER AGROECOLÓGICO: “com esse acompanhamento de vocês em nossa comunidade, a gente consegue ver alguns direitos que a gente num via por aqui”

      O projeto de ATER tem uma “missão” que vai além do acompanhamento agroecológico in loco, na construção e no resgate coletivo do conhecimento. A Extensão Rural é um olhar apurado sobre o contexto social onde a família acompanhada está inserida. E nessa perspectiva, que ontem (07), os técnicos sociais do ATER, acompanharam e orientaram dona Maria na emissão da documentação para matricular as crianças no ano letivo de 2016, e consequentemente, viabilizando o recadastramento da família no programa social: Bolsa Família. Dentre as ações realizadas foram feitos alguns exames laboratoriais, atualização cadastral das crianças junto à Secretaria de Educação do município, e para a próxima semana já está feito o agendamento no SAC para emissão do RG e CPF de três, dos cinco filhos de dona Maria, que expressou satisfeita: “resolvemos tudo num piscar de olho! Graças a Deus, com esse acompanhamento de vocês em nossa comunidade, a gente consegue ver alguns direitos que a gente num via por aqui, agora eles estão prontos pra começar os estudos desse ano”.
Famílias de outros municípios e comunidades atendidas pelo ATER AGROECÓLOGICO, em várias situações de vulnerabilidade e inacessibilidade às politicas sociais de direito, também já foram acompanhadas pelos monitores sociais do projeto. A construção e resgate do conhecimento agroecológico, se une ao olhar cuidadoso da Extensão Rural, ‘(re)significando’ e fazendo valer de forma dinâmica uma ação, que aos poucos vai transformando positivamente a vida de tantas famílias atendidas pelo ATER Agroecológico.

Comunicação/CEDASB

Maria Ribeiro e seus filhas/os, comunidade Poço do Abílio

Imagens que Falam: Cisternas nas Escolas…

Imagens que mostram e “falam” alguns dos importantes momentos da caminhada do projeto ‘Cisternas nas Escolas’ em 2015.

Água na escola é água que mata a sede é água que educa e gera vida. De agora em diante, pé de umbu se tornou sala de aula e o mandacaru  é amigo da “meninada”. Batata de umbuzeiro se tornou assunto de aula, cabaça virou unidade de medida matemática e panacum virou palavra chave na separação silábica. Não existe separadamente quem ensina e quem é ensinado, aqui todos e todas aprendem ensinando e ensinam aprendendo.

A beleza dos encontros e da construção do ‘saber’ coletivo contextualizado, tornou-se fundamento predileto no fortalecimento da esperança de um Semiárido onde todos e todas tenham voz e vez. Gente que imaginava não pensar ou saber de nada, se auto descobriram doutores e doutoras do saber contextualizado. O momento de quem sempre se pôs a escutar, agora é chegada a hora de falar e expressar suas angústias, anseios e alegrias por um semiárido cheio de vida, cores e sabores. Isso é revolução, é construção e reconstrução de conceitos e quebra de preconceitos “desinbestados”, por quem não conhece ou nunca viu uma revoada de periquito caatingueiro, ou acordar ao som do ‘Sabiá Laranjeira’ cantando no pé de mamão.

A identidade de um povo é sua história enraizada, suas memórias e histórias que resignificam o protagonismo de sua caminhada. É nessa perspectiva, que a proposta da educação contextualizada para a convivência com o semiárido é disseminada pelos lados de cá: desde Caetanos até Belo Campo, passando por Tremedal, Encruzilhada, Vitória da Conquista até desembocar nas terras do Rio Gavião, Anagé. Colocando em prática, o que outrora disse o educador Oscar de Tremedal: “ a água que mata nossa sede se tornou água que educa, isso pra nós é fazer da educação uma verdadeira revolução!”

Comunicação/CEDASB.

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