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PROJETO CISTERNAS NAS ESCOLAS-CEDASB FINALIZA OFICINAS COM EDUCADORAS/ES DOS MUNICÍPIOS DE ANAGÉ E VITÓRIA DA CONQUISTA.

O Projeto Cisternas nas Escolas finda a Oficina de Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido com os educadores/as dos municípios de Vitória da Conquista e Anagé, com louvor e sensação de dever cumprido. O segundo módulo, teve início com a apresentação dos “prazeres de casa” desenvolvidos pelos professores/as, que é a realização de alguma atividade pré-determinada e de cunho contextualizado diretamente com os alunos/as fora das quatro paredes da escola ou mesmo em sala de aula. Assim sendo, foi discutido sobre o rebatimento da mudança pedagógica de abordagem de temas atinentes à região semiárida, e o quanto essa mudança agrega no trabalho dos educadores/as.

Foi debatida a essência da ECCSA (Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido), abordando as vertentes pedagógicas que culminam numa educação transformadora, debruçando e bebendo da fonte do saber da Profª. Adelaide Pereira da Silva, integrante da Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab), a partir da leitura e discussão do seu texto intitulado: “O conceito de educação contextualizada na perspectiva do pensamento complexo – um começo de conversa”. A ressignificação acontece quando o re/conhecimento se consolida, e essa assertiva se materializa no terceiro módulo, onde juntos pudemos vivenciar, por meio de um intercâmbio, um semiárido que pouco é visibilizado pela mídia: o semiárido das possibilidades!!!! Na visita à Comunidade de Bom Jesus de Cima, no município de Bom Jesus da Serra, foi possível os educadores/as observarem, analisarem, conectarem, e re/significar seus olhares sobre a Caatinga, a catingueira/o, o conhecimento, o saber popular e sobre o trabalho comunitário realizado na contramão da lógica capitalista de reprodução da vida. Foram momentos de formação densa e de um grande aproveitamento no processo de debate e aprofundamento dos professores/as que participaram desses momentos.

Por fim, a equipe, na pessoa da Coordenadora Eliane Almeida, expressa a grande satisfação e gratidão da vivencia e realização de cada passo do projeto: “Nós da equipe do Cisternas nas Escolas do CEDASB, agradecemos cada um e cada uma que mergulharam nessa história conosco, que deram significado e significância ao nosso trabalho. MUITO OBRIGADA!!! Fica a saudade do convívio, e a certeza que a luta está apenas começando”.

Texto/imagens – Equipe Cisternas nas Escolas

 

IIº Módulo

 

IIIº Módulo

Família de agricultores assistida pelo BAHIATER/CEDASB da comunidade Olho D’água da Serra, se destaca na produção de Açafrão-da-terra

Na comunidade Olho D’água da   Serra,   no   município   de   Vitória   da Conquista, a agricultora  Maria   Nalva  vem se destacando na produção de Açafrão-da-terra. Seguindo a tradição do trabalho na agricultura familiar, Dona Maria Nalva Prates Cantil, juntamente com os filhos João Vitor e Joalicio, já há algum tempo vêm garantindo uma renda extra para família a partir da produção e comercialização dessa especiaria.

O açafrão-da-terra, conhecido também como cúrcuma, é uma planta originária da Ásia que, além de possuir um sabor marcante e único, vem se destacando por suas propriedades medicinais, graças à curcumina, nome do   pigmento presente nele, que apresenta ações antioxidante e anti-inflamatória.

 Após a assistência técnica do BAHIATER – CEDASB, a agricultora passou a fazer uso de uma cobertura do solo utilizando folhas secas de restos de culturas e percebeu que com essa simples prática houve a diminuição da necessidade de irrigação, além de manter e ampliar a fertilidade do solo, uma vez que essas folhas, ao passarem por um processo natural de decomposição, fornecem os nutrientes para a plantação.

Em visitas técnicas realizadas pelo CEDASB, foi possível constatar que a família de D. Maria utilizou os conhecimentos adquiridos nessa parceria, aplicando corretamente técnicas de plantio e conservação do solo.

No ano de 2017 como de costume, Dona Maria iniciou o plantio do açafrão perto do barreiro, entretanto, percebendo o aumento da demanda pelo produto, o seu filho João Vitor resolveu ampliar a área plantada para os arredores da casa da família. Essa iniciativa rendeu maior lucratividade para o grupo familiar uma vez que essa especiaria, cultivada dentro dos padrões da agroecologia que lhe confere um sabor diferenciado, tem sido bastante aceita no mercado.

Segundo Dona Maria a safra desse ano já foi quase toda vendida, e uma outra parte já está guardada para o próximo plantio. A intenção da família é aumentar a área plantada e acessar novos mercados, propósitos que serão facilmente alcançados tendo em vista os cuidados e a dedicação desses agricultores no trabalho que desenvolvem.

Texto/Imagens –  Milena Mendes / CEDASB

 

ISFA realiza Encontro Territorial e inaugura Feira Agroecológica em Manoel Vitorino-BA

O Instituto de Formação Cidadã São Francisco de Assis – ISFA, realizou nos dias 04 e 05 de outubro de 2017 na sede do Município de Manoel Vitorino, o 1º Encontro Territorial, atividade essa, prevista nos contratos 078/2014 e 065/2014, ambos firmado entre a Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR e o ISFA. O encontro contou com a presença de agricultores/as dos municípios de atuação contemplados com as Tecnologias Sociais de 2º água para produção de alimentos, executado pelo ISFA dentre os quais: Planaltino, Planalto, Maracás, Poções, Boa Nova, Nova Canaã, Iguaí e demais municípios vizinhos que prestigiaram e participaram da atividade como, Bom Jesus da Serra, Vitória da Conquista e Jequié.

Estiveram presentes no encontro, representantes do polo Sindical Regional de Jequié, CEDASB, poder público municipal, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Cooperativa de Produção e Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia (COOPROAF), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR e a representante do Governo do Estado, na pessoa Kamilla Santos (Subcoordenação do Programa Água para Todos – PAT). Em sua fala, Kamilla enfatizou as ações do governo estadual que através da respectiva Secretaria, vem fortalecendo diretamente a agricultura familiar, dentre as ações destacou a importância das organizações ligadas à rede ASA, com as estruturas implementadas que são relevantes para a convivência com o semiárido emponderando toda a comunidade rural. “Essas políticas públicas voltadas para a agricultura familiar tiveram um grande avanço nos últimos anos, fazendo com que os agricultores/as, tenham a oportunidade de consumir um alimento saudável e de boa qualidade, exemplo de tudo isso está sendo desenvolvida a criação das feiras agroecológicas nos municípios onde os agricultores e agricultoras tenha um espaço para comercializar o excedente de sua produção e contribuindo também para fortalecer a agricultura familiar”, disse Kamilla.

No segundo dia do Encontro Territorial, 05, foi realizada/inaugurada a Feira Agroecológica. Que contou com a massiva participação de agricultores/as e moradores/as da localidade e região do município de Manoel Vitorino. Tudo produzido e comercializado pelos agricultores/as assistidos/as pelos projetos de 2ª água executados pelo ISFA, cultivados sob os princípios da agroecologia. Foi um verdadeiro sucesso e incentivo para outras comunidades promoverem suas feiras agroecológicas nas diversas regiões, assim como já está previsto. Pois, outras comunidades e municípios, a partir da organização dos agricultores/as em parceria com entidades da sociedade civil organizada e secretarias de agricultura já planejam a realização da Feira Agroecológica em diversos municípios e comunidades da região.

Relatos de alguns beneficiários/as comprovam que as atividades e ações de resistência e convivência com o Semiárido executadas, têm efeitos positivos na vida dos agricultores é o caso do depoimento de dona Maria Rodrigues, “Eu me casei e morando em Planalto criei oito filhos que levei para morar na roça. Recebi minha cisterna de 16 mil litros e era a única água que tinha para consumo. Eu tinha plantado umas abobreiras que eram molhadas com a água de um tanque que pertencia a um vizinho e quando já estava quase produzindo, chegou um homem em minha casa e me pediu para não pegar mais a água no tanque dele, situação que me deixou muito triste, pois meus pés de abóboras iam morrer de sede. Mas o que mim deixou mais triste foi quando a água da minha cisterna ‘de beber’ acabou e passou na porta de casa um carro pipa com o tanque cheio água e eu implorei para deixar pelo menos um tambor de água e o motorista falou que a ordem era não deixar nem uma lata se quer; muito triste com toda a situação já era quase certo, minha saída para morar em outra localidade. Eu sempre pedir a Deus para que eu tivesse o meu próprio Barreiro e minha prece foi atendida. Pouco tempo depois sair para fazer uns exames em Vitória da Conquista e lá recebi um telefonema que tinha chegando umas pessoas para fazer um barreiro em minha propriedade, na mesma hora ajoelhei e agradeci a Deus, rapidamente peguei o carro de volta e chegando em casa, já marcamos o local e meu barreiro foi construído.  Hoje graças a Deus tenho o meu próprio barreiro e não preciso mais me humilhar com ninguém atrás de uma lata de água. E hoje, onde acontecer qualquer encontro com vocês do ISFA, eu estarei lá pra participar e contar minhas experiências”. Contou dona Maria Rodrigues da comunidade Lagoa Nova, Planalto-BA.

Realizações como essa fortalecem cada vez mais a viabilidade e amplitude do processo de convivência e resistência no semiárido. Todos/as envolvidos em prol da construção de uma agricultura familiar sólida e resistente, onde agricultores/as escrevem, contam suas experiências e reescrevem sua história. A caminhada continua e por aqui vamos lutando e labutando rumo a um semiárido justo e fraterno.

Texto e imagens – Comunicação CEDASB e equipe técnica do ISFA

 

ATER Bahia Produtiva do CEDASB realiza Encontros Comunitários em municípios dos Territórios Médio Sudoeste e Sudoeste Baiano

O Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (CEDASB) iniciou suas atividades sendo uma das instituições responsáveis pela execução de ATER dentro do Programa Bahia Produtiva do Governo do Estado em diferentes comunidades dos Territórios Médio Sudoeste e Sudoeste Baiano.

De forma a contribuir de maneira sustentável para o desenvolvimento politico, socioeconômico e ambiental das famílias envolvidas, a equipe técnica do CEDASB passou pelas comunidades realizando o Encontro Comunitário, atividade prevista dentro do Projeto, e tem sido recebida com entusiasmo pelos agricultores/as familiares que fazem parte dos empreendimentos de economia solidária. Esses encontros têm sido de grande importância para trocar informações pertinentes ao andamento do projeto, debate de experiências e expectativas do público presente e planejamento das ações a serem desenvolvidas pela equipe de ATER junto ao subprojeto.

No Médio Sudoeste foram realizados encontros com a comunidade Água Vermelha em Itarantim, onde os agricultores/as serão beneficiados com o viveiro comunitário, bem como a comunidade Timorante, em Nova Canaã, onde o grupo já está em construção dos galinheiros. Os dois empreendimentos contam com a colaboração de um Assistente Comunitário Rural (ACR).  Este jovem tem a função de acompanhar as atividades do Programa Bahia Produtiva na comunidade.  Além dos ACRs é possível contar com a parceria e acompanhamento sistemático do Assistente Territorial, Daniel Piccoli, que muito tem colaborado com as atividades realizadas pelo CEDASB no Médio Sudoeste Baiano.

No Sudoeste Baiano o CEDASB já passou pelo município de Caetanos, na comunidade Estreito, e em Mirante na comunidade Lameiro, ambas estão executando projetos de acesso a mercado da cadeia produtiva de caprinos e ovinos. Em Bom Jesus da Serra, a equipe esteve com o grupo da comunidade Bengo que vai ser beneficiado com a construção de uma casa de farinha, uma estratégia de fortalecimento da cadeia da mandioca, um produto cultivado por eles durante varias gerações. No Encontro Comunitário realizado no dia 19 de setembro no Bengo, podemos contar com a presença do diretor-presidente do CEDASB, Everaldo Rocha Mendonça, morador do município de Bom Jesus da Serra, que aproveitou a oportunidade para fazer uma apresentação sobre a instituição e colaborou nas discussões sobre a execução e andamento do projeto na comunidade.

No dia 06 de setembro foi feito um belíssimo encontro na comunidade Bomba em Belo Campo, a comunidade já esta bem adiantada na construção dos galinheiros e demonstrou grande satisfação em retornar os laços com o CEDASB que já tem a comunidade como grande parceira na sua caminhada para a efetivação das politicas de convivência com o semiárido.

A percepção da equipe, a partir da realização dos Encontros, é de que agricultoras e agricultores estão esperançosos com a chegada do Projeto e seu propício sucesso diante de tantas parcerias que chegam à comunidade concomitante à execução do ATER Bahia Produtiva.

Ainda existem grupos a serem visitados pelo CEDASB para a realização do Encontro, todavia, a equipe técnica está em articulação constante com a Assistente Territorial, Maria do Rosário, para agendamento dessas atividades. Ela tem contribuindo de forma significativa com a articulação e organização dos empreendimentos.

Ao realizar os Encontros Comunitários, a equipe está prezando por trabalhar com temáticas que possibilitem o desenvolvimento da organização produtiva e associativa dos grupos acompanhados pelo ATER Bahia Produtiva, baseado nos princípios da economia solidária e da produção agroecológica.

A busca pela inclusão socioprodutiva desses grupos tem em seu horizonte o empoderamento dos grupos e, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida das famílias que tiram seu sustento da agricultura. O papel da equipe é auxiliá-los em sua jornada de realização de sonhos, afinal quando se trabalha junto o grupo ganha força que pode agregar, unir e dar a resistência necessária que impulsiona a realização de conquistas.

O Projeto de ATER é uma ação do Programa Bahia Produtiva do Governo do Estado, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR, empresa pública vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR. O Programa é resultado de um acordo de empréstimo firmado entre o Estado da Bahia e o Banco Mundial.

Texto e Imagens – equipe da ATER – Bahia Produtiva

 

Comunidade Água Vermelha – Itarantim

 

Comunidade do Bengo – Bom Jesus da Serra

 

Comunidade do Bomba – Belo Campo

Comunidade Estreito – Caetanos

 

Comunidade Lameiro – Mirante

 

Comunidade Timorante – Nova Canaã

 

 

LATA D´ÁGUA NA CABEÇA ATÉ QUANDO? Programa Cisternas pode ter corte de 92% no orçamento para 2018

Imagem – Abílio de Jesus

Na China, durante a 13ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP 13), o Programa Cisternas é premiado como uma das mais efetivas políticas públicas para áreas em processo de desertificação do mundo. Em Brasília, essa mesma política é ameaçada de perder 92% dos recursos públicos destinados à sua execução em 2018. Esse percentual tem como referência o orçamento de 2017 que, por sua vez, representa um pouco mais de 1/4 do volume de recursos que esta política teve em 2012. O Programa Cisternas possibilitou que cinco milhões de pessoas da região mais árida do Brasil tenham, ao lado de casa, água potável para consumo humano.

Um dia depois da cerimônia de entrega do Prêmio Política para o Futuro, Valquíria Lima, da coordenação executiva nacional da Articulação Semiárido (ASA) pelo estado de Minas Gerais, falou sobre a situação de incertezas políticas, econômicas e, sobretudo, sociais que o país vivencia, no evento paralelo à COP 13, em Ordos, na China. “As ações da ASA e também as políticas públicas, como o Programa Cisternas, estão ameaçadas de parar devido ao corte no orçamento público. A ASA continuará lutando para que as famílias do Semiárido não sejam penalizadas e possam cada vez mais ampliar seus direitos à água, aos alimentos de qualidade e sem veneno, preservando suas sementes locais e a biodiversidade. Acreditamos que só assim é possível mudar os efeitos da desertificação e das mudanças climáticas.”

A previsão orçamentária proposta pelo Governo Temer para 2018 para a implementação de tecnologias de captação de água da chuva para consumo humano e produção de alimentos é de R$ 20 milhões. No documento enviado pelo Executivo para o Congresso Federal, chamado de Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) – volume IV, tomo II, página 733 – esses R$ 20 mi serão destinados à construção de apenas 5.453 tecnologias em todo o território nacional.

O que são 5.453 tecnologias diante da necessidade, só no Semiárido, de 350 mil famílias pela cisterna que armazena água para matar a sede e cozinhar? Isto representa um milhão e 750 mil pessoas sem água potável disponível perto de casa para seu consumo. Nesta região, há também a necessidade de guardar água para produzir alimentos e criar animais. Uma demanda de 600 mil famílias se considerarmos apenas as que dispõem de espaços nas propriedades para a instalação das tecnologias como a cisterna-calçadão e a barragem subterrânea.

Estamos falando das famílias que vivem na região mais árida do país, do tamanho da França e Alemanha juntas, com metade dos brasileiros em situação de miséria e que passou e ainda passa por uma seca de cinco anos, considerada a mais intensa dos últimos 50 anos. As famílias que esperam pelas cisternas vivem na zona rural, em comunidades distantes da sede do município, sem abastecimento de água encanada e com fontes de água contaminadas pelo uso de agrotóxicos nas lavouras.

Só num município da Bahia, Jeremoabo, estima-se que entre 1,5 mil a 2 mil famílias aguardam por suas cisternas de placa de cimento de 16 mil litros. A população rural há 100 anos tomava a água do rio Vermelho, que agora só tem água quando chove. Nos dias atuais, precisam recorrer à prefeitura para pedir carro-pipa. Quando não dá mais para esperar pelo poder público, para não morrer de sede, o jeito é comprar 8 mil litros de água num valor que varia de R$ 70,00 a 300,00, a depender da distância da comunidade da sede da cidade. E quem não tem dinheiro, vai pegar a água onde tem, muitas vezes em fontes contaminadas e barrentas, disputando o líquido com os animais. Nestes casos ainda muito comuns, a água continua sendo transportada pela população em latas. Um trabalho pesado que demanda muitas horas do dia, especialmente, para as mulheres.

“Quando a seca pega, o primeiro lugar que afeta é o bolso. Costumo dizer que quem salvou o município de Jeremoabo da seca foram as cisternas”, assegura Abílio de Jesus, que faz parte da Comissão Municipal da ASA e do Conselho Municipal de Comunidades Quilombolas. Abílio conta que esse ano, depois de 10 anos com inverno ruim de chuva, chegou a chover 700 ml de maio a julho passados. “As tecnologias estão com água e quem ainda não tem a cisterna, pega água com o vizinho”, conta ele.

No município de Nossa Senhora da Glória, no Sertão de Sergipe, há 33 comunidades rurais com mais de mil famílias à espera das cisternas. “Em 2012, fizemos um levantamento no município e a demanda era de 1,5 mil famílias. De lá pra cá, conseguimos atender 500”, conta Silvestre Marques da Silva, conhecido como Gercílio, membro da Comissão Municipal da ASA e presidente da Associação de Produtores Rurais da Comunidade Augustinho.

Desde o início do P1MC, em 2001, até hoje, contam-se um milhão de cisternas de placas proporcionando a cinco milhões de brasileiros e brasileiras condições mais favoráveis para beber água apropriada para consumo, livre de agrotóxicos e outros tipos de contaminações. A ASA Brasil implementou mais de 60% destas tecnologias através da gestão de recursos públicos repassados pelo Ministério de Desenvolvimento Social, através de convênio.

De 2015 para 2017, só queda – Os recursos públicos para a execução do Programa Cisternas são repassados tanto à sociedade civil, como para os estados. Desde 2010 a 2014, houve um crescimento contínuo das verbas destinadas à ASA, através da Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC), uma Organização Social de Interesse Público que faz a gestão física e financeira dos programas da ASA. Saiu de R$ 95,5 milhões para R$ 324,7 milhões. De 2015 até 2017, o fluxo foi o inverso: uma acentuada queda. Este ano, os recursos públicos transformados pela ASA em tecnologias de acesso à água foram apenas R$ 19,3 milhões. Um corte de 94% se comparado com o valor acessado pela ASA em 2014. Os dados são do Portal da Transparência.

Para gerir os recursos públicos, a AP1MC se organizou política e administrativamente, mostrando que a sociedade civil organizada, além de propor políticas públicas, pode executá-las de forma diferenciada: respeitando e estimulando o protagonismo das famílias e zelando pela transparência e eficiência no uso dos recursos. “Foi através da transparência, com nosso sistema integrado de gastos, com todas as nossas tecnologias georreferenciadas que comprovamos, de fato, que os recursos chegam na base. E isso nos respaldou para executar, ao longo destes anos, um orçamento significativo para a sociedade civil de mais de R$ 2 bilhões”, acrescenta Valquíria Lima.

Fonte – www.asabrasil.org.br              Texto –  Verônica Pragana – Asacom

 

Projeto Cisternas nas Escolas realiza formações em GRHE e Oficina em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido dos municípios de Anagé e Vitória da Conquista – BA

Seguindo a trilha do conhecimento do Projeto Cisternas nas Escolas-CEDASB, foram realizadas na última semana do mês de Agosto 2017 as formações em Gerenciamento de Recursos Hídricos Escolar (GRHE) com a participação de merendeiras, zeladores/as, lideranças das comunidades e agentes comunitários de saúde, e o Iº Módulo em Educação Contextualizada para convivência com o Semiárido com a participação dos professores/as, representantes da direção, auxiliares e coordenações pedagógicas das escolas contempladas com a tecnologia social.

Tanto no GRHE, quanto na Oficina com os professores e demais pessoas que formam a comunidade escolar, o que mais se destacou foi o processo das discussões e debates sobre os diversos temas colocados para a reflexão e debate. “Pra min essa capacitação aqui é algo diferenciado no meu trabalho enquanto merendeira. Está muito mais claro que o projeto vai além da construção da cisterna, mas se preocupa principalmente em valorizar e informar nós, que somos profissionais da merenda”, afirmou Charlene, merendeira na comunidade do Xavier, Vitória da Conquista-BA. Conheceram um pouco do Semiárido, as dificuldades do passado, as mudanças significativas do presente e aquilo que se pensa construir para o futuro. Discutiram sobre alimentação saudável e o processo de produção de alimentos sem o uso de veneno. E qual a importância da merendeira e agentes das comunidades na construção de uma educação contextualizada para convivência com o semiárido? “Se temos consciência de que a escola é da comunidade e do seu povo temos também essa responsabilidade de contribui em todo esse processo de educação a partir da nossa própria realidade. E esse momento aqui é de grande aprendizado e de informação pra cada um de nós”, respondeu seu Vivaldo, porteiro da escola Erasthóstenes do povoado de Iguá.

Com os/as professores/as, os resultados da Oficna não foram diferente. O processo de (des) construção do imaginário fortemente criado de um semiárido miserável possibilitou aos participantes o entendimento dessa região a partir de um outro olhar: REGIÃO DE SINGULARIDADES E DE RARA BELEZA, TENDO COMO O MAIOR DESTAQUE O SEU POVO E SUA RESISTÊNCIA E RESILIÊNCIA. Foram discussões belíssimas alicerçadas em teorias e práticas educacionais bem fundamentadas. Um rico processo de ensinagem (ensino-aprendizagem) onde todos/as nós saímos mais inteligentes, formados e informados, e consequentemente, menos alienados. Parabéns educadoras/es, merendeiras, porteiros, lideranças comunitárias, diretoras/es, coordenações pedagógicas de Anagé e Vitória da Conquista, juntos vocês realizaram um belíssimo trabalho!

E assim, demos mais um grande passo na caminhada do projeto aqui pelos lados de Vit. da Conquista e Anagé. GRHE e Iº módulo realizados com sucesso, em Vitória da Conquista já se iniciou o processo de construção e em Anagé as 05 cisternas já estão construídas.

Texto e imagens – equipe Cisternas nas Escolas – CEDASB

Projeto de ATER/CEDASB – Bahia Produtiva realiza Encontro Comunitário na comunidade do Timorante, em Nova Canaã-BA

Foi realizado no dia 24 de agosto 2017, o Iº Encontro Comunitário do Projeto de ATER Bahia Produtiva na sede da Associação de Moradores e Pequenos Produtores de Timorante. A atividade é parte das ações que serão desenvolvidas pelo CEDASB na comunidade e tem por objetivo reconhecer e dialogar com os beneficiários que serão acompanhados nesse primeiro ano de execução do Projeto.

A atividade contou com a presença da equipe técnica do CEDASB, dos beneficiários do Empreendimento de Economia Solidária e do assistente territorial do SETAF Médio Sudoeste, Daniel Piccoli, que destacou a importância dessas parcerias para o sucesso desse Projeto.

A comunidade foi beneficiada com a construção de galinheiros e outros itens que irão auxiliar na melhoria de renda dessas famílias. O papel do CEDASB, enquanto Instituição responsável pela execução de ATER dentro do Programa Bahia Produtiva, é promover o bem estar através da organização produtiva e associativa dessas famílias baseado nos princípios da agroecologia buscando a conservação dos recursos genéticos de animais (galos e galinhas) já existentes na propriedade dos agricultores (as).

Durante o Encontro Comunitário, os agricultores (as) puderam conhecer a equipe técnica do ATER, saber mais sobre a atuação do CEDASB e do programa Bahia Produtiva, seus financiadores e todos os parceiros envolvidos nesse projeto. No encontro foi feito um diagnóstico da comunidade e levantamento das demandas dos beneficiários além de um planejamento coletivo das primeiras atividades voltadas ao desenvolvimento e melhoramento da cadeia produtiva da avicultura.

A busca pela melhoria da renda das famílias e do fortalecimento de empreendimentos de economia solidária é meta fundamental do ATER Bahia Produtiva. Assim, a realização dessa atividade é um passo significativo para o início de outras ações na comunidade. Foram lançadas as primeiras sementes do Projeto e já se tem a expectativa de encontrar terras férteis e colher bons frutos.

O Projeto de ATER é uma ação do Programa Bahia Produtiva do Governo do Estado, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR, empresa pública vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR. O Programa é resultado de um acordo de empréstimo firmado entre o Estado da Bahia e o Banco Mundial.

Texto/Imagens – Equipe ATER Bahia Produtiva

ATER/Bahiater – Dia de Campo dando bons resultados: experiências de Meliponicultura é multiplicada por agricultor de Piripá-BA

As experiências do Dia de Campo sobre Meliponicultura que ocorreu na comunidade Ressaca no mês de maio deste ano, município de Piripá – BA. O momento contou com a presença de agricultores/as beneficiários/as do Lote 38, ministrado pelo Biólogo/Apicultor Ricardo e serviu de motivação para o agricultor Adalgizio Ferreira, mais conhecido como ‘Dadá’, que participou da capacitação e cedeu sua caixa rústica para fazer a transferência para a caixa racional. Durante a atividade seu Dadá prestou bastante atenção e se mostrou bastante encantado com o processo, mencionando que iria multiplicar sua criação de abelhas. Dito e feito: a motivação de seu Dadá virou ação certeira!

Seu Dadá começou a construir suas próprias caixas, fazendo as transferências e multiplicando o número de colmeias. Hoje, depois de toda essa jornada de aprendizado e compartilhamento de boas práticas, ele tem por volta 13 caixas construídas e espalhadas em sua roça. Para o agricultor, essa é uma atividade muito importante: “eu pretendo aprender mais e no futuro tem uma renda extra com o mel, é bom demais mexer com abelhas, elas são sabidas demais e o mel é muito bom”, expressa seu Dadá.

Essas experiências servem para divulgar o potencial de práticas agroecológicas para melhoria das atividades no dia-dia dos agricultores/as locais. E mostrar que existem práticas agroecológicas que ajudam na melhoria da renda do agricultor/a, como também contribui para a preservação ambiental.

A implantação da atividade de meliponicultura na propriedade de Seu Dadá, após o dia de campo, contou com a orientação do Técnico Agrícola Marcos Tigre que acompanha o agricultor beneficiário da Ater/Bahiater – CEDASB. O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

Texto e imagens – Helena Paula Moraes  – Coordenadora Ater/Bahiater – Cedasb

Cisternas nas Escolas-CEDASB realiza IIº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido com professores/as de Mirante e Bom Jesus da Serra-BA

Foi realizado quarta (24) e quinta (25) da semana passada na cidade de Bom Jesus da Serra-BA, o IIº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido com os/as professores/as dos municípios de Mirante e Bom Jesus da Serra – BA, vindos/as das diversas comunidades escolares inseridas no Projeto Cisternas nas Escolas. E nesse segundo encontro de formação teve dinâmica de interação, troca de saberes e experiências, aprendizado e ensinamento, professores/as já colhendo alguns resultados de aulas contextualizadas e muita alegria e encantamento na visita ao Banco de Sementes Crioulas da comunidade de Bom Jesus de Cima.

Com uma bela e profunda mensagem de acolhida feita pela equipe da secretaria de educação de Bom Jesus da Serra a atividade teve início com um estudo em grupo. O aprofundamento sobre o processo educacional na perspectiva tradicional e conservadora serviu de base para a contraposição a esse molde, a partir de uma forma de educação libertadora e popular. Nos diversos grupos de reflexão, debate e depois na socialização em plenária, os/as professores/as apresentaram os resultados da discussão destacando pontos e contrapontos dessas duas vertentes da educação. E assim expressou a professora Beatriz da comunidade escolar do Areão (Mirante-BA) em uma de suas falas: “vimos aqui dois caminhos da educação, e diante disso percebemos essa urgente necessidade em disseminar essa educação libertadora que ajude o aluno a pensar por si próprio. Esse projeto cisternas nas escolas juntamente com a proposta da educação contextualizada nos ajuda a irmos na contramão desse modelo de educação tradicional que escraviza nossas comunidades”.

Outro momento marcante desse IIº Módulo foi a socialização das atividades realizadas com os alunos numa perspectiva contextualizada, a partir das diversas experiências compartilhadas no Iº Módulo realizado em Mirante. E os resultados foram surpreendentes, muita gente aprendendo e ensinando a partir do chão que se vive. Fazendo valer na prática o mais certo dos dizeres da sabedoria popular: “a educação não pode se dar ao luxo de ignorar o chão que se pisa”. E desse modo se procedeu as apresentações dos belíssimos resultados de algumas atividades desenvolvidas na prática com os alunos. Como foi o caso da Escola Jânio Quadros da comunidade do Gavião (Mirante), onde na região do maracujá, a velha história da “Chapeuzinho Vermelho” virou causo da “Chapeuzinho Amarelo”, causo esse que serviu de contexto de trabalho sobre o fruto do maracujá, sua nomenclatura, o processo de polinização pela abelha solitária, o Mangangá (abelha Mangangava), utilidades culinárias e benefícios à saúde. E no final disso tudo, nada de cesta de bolo, a chapeuzinho amarelo levou suco de maracujá para a vovozinha dela. Segundo a professora Lúcia, a turma toda se envolveu nessa trama, “onde acabou que os alunos não deixaram bater ou maltratar o lobo, pediram pra levar e soltar bem longe dentro da roça. Na abordagem dos temas sobre o maracujá todos estavam ligados e bem participativos”. Resultado também alcançado pelo professor Dorival da escola Tiradentes de Mirante, onde ele trabalhou com sua turma a palma como elemento de convivência com o semiárido. E no final de tudo a aula terminou com um belo e saboroso cortado de palma forrageira.

O segundo dia de atividade foi marcado pela visita ao Banco de Sementes dos Sonhos, na comunidade de Bom Jesus de Cima, que fica situado na propriedade dos guardiões Francisco (conhecido como “seu tico”) e Lourdes. Os/as professores/as conheceram as instalações e o funcionamento da casa de sementes e escutaram dos guardiões sobre as sementes crioulas e seu processo de resgate, estocagem e garantia de uma semente limpa e livre dos venenos. E diante da bonita e valiosa experiência dos/as agricultores/as experimentadores, Lourdes e Francisco, e de sua lida com as sementes crioulas, como trabalhar isso na vida da comunidade escolar de forma prática? O que aprender e levar ‘pras’ diversas realidades daquilo que foi visto e escutado desses educadores/as do semiárido? Dessas e outras indagações vieram palavras apuradas do sentimento extraído do coração ditas pelos/as professores/as ali presentes, que formaram a Peneira dos princípios e compromissos da educação contextualizada para a convivência com o Semiárido: “dedicação”, “esforço”, “luta”, “sementes da vida”, “semiárido vivo”, “sementes da educação”, “força feminina”, “valorização dos saberes”, “respeito à diversidade”, etc…

Por fim, mais um importante e significativo passo foi dado com a realização desse IIº Módulo, as sementes foram lançadas e já é possível vê-las germinarem no jardim do nosso semiárido. A atividade foi encerrada já na expectativa do IIIº e último módulo, que será realizado em Mirante já no mês de setembro. E por aqui seguimos nossa caminhada nos carreiros do nosso Sertão vivo e pulsante, cheio de vida e possibilidades.

Texto e imagens – Comunicação CEDASB

“Somos povo semente de uma nova nação” – Comunidade do Mandacaru de Cordeiros dá o primeiro passo no processo de resgate, estocagem e produção de sementes crioulas

Aconteceu no dia 22 de agosto de 2017 na comunidade Mandacaru no município de Cordeiros-BA, a Oficina de Capacitação sobre Banco de Sementes Crioulas, com os/as agricultores/as familiares beneficiários da Ater/Bahiater – CEDASB. Essa formação teve por objetivo, a criação de um Banco de Sementes tendo em vista, a estocagem e o resgate das sementes crioulas bem como, recuperar as tradições de cultivo características da comunidade local.

A realização dessa atividade de formação surgiu a partir do pedido feito por três agricultores/as da comunidade de Mandacaru: Alessandra Dias, Marta e José, que em março desse ano participaram de um Intercâmbio, no município de Bom Jesus da Serra-BA, onde visitaram a experiência do Banco de Sementes dos Sonhos na comunidade de Bom Jesus de Cima. Ficaram encantados com a experiência visitada, e com a grande variedade de sementes: resistentes e adaptadas ao clima, tudo sem uma gota de veneno. Perceberam a importância da organização e a participação das pessoas da comunidade e isso despertou neles/as, a vontade de levar a ideia para a comunidade do Mandacaru, assim como diz Alessandra: “isso é uma das maiores riquezas para as próximas gerações, um grande exemplo que fortalece e enriquece a comunidade, precisamos de um banco de sementes na nossa”.

Diante essa motivação e empenho da comunidade local, a atividade de formação foi realizada com sucesso. Foi conduzida pelas técnicas do Ater/Bahiater e foi um momento da comunidade resgatar o conhecimento e as origens das sementes produzidas pelos seus antepassados, mostrando a diferenças entre a semente crioula, sementes híbridas e sementes transgênicas. Além da tomada de ‘consciência’ dos agricultores, acerca dos riscos das sementes frente à adoção de agrotóxico.

Sabendo que as sementes crioulas são guardadas e conservadas para o ano seguinte. Estas são conservadas por várias gerações pelos agricultores e são, em grande parte, produzidas em bases agroecológica, diferentes por que não possuem agrotóxicos/veneno são nativas e resultam em uma alimentação mais saudável. As híbridas geram sementes não viáveis, impossibilitam o agricultor de utiliza-la no plantio seguinte, e por sua vez, as transgênicas são sementes modificadas geneticamente, sendo o milho uma espécie suscetível à polinização cruzada; o cruzamento de variedades tradicionais com transgênicas, além de hibridizar, gera plantas geneticamente alteradas, com anomalias ou incapazes de produzir sementes viáveis, comprometendo a diversidade das variedades tradicionais.

A busca pela soberania dos/as agricultores/as no resgate e segurança das sementes crioulas, guardar, cultivar, trocar suas sementes, conservação da biodiversidade, redução dos custos dando autonomia e promover a sustentabilidade da agricultura familiar através do fortalecimento do intercâmbio é o que levou a comunidade a optar por um banco de sementes. São os primeiros passos para a realização de um grande sonho da comunidade.

Texto e imagens – Maria do Carmo – Técnica Agrícola Ater Cedasb