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LATA D´ÁGUA NA CABEÇA ATÉ QUANDO? Programa Cisternas pode ter corte de 92% no orçamento para 2018

Imagem – Abílio de Jesus

Na China, durante a 13ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP 13), o Programa Cisternas é premiado como uma das mais efetivas políticas públicas para áreas em processo de desertificação do mundo. Em Brasília, essa mesma política é ameaçada de perder 92% dos recursos públicos destinados à sua execução em 2018. Esse percentual tem como referência o orçamento de 2017 que, por sua vez, representa um pouco mais de 1/4 do volume de recursos que esta política teve em 2012. O Programa Cisternas possibilitou que cinco milhões de pessoas da região mais árida do Brasil tenham, ao lado de casa, água potável para consumo humano.

Um dia depois da cerimônia de entrega do Prêmio Política para o Futuro, Valquíria Lima, da coordenação executiva nacional da Articulação Semiárido (ASA) pelo estado de Minas Gerais, falou sobre a situação de incertezas políticas, econômicas e, sobretudo, sociais que o país vivencia, no evento paralelo à COP 13, em Ordos, na China. “As ações da ASA e também as políticas públicas, como o Programa Cisternas, estão ameaçadas de parar devido ao corte no orçamento público. A ASA continuará lutando para que as famílias do Semiárido não sejam penalizadas e possam cada vez mais ampliar seus direitos à água, aos alimentos de qualidade e sem veneno, preservando suas sementes locais e a biodiversidade. Acreditamos que só assim é possível mudar os efeitos da desertificação e das mudanças climáticas.”

A previsão orçamentária proposta pelo Governo Temer para 2018 para a implementação de tecnologias de captação de água da chuva para consumo humano e produção de alimentos é de R$ 20 milhões. No documento enviado pelo Executivo para o Congresso Federal, chamado de Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) – volume IV, tomo II, página 733 – esses R$ 20 mi serão destinados à construção de apenas 5.453 tecnologias em todo o território nacional.

O que são 5.453 tecnologias diante da necessidade, só no Semiárido, de 350 mil famílias pela cisterna que armazena água para matar a sede e cozinhar? Isto representa um milhão e 750 mil pessoas sem água potável disponível perto de casa para seu consumo. Nesta região, há também a necessidade de guardar água para produzir alimentos e criar animais. Uma demanda de 600 mil famílias se considerarmos apenas as que dispõem de espaços nas propriedades para a instalação das tecnologias como a cisterna-calçadão e a barragem subterrânea.

Estamos falando das famílias que vivem na região mais árida do país, do tamanho da França e Alemanha juntas, com metade dos brasileiros em situação de miséria e que passou e ainda passa por uma seca de cinco anos, considerada a mais intensa dos últimos 50 anos. As famílias que esperam pelas cisternas vivem na zona rural, em comunidades distantes da sede do município, sem abastecimento de água encanada e com fontes de água contaminadas pelo uso de agrotóxicos nas lavouras.

Só num município da Bahia, Jeremoabo, estima-se que entre 1,5 mil a 2 mil famílias aguardam por suas cisternas de placa de cimento de 16 mil litros. A população rural há 100 anos tomava a água do rio Vermelho, que agora só tem água quando chove. Nos dias atuais, precisam recorrer à prefeitura para pedir carro-pipa. Quando não dá mais para esperar pelo poder público, para não morrer de sede, o jeito é comprar 8 mil litros de água num valor que varia de R$ 70,00 a 300,00, a depender da distância da comunidade da sede da cidade. E quem não tem dinheiro, vai pegar a água onde tem, muitas vezes em fontes contaminadas e barrentas, disputando o líquido com os animais. Nestes casos ainda muito comuns, a água continua sendo transportada pela população em latas. Um trabalho pesado que demanda muitas horas do dia, especialmente, para as mulheres.

“Quando a seca pega, o primeiro lugar que afeta é o bolso. Costumo dizer que quem salvou o município de Jeremoabo da seca foram as cisternas”, assegura Abílio de Jesus, que faz parte da Comissão Municipal da ASA e do Conselho Municipal de Comunidades Quilombolas. Abílio conta que esse ano, depois de 10 anos com inverno ruim de chuva, chegou a chover 700 ml de maio a julho passados. “As tecnologias estão com água e quem ainda não tem a cisterna, pega água com o vizinho”, conta ele.

No município de Nossa Senhora da Glória, no Sertão de Sergipe, há 33 comunidades rurais com mais de mil famílias à espera das cisternas. “Em 2012, fizemos um levantamento no município e a demanda era de 1,5 mil famílias. De lá pra cá, conseguimos atender 500”, conta Silvestre Marques da Silva, conhecido como Gercílio, membro da Comissão Municipal da ASA e presidente da Associação de Produtores Rurais da Comunidade Augustinho.

Desde o início do P1MC, em 2001, até hoje, contam-se um milhão de cisternas de placas proporcionando a cinco milhões de brasileiros e brasileiras condições mais favoráveis para beber água apropriada para consumo, livre de agrotóxicos e outros tipos de contaminações. A ASA Brasil implementou mais de 60% destas tecnologias através da gestão de recursos públicos repassados pelo Ministério de Desenvolvimento Social, através de convênio.

De 2015 para 2017, só queda – Os recursos públicos para a execução do Programa Cisternas são repassados tanto à sociedade civil, como para os estados. Desde 2010 a 2014, houve um crescimento contínuo das verbas destinadas à ASA, através da Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC), uma Organização Social de Interesse Público que faz a gestão física e financeira dos programas da ASA. Saiu de R$ 95,5 milhões para R$ 324,7 milhões. De 2015 até 2017, o fluxo foi o inverso: uma acentuada queda. Este ano, os recursos públicos transformados pela ASA em tecnologias de acesso à água foram apenas R$ 19,3 milhões. Um corte de 94% se comparado com o valor acessado pela ASA em 2014. Os dados são do Portal da Transparência.

Para gerir os recursos públicos, a AP1MC se organizou política e administrativamente, mostrando que a sociedade civil organizada, além de propor políticas públicas, pode executá-las de forma diferenciada: respeitando e estimulando o protagonismo das famílias e zelando pela transparência e eficiência no uso dos recursos. “Foi através da transparência, com nosso sistema integrado de gastos, com todas as nossas tecnologias georreferenciadas que comprovamos, de fato, que os recursos chegam na base. E isso nos respaldou para executar, ao longo destes anos, um orçamento significativo para a sociedade civil de mais de R$ 2 bilhões”, acrescenta Valquíria Lima.

Fonte – www.asabrasil.org.br              Texto –  Verônica Pragana – Asacom

 

Projeto Cisternas nas Escolas realiza formações em GRHE e Oficina em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido dos municípios de Anagé e Vitória da Conquista – BA

Seguindo a trilha do conhecimento do Projeto Cisternas nas Escolas-CEDASB, foram realizadas na última semana do mês de Agosto 2017 as formações em Gerenciamento de Recursos Hídricos Escolar (GRHE) com a participação de merendeiras, zeladores/as, lideranças das comunidades e agentes comunitários de saúde, e o Iº Módulo em Educação Contextualizada para convivência com o Semiárido com a participação dos professores/as, representantes da direção, auxiliares e coordenações pedagógicas das escolas contempladas com a tecnologia social.

Tanto no GRHE, quanto na Oficina com os professores e demais pessoas que formam a comunidade escolar, o que mais se destacou foi o processo das discussões e debates sobre os diversos temas colocados para a reflexão e debate. “Pra min essa capacitação aqui é algo diferenciado no meu trabalho enquanto merendeira. Está muito mais claro que o projeto vai além da construção da cisterna, mas se preocupa principalmente em valorizar e informar nós, que somos profissionais da merenda”, afirmou Charlene, merendeira na comunidade do Xavier, Vitória da Conquista-BA. Conheceram um pouco do Semiárido, as dificuldades do passado, as mudanças significativas do presente e aquilo que se pensa construir para o futuro. Discutiram sobre alimentação saudável e o processo de produção de alimentos sem o uso de veneno. E qual a importância da merendeira e agentes das comunidades na construção de uma educação contextualizada para convivência com o semiárido? “Se temos consciência de que a escola é da comunidade e do seu povo temos também essa responsabilidade de contribui em todo esse processo de educação a partir da nossa própria realidade. E esse momento aqui é de grande aprendizado e de informação pra cada um de nós”, respondeu seu Vivaldo, porteiro da escola Erasthóstenes do povoado de Iguá.

Com os/as professores/as, os resultados da Oficna não foram diferente. O processo de (des) construção do imaginário fortemente criado de um semiárido miserável possibilitou aos participantes o entendimento dessa região a partir de um outro olhar: REGIÃO DE SINGULARIDADES E DE RARA BELEZA, TENDO COMO O MAIOR DESTAQUE O SEU POVO E SUA RESISTÊNCIA E RESILIÊNCIA. Foram discussões belíssimas alicerçadas em teorias e práticas educacionais bem fundamentadas. Um rico processo de ensinagem (ensino-aprendizagem) onde todos/as nós saímos mais inteligentes, formados e informados, e consequentemente, menos alienados. Parabéns educadoras/es, merendeiras, porteiros, lideranças comunitárias, diretoras/es, coordenações pedagógicas de Anagé e Vitória da Conquista, juntos vocês realizaram um belíssimo trabalho!

E assim, demos mais um grande passo na caminhada do projeto aqui pelos lados de Vit. da Conquista e Anagé. GRHE e Iº módulo realizados com sucesso, em Vitória da Conquista já se iniciou o processo de construção e em Anagé as 05 cisternas já estão construídas.

Texto e imagens – equipe Cisternas nas Escolas – CEDASB

Projeto de ATER/CEDASB – Bahia Produtiva realiza Encontro Comunitário na comunidade do Timorante, em Nova Canaã-BA

Foi realizado no dia 24 de agosto 2017, o Iº Encontro Comunitário do Projeto de ATER Bahia Produtiva na sede da Associação de Moradores e Pequenos Produtores de Timorante. A atividade é parte das ações que serão desenvolvidas pelo CEDASB na comunidade e tem por objetivo reconhecer e dialogar com os beneficiários que serão acompanhados nesse primeiro ano de execução do Projeto.

A atividade contou com a presença da equipe técnica do CEDASB, dos beneficiários do Empreendimento de Economia Solidária e do assistente territorial do SETAF Médio Sudoeste, Daniel Piccoli, que destacou a importância dessas parcerias para o sucesso desse Projeto.

A comunidade foi beneficiada com a construção de galinheiros e outros itens que irão auxiliar na melhoria de renda dessas famílias. O papel do CEDASB, enquanto Instituição responsável pela execução de ATER dentro do Programa Bahia Produtiva, é promover o bem estar através da organização produtiva e associativa dessas famílias baseado nos princípios da agroecologia buscando a conservação dos recursos genéticos de animais (galos e galinhas) já existentes na propriedade dos agricultores (as).

Durante o Encontro Comunitário, os agricultores (as) puderam conhecer a equipe técnica do ATER, saber mais sobre a atuação do CEDASB e do programa Bahia Produtiva, seus financiadores e todos os parceiros envolvidos nesse projeto. No encontro foi feito um diagnóstico da comunidade e levantamento das demandas dos beneficiários além de um planejamento coletivo das primeiras atividades voltadas ao desenvolvimento e melhoramento da cadeia produtiva da avicultura.

A busca pela melhoria da renda das famílias e do fortalecimento de empreendimentos de economia solidária é meta fundamental do ATER Bahia Produtiva. Assim, a realização dessa atividade é um passo significativo para o início de outras ações na comunidade. Foram lançadas as primeiras sementes do Projeto e já se tem a expectativa de encontrar terras férteis e colher bons frutos.

O Projeto de ATER é uma ação do Programa Bahia Produtiva do Governo do Estado, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR, empresa pública vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR. O Programa é resultado de um acordo de empréstimo firmado entre o Estado da Bahia e o Banco Mundial.

Texto/Imagens – Equipe ATER Bahia Produtiva

ATER/Bahiater – Dia de Campo dando bons resultados: experiências de Meliponicultura é multiplicada por agricultor de Piripá-BA

As experiências do Dia de Campo sobre Meliponicultura que ocorreu na comunidade Ressaca no mês de maio deste ano, município de Piripá – BA. O momento contou com a presença de agricultores/as beneficiários/as do Lote 38, ministrado pelo Biólogo/Apicultor Ricardo e serviu de motivação para o agricultor Adalgizio Ferreira, mais conhecido como ‘Dadá’, que participou da capacitação e cedeu sua caixa rústica para fazer a transferência para a caixa racional. Durante a atividade seu Dadá prestou bastante atenção e se mostrou bastante encantado com o processo, mencionando que iria multiplicar sua criação de abelhas. Dito e feito: a motivação de seu Dadá virou ação certeira!

Seu Dadá começou a construir suas próprias caixas, fazendo as transferências e multiplicando o número de colmeias. Hoje, depois de toda essa jornada de aprendizado e compartilhamento de boas práticas, ele tem por volta 13 caixas construídas e espalhadas em sua roça. Para o agricultor, essa é uma atividade muito importante: “eu pretendo aprender mais e no futuro tem uma renda extra com o mel, é bom demais mexer com abelhas, elas são sabidas demais e o mel é muito bom”, expressa seu Dadá.

Essas experiências servem para divulgar o potencial de práticas agroecológicas para melhoria das atividades no dia-dia dos agricultores/as locais. E mostrar que existem práticas agroecológicas que ajudam na melhoria da renda do agricultor/a, como também contribui para a preservação ambiental.

A implantação da atividade de meliponicultura na propriedade de Seu Dadá, após o dia de campo, contou com a orientação do Técnico Agrícola Marcos Tigre que acompanha o agricultor beneficiário da Ater/Bahiater – CEDASB. O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

Texto e imagens – Helena Paula Moraes  – Coordenadora Ater/Bahiater – Cedasb

Cisternas nas Escolas-CEDASB realiza IIº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido com professores/as de Mirante e Bom Jesus da Serra-BA

Foi realizado quarta (24) e quinta (25) da semana passada na cidade de Bom Jesus da Serra-BA, o IIº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido com os/as professores/as dos municípios de Mirante e Bom Jesus da Serra – BA, vindos/as das diversas comunidades escolares inseridas no Projeto Cisternas nas Escolas. E nesse segundo encontro de formação teve dinâmica de interação, troca de saberes e experiências, aprendizado e ensinamento, professores/as já colhendo alguns resultados de aulas contextualizadas e muita alegria e encantamento na visita ao Banco de Sementes Crioulas da comunidade de Bom Jesus de Cima.

Com uma bela e profunda mensagem de acolhida feita pela equipe da secretaria de educação de Bom Jesus da Serra a atividade teve início com um estudo em grupo. O aprofundamento sobre o processo educacional na perspectiva tradicional e conservadora serviu de base para a contraposição a esse molde, a partir de uma forma de educação libertadora e popular. Nos diversos grupos de reflexão, debate e depois na socialização em plenária, os/as professores/as apresentaram os resultados da discussão destacando pontos e contrapontos dessas duas vertentes da educação. E assim expressou a professora Beatriz da comunidade escolar do Areão (Mirante-BA) em uma de suas falas: “vimos aqui dois caminhos da educação, e diante disso percebemos essa urgente necessidade em disseminar essa educação libertadora que ajude o aluno a pensar por si próprio. Esse projeto cisternas nas escolas juntamente com a proposta da educação contextualizada nos ajuda a irmos na contramão desse modelo de educação tradicional que escraviza nossas comunidades”.

Outro momento marcante desse IIº Módulo foi a socialização das atividades realizadas com os alunos numa perspectiva contextualizada, a partir das diversas experiências compartilhadas no Iº Módulo realizado em Mirante. E os resultados foram surpreendentes, muita gente aprendendo e ensinando a partir do chão que se vive. Fazendo valer na prática o mais certo dos dizeres da sabedoria popular: “a educação não pode se dar ao luxo de ignorar o chão que se pisa”. E desse modo se procedeu as apresentações dos belíssimos resultados de algumas atividades desenvolvidas na prática com os alunos. Como foi o caso da Escola Jânio Quadros da comunidade do Gavião (Mirante), onde na região do maracujá, a velha história da “Chapeuzinho Vermelho” virou causo da “Chapeuzinho Amarelo”, causo esse que serviu de contexto de trabalho sobre o fruto do maracujá, sua nomenclatura, o processo de polinização pela abelha solitária, o Mangangá (abelha Mangangava), utilidades culinárias e benefícios à saúde. E no final disso tudo, nada de cesta de bolo, a chapeuzinho amarelo levou suco de maracujá para a vovozinha dela. Segundo a professora Lúcia, a turma toda se envolveu nessa trama, “onde acabou que os alunos não deixaram bater ou maltratar o lobo, pediram pra levar e soltar bem longe dentro da roça. Na abordagem dos temas sobre o maracujá todos estavam ligados e bem participativos”. Resultado também alcançado pelo professor Dorival da escola Tiradentes de Mirante, onde ele trabalhou com sua turma a palma como elemento de convivência com o semiárido. E no final de tudo a aula terminou com um belo e saboroso cortado de palma forrageira.

O segundo dia de atividade foi marcado pela visita ao Banco de Sementes dos Sonhos, na comunidade de Bom Jesus de Cima, que fica situado na propriedade dos guardiões Francisco (conhecido como “seu tico”) e Lourdes. Os/as professores/as conheceram as instalações e o funcionamento da casa de sementes e escutaram dos guardiões sobre as sementes crioulas e seu processo de resgate, estocagem e garantia de uma semente limpa e livre dos venenos. E diante da bonita e valiosa experiência dos/as agricultores/as experimentadores, Lourdes e Francisco, e de sua lida com as sementes crioulas, como trabalhar isso na vida da comunidade escolar de forma prática? O que aprender e levar ‘pras’ diversas realidades daquilo que foi visto e escutado desses educadores/as do semiárido? Dessas e outras indagações vieram palavras apuradas do sentimento extraído do coração ditas pelos/as professores/as ali presentes, que formaram a Peneira dos princípios e compromissos da educação contextualizada para a convivência com o Semiárido: “dedicação”, “esforço”, “luta”, “sementes da vida”, “semiárido vivo”, “sementes da educação”, “força feminina”, “valorização dos saberes”, “respeito à diversidade”, etc…

Por fim, mais um importante e significativo passo foi dado com a realização desse IIº Módulo, as sementes foram lançadas e já é possível vê-las germinarem no jardim do nosso semiárido. A atividade foi encerrada já na expectativa do IIIº e último módulo, que será realizado em Mirante já no mês de setembro. E por aqui seguimos nossa caminhada nos carreiros do nosso Sertão vivo e pulsante, cheio de vida e possibilidades.

Texto e imagens – Comunicação CEDASB

“Somos povo semente de uma nova nação” – Comunidade do Mandacaru de Cordeiros dá o primeiro passo no processo de resgate, estocagem e produção de sementes crioulas

Aconteceu no dia 22 de agosto de 2017 na comunidade Mandacaru no município de Cordeiros-BA, a Oficina de Capacitação sobre Banco de Sementes Crioulas, com os/as agricultores/as familiares beneficiários da Ater/Bahiater – CEDASB. Essa formação teve por objetivo, a criação de um Banco de Sementes tendo em vista, a estocagem e o resgate das sementes crioulas bem como, recuperar as tradições de cultivo características da comunidade local.

A realização dessa atividade de formação surgiu a partir do pedido feito por três agricultores/as da comunidade de Mandacaru: Alessandra Dias, Marta e José, que em março desse ano participaram de um Intercâmbio, no município de Bom Jesus da Serra-BA, onde visitaram a experiência do Banco de Sementes dos Sonhos na comunidade de Bom Jesus de Cima. Ficaram encantados com a experiência visitada, e com a grande variedade de sementes: resistentes e adaptadas ao clima, tudo sem uma gota de veneno. Perceberam a importância da organização e a participação das pessoas da comunidade e isso despertou neles/as, a vontade de levar a ideia para a comunidade do Mandacaru, assim como diz Alessandra: “isso é uma das maiores riquezas para as próximas gerações, um grande exemplo que fortalece e enriquece a comunidade, precisamos de um banco de sementes na nossa”.

Diante essa motivação e empenho da comunidade local, a atividade de formação foi realizada com sucesso. Foi conduzida pelas técnicas do Ater/Bahiater e foi um momento da comunidade resgatar o conhecimento e as origens das sementes produzidas pelos seus antepassados, mostrando a diferenças entre a semente crioula, sementes híbridas e sementes transgênicas. Além da tomada de ‘consciência’ dos agricultores, acerca dos riscos das sementes frente à adoção de agrotóxico.

Sabendo que as sementes crioulas são guardadas e conservadas para o ano seguinte. Estas são conservadas por várias gerações pelos agricultores e são, em grande parte, produzidas em bases agroecológica, diferentes por que não possuem agrotóxicos/veneno são nativas e resultam em uma alimentação mais saudável. As híbridas geram sementes não viáveis, impossibilitam o agricultor de utiliza-la no plantio seguinte, e por sua vez, as transgênicas são sementes modificadas geneticamente, sendo o milho uma espécie suscetível à polinização cruzada; o cruzamento de variedades tradicionais com transgênicas, além de hibridizar, gera plantas geneticamente alteradas, com anomalias ou incapazes de produzir sementes viáveis, comprometendo a diversidade das variedades tradicionais.

A busca pela soberania dos/as agricultores/as no resgate e segurança das sementes crioulas, guardar, cultivar, trocar suas sementes, conservação da biodiversidade, redução dos custos dando autonomia e promover a sustentabilidade da agricultura familiar através do fortalecimento do intercâmbio é o que levou a comunidade a optar por um banco de sementes. São os primeiros passos para a realização de um grande sonho da comunidade.

Texto e imagens – Maria do Carmo – Técnica Agrícola Ater Cedasb

CEDASB realiza I Seminário Territorial do Projeto de ATER Bahia Produtiva

Foi realizado no dia 17 e 18 de agosto o I Seminário territorial do Projeto de ATER Bahia Produtiva. O evento faz parte de um calendário de atividades a serem desenvolvidas pelo CEDASB dentro do Programa do Governo do Estado, o Bahia Produtiva. A atividade contou com a presença de vários Empreendimentos da Economia Solidária dos territórios Médio Sudoeste e Sudoeste Baiano. Também estiveram presentes, parceiros como o IF Baiano, CEAS, representantes dos territórios, BAHIATER e da CAR.

O Projeto de ATER Bahia Produtiva tem como finalidade a organização produtiva e associativa de Empreendimentos Econômicos Solidários – EES da agricultura familiar dos territórios Médio Sudoeste da Bahia e Sudoeste Baiano que foram selecionados pelo Projeto Bahia Produtiva e atuam em uma ou mais de uma das cadeias produtivas: Apicultura e Meliponicultura, Aquicultura e Pesca, Bovinocultura Leiteira e Caprinovinocultura.

Durante o evento foram apresentadas às metodologias e o papel dos trabalhos que serão desenvolvidos pelo CEDASB nas comunidades, bem como sobre o papel da CAR no fortalecimento das organizações sociais e da assistência técnica. Falou-se também da logística dos empreendimentos que serão trabalhados e principalmente da importância das parcerias que estão envolvidos para que os agricultores, protagonistas dessa história, sejam agraciados e tenham o sentimento de pertença para fazer o projeto acontecer como bem colocou Maria do Rosário, Assistente Territorial do Sudoeste Baiano e fiscal do contrato.

A atividade se configura como sendo um espaço essencial para se fazer encaminhamentos coletivos relacionados à organização, gestão e comercialização dos empreendimentos da cadeia produtiva para que possam alcançar os resultados elencados no Plano de Negócios. Avaliando, sistematizando e disseminando os aprendizados acumulados entre os beneficiários, parceiros territoriais entre outros, permitindo à luz das experiências, avançar nas propostas de um desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Assim, a atividade foi finalizada com algumas falas pertinentes e de grande satisfação demonstrando o compromisso e a seriedade do projeto. A partir da troca e valorização dos conhecimentos, firmação de parcerias e da motivação para a construção de uma agricultura familiar firme e cada vez mais forte, onde todos/as tenham voz e vez. O projeto Bahia Produtiva é uma realização do CEDASB em parceria com a Bahiater-SDR, Grupo Banco Mundial e CAR.

Texto/Imagens – equipe ATER Bahia Produtiva

Agricultores/as levam para as suas propriedades experiências de intercâmbio do ATER/BAHIATER

Intercâmbio na Comun. de Poço Danta – Planalto BA

O intercâmbio ocorreu na comunidade de Poço Danta no mês de maio deste ano, município de Planalto – BA, onde agricultores e agricultoras do município de Vitória da Conquista, beneficiários do Ater/Bahiater vivenciaram experiências agroecológicas, onde conheceram o Sistema Bioágua Catingueiro apresentado pela agricultora experimentadora Sandra Andrade e sua família.

A socialização desta tecnologia foi fundamental nesta experiência, pois aproximaram os/as agricultores/as das realidades de diferentes comunidades oriundas do município de Vitória da Conquista, situadas em contextos bem diferenciados, proporcionando à troca de experiências entre agricultores/as e técnicos da ATER/Cedasb, que trabalham na perspectiva da Agroecologia.

D. Lorinha e Seu Enoque

Durante essa visita ocorreu momentos ricos de discussão e aprendizados, sobre a construção do biodigestor, onde dentre os agricultores/as presentes estava Dona Fidelcina Silva Oliveira, conhecida como Lorinha, da comunidade Serra Grande, prestou bastante atenção na construção do minhocário e do reuso da água, juntamente com o agricultor Edilson Sousa Dutra, da comunidade Farinha Molhada. Assim que retornaram para as suas propriedades colocaram a mão na massa e começaram a construir. Dona Lorinha, juntamente com o marido Enoque, iniciaram a construção do minhocário com foco na adubação da horta e do pomar, além de implantar o reuso da água.

Agricultor Edilson

Já o agricultor Edilson começou a implantação da fossa séptica biodigestora, onde os resíduos transformando em  biofertilizantes serão usados  para  adubar a roça de palma e da campineira, que será utilizado na alimentação animal das cabras.

Todas essas atividades implantadas nas propriedades de Dona Lorinha e de Edilson, após o intercâmbio, contou com a orientação do Técnico Agrícola Rogério Macedo que acompanha os agricultores em todas as decisões e trocas de saberes, que contribui com técnicas agroecológicas nos trabalhos de campo do Ater/Bahiater.

O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

 

Texto – Helena Paula                                 Imagens – Rogério Macedo (ATER/Bahiater)

 

 

Projeto Cisternas nas Escolas inicia formações em GRHE e Oficina em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido dos municípios de Mirante e B. Jesus da Serra

“Educação do campo é direito e não esmola ! ! !”

A cisterna como elemento pedagógico educativo, é para além desta, o processo de contextualização da educação na perspectiva da convivência com o Semiárido.  Eis a questão-chave destrinchada durante a primeira capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos Escolar (GRHE) e do Iº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido do projeto Cisternas nas Escolas executado pelo CEDASB. As atividades foram realizadas em Mirante-BA, na segunda quinzena do mês de Julho de 2017, reunindo professores/as, merendeiras, gestores/as escolares, auxiliares, porteiros e lideranças comunitárias dos dois municípios supracitados.

GRHE

É a formação em que se objetiva discutir sobre os cuidados com as cisternas, sua importância para a escola, e para a garantia de uma alimentação saudável às crianças, mas também, objetiva inserir as(os) merendeiras, porteiros, zeladoras(es) na discussão acerca da necessidade de construirmos um novo olhar para o semiárido, e consequentemente para a escola. Contextualizar para conviver, para se alimentar, para valorizar as conquistas alcançadas, e para identificar as demandas que ainda emanam do cotidiano comunitário e escolar.

OFICINA

O 1º Módulo da Oficina em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido reuniu professores/as e gestores/as das diversas escolas envolvidas no projeto em um verdadeiro momento de “ensinagem”, isto é, de ‘ensino-aprendizagem’ entre os participantes. Conhecer sobre as políticas públicas de convivência com o semiárido, a luta por uma educação do/para o campo e contextualizada, bem como, as leis e decretos que regem a comunidade escolar do campo, as fraquezas e fortalezadas das comunidades escolares, a cisterna como elemento pedagógico e instrumento gerador de vida e saúde foram alguns dos principais temas trabalhados e refletidos durante a realização dessa formação. A dinâmica utilizada para se trabalhar e aprofundar os assuntos acima citados teve o intuito de promover a apropriação da realidade na vertente da educação contextualizada para convivência com o semiárido, uma vez que a mesma é pouco debatida e difundida no cotidiano escolar das escolas do campo, assim como expressou o professor Edivan, da comunidade Segredo de Bom Jesus da Serra: “É esse o exemplo que precisamos disseminar em nossas escolas do campo. Uma educação contextualizada que busque como elemento de trabalho, a própria realidade das nossas comunidades. Essa é a beleza e a riqueza que esse projeto Cisternas nas Escolas está trazendo pra nós”.  

Tanto no GRHE, quanto no 1º módulo da oficina, as manifestações de encanto foram as mesmas. Foi esse sentimento que ambas as atividades deixaram marcadas em cada pessoa que participou dos dois dias de encontro e formação. Eis a novidade: a cisterna é a verdadeira “Boneca Branca” do nosso sertão, pois nela se guarda as águas dos céus… As águas que matam a sede e faz florescer a vida da comunidade e promovendo a cidadania… Águas que educam a partir do chão onde se vive e liberta nossa gente das garras tiranas do sistema opressor. Fazendo ecoar um grito de luta: “não vou sair do campo pra poder ir pra escola, educação do campo é direito e não esmola” (G. Santos).

Texto/Imagens – Equipe Cisternas nas Escolas-CEDASB

 

Cordel

Nesse 24 e 25 de Julho

Na cidade de Mirante

Houve aulas diferentes

E muito importantes

Sobre de cisternas

Nas escolas para os/as estudantes

 

A atuação do CEDASB

É um grande acontecimento

Que vem realizando

Grande desenvolvimento

Que é a estocagem da água

Para a produção de alimentos

 

Aprendemos o que é semiárido

Ninguém passa sede

Só se ficar deitado

Em cima de uma rede

Pois em nosso semiárido chove,

É rico e muito verde

 

Para a chave do sucesso

Nessa nossa empreitada

Preparar alunos do campo

De forma organizada

Construindo junto com eles/as

Uma educação contextualizada

 

Nessa ótima capacitação

Agradeço e ainda falo

Teve muita aprendizagem

E interação de todo lado

Falar do que sinto, vejo e ouço

Tudo sobre nosso semiárido

 

Esse bioma do nordeste

Agora já posso falar

Trabalhando de forma correta

Plantando de tudo dá

E o/a agricultor/a com orgulho

Já pode respirar

 

A natureza do Semiárido

Não fica na promessa

Apresenta enorme variedade

Fauna, flora e faz a festa

Porque essa Caatinga brasileira

É rica e diversa

 

Incentivos práticos agroecológicos

Tem sido a solução

Para agricultores e agricultoras

Do nosso lindo sertão

Fazendo famílias e comunidades

Terem uma grande valorização

 

Muita gente esteve presente

Nessa grande formação

Muita troca de ideias

E também interação

Bom Jesus e Mirante

Todos na mesma construção

 

Também esteve presente

Nesse grande feito

O secretário João Carlos

Que trabalha muito perfeito

E também nosso gestor

Lúcio Meira, o prefeito

 

A equipe mediadora

Veio muito preparada

Com Heber e Ezequiel

Com coisas extraordinárias

Eliane, Leandra e “Sil”

Popularmente a Silmara

 

Finalizo por aqui

Aprendendo a dar valor

Ao nosso Semiárido

Esse bioma que me encantou

Fiz com afeto e carinho

Edivagues, professor

Autor – Edvagues Nogueira – Escola Santo Antonio, Comun. Melancieira, Mirante-BA

 

CEDASB-ATER REALIZA DIA DE CAMPO NA COMUNIDADE DE MORRINHOS, PIRIPÁ-BA

Realizado no dia 20 de Junho 2017 na comunidade de Morrinhos, o dia de campo sobre Meliponicultura teve como facilitador, o apicultor e biólogo, Ricardo. E contou com a presença de agricultores/as beneficiários do Lote 38 e do coordenador do Bahiater, Roque Soares Guimarães. Foi um momento de grande troca e produção de conhecimento, assim como o reconhecimento da grande importância da criação racional das abelhas sem ferrão (ASF), que é denominada de meliponicultura.

Demonstrou ser uma atividade ecologicamente correta, de baixo investimento inicial e com boas perspectivas de retorno financeiro, sendo uma excelente alternativa de geração de renda para a agricultura familiar. Como escolher, qual espécie criar, como criar sem destruir os ninhos naturais, onde Criar as abelhas – As caixas racionais INPA – Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária, O local do Meliponário e a alimentação das abelhas foram os temas debatidos no dia de campo. Realizou-se a prática com transferência de uma colmeia para a caixa racional observando os cuidados no manejo adequado para não danificar e observando a colocação da melgueiras, do ninho e do sobre ninho, posterior a essa prática  foi desenvolvida uma técnica de captura de enxames através de iscas, feitas com Garrafas PET, papel, plástico preto e uma loção de atração. Mostrando a importância e a vantagem de não mexer naqueles ninhos naturais.

Os/as agricultores/as perceberam que cuidar da terra com técnicas agroecológicas, alimentando a terra para receber de volta fartura, é quem tem na mão a possibilidade de investir nessa preservação e ganhar junto com as abelhas sem ferrão uma renda extra e qualidade de vida. E que criar abelhas é preservar a vida! Segundo o jovem agricultor, Janio Vieira (Comunidade de Morrinhos): “Eu vi aqui pensando que era mais uma reunião, onde era só falas e que eu ia perder meu tempo, me enganei, hoje saio daqui com muito conhecimento e vamos cuidar das nossas abelhas no coletivo”.

O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

Texto/Imagens – Equipe de ATER-CEDASB