Projetos em andamento

SEMENTE É CULTURA, LIBERDADE, PROTAGONISMO, SOBERANIA, SABERES E SABORES

Melquiades e Amâncio foram dois filhos de escravizados comprados ainda crianças numa feira livre do Rio de Janeiro por um casal da Bahia que não podia ter filhos. A data da vinda das crianças para essa região é até hoje desconhecida, tendo apenas uma ideia que a remete por volta do ano de 1816.

Melquiades até então era considerado o único fundador da comunidade que, tempos depois, o povo que descende dele reconheceu que Amâncio também foi fundador da comunidade ficando o nome atual de Lagoa de Melquiades e Amâncio.

Hoje, Melquiades e Amâncio continuam vivos na vida e na história do povo da comunidade. Eles foram homenageados com uma estrutura física, a casa de sementes que foi inaugurada neste final de semana nos dias 23 e 24/07/2016 na comunidade de Lagoa de Melquíades e Amâncio, pelo projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO que é gestado pelo CEDASB/ASA. “A casa levar esse nome é reconhecer a importância dos nossos antepassados”. Disse dona Rosa umas das Guardiãs da casa de sementes.

Num momento lindo eles fizeram questão de colocar à frente, no momento da abertura da casa de sementes, a matriarca da comunidade que é neta de Melquiades. Com 92 anos a mulher conhecida como Davina é considerada uma história viva da comunidade. Ela mantem sua casa sempre aberta às pessoas, uma compreensão e uma boa memoria é o que caracteriza sua personalidade.

Frutos da terra, enxada, foice, facão, símbolos camponeses de resistência e luta foram trazidos na caminhada mística até a casa, um momento celebrativo com a oração do Pai Nosso dos Trabalhadores. A casa aberta simbolizava o acolhimento, a alegria, o povo alegre, a dança, a ginga do povo de santo, a “mandinga” do povo preto e a sua cultura forte que resiste na luta.

“hoje eu dedico este momento a minha vó, mulher forte, neta de Melquiades nosso antepassado que chegou neste lugar criança, (os primeiros) é por causa dele que estamos aqui hoje”. Disse Tiago um dos representantes da comunidade e da casa de sementes.

A programação se estendeu durante a noite com as apresentações culturais. O Reisado com uma pitada de sincretismo, misturando o profano e o sagrado fez todo mundo sambar à melodia da gaita e batucada do tambor.

O Reisado é uma tradição na comunidade que com a vinda da casa de sementes “ta” sendo resgatado, “pra nós essa é uma casa aonde nós todos vamos se encontrar”. Disse seu Gilberto morador da comunidade e um dos guardiões da casa de sementes.

A Quadrilha Junina e a Capoeiragem com o professor Mestrando fecharam a noite com uma beleza de apresentação, mostrando a diversidade cultural da comunidade e a força da sua gente linda e forte.

Parabéns a todos e todas da comunidade pela linda festa e a CASA DE SEMENTES MELQUIADES E AMÂNCIO.

 

Por: Equipe de Comunicação.

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Sementes: princípio da vida

“No principio de todas as coisas era a água, e a água simbolizava a vida, Deus na sua imensa compaixão pela natureza viu que tudo isso era bom”.
“Mas no principio também era terra, e Deus vendo que tudo isso era bom, viu que a terra podia produzir erva verde e variedades de sementes” (Gn 1, 1.3;).

As sementes estavam no principio da vida…

Foi com esta narrativa mítica que demos início a mais uma atividade de inauguração das casas de sementes na comunidade Boa Vista, região de Maracás no dia 05 de julho de 2016. A mística inicial convidou a todos e todas para celebrar a cultura da gente do local, cantos fortes de resistência e luta ecoou na comunidade, enquanto eles nos ofertavam com uma riqueza cultural preservada de seu povo. Enquanto isso a semente, de forma mística, era jogada no chão e o povo com esperança lembrava as lutas da comunidade para conquistar uma casa de sementes; uma casa é sempre momento de acolher gente e gente com bom ânimo é sempre bom ter na luta como companheiros/as.

As sementes são a força do povo, de uma gente que quer ver suas culturas e tradições vivas, a batida do pilão simbolizava isso tudo; ecoou e subiu aos céus como preces, suas batidas nos remetiam a uma saudade onde as pessoas faziam com carinho suas labutas, sabendo que aquele som ecoou recantos no despertar de muita gente.
Enquanto isso, o som do Berimbau ressoou nos quatro cantos uma melodia, trazendo pra gente a resistência e a luta dos ancestrais (era canto de resistência). A criança presente pegou a semente e a jogou na terra, plantou ali seu futuro, mesmo sem entender, um dia irá lembrar aquele momento e que, terra, sementes são prioridades para ter garantia de vida nas comunidades e garantir o futuro.

O CEDASB tem uma dinâmica muito pedagógica na inauguração das casas de sementes, entendendo que é um momento cultural onde trabalha uma educação libertadora e contextualizada que envolve toda comunidade, mas, é também um momento politico, trazendo os anseios, as conquistas e as dificuldades para este momento das falas dos representantes, que eles entendem que é preciso de mais politicas publicas voltada para estas comunidades.

Assim, depois da mística a coordenação do projeto Sementes do Semiárido, representes de associações, governo municipal agradeceu o momento que, para eles a casa de sementes vem reforçar a luta dos camponeses, a luta de mulheres e homens nas comunidades e garantindo soberania alimentar, uma semente de qualidade e adaptada com o semiárido.

Paula, coordenadora do projeto na sua fala, disse que se sente alegre com a comunidade, porque em todas as comunidades que foram inauguradas as casas de sementes ouve um resgate cultural muito forte daquilo que estava perdido, que talvez se não fosse o trabalho pedagógico das capacitações com os monitores e o acompanhamento dos animadores essas coisas lindas poderiam se perder na historia da comunidade e se tornar esquecida. Ela completou, “a casa de sementes é para vocês guardarem as suas histórias e lutarem por elas para que não se percam”.

À tarde todos e todas foram fazer a visita no quintal de Dona Angelina, lá ela pode explicar porque cultiva tantas plantas medicinais e muitas flores no seu pequeno jardim no fundo da casa. Perguntas e respostas partilhadas nesse momento enriqueceu a visita que depois voltamos para uma pequena plenária onde todas e todos puderam falar e trocar experiências do que viu dentro do quintal agroecológico. Finalizamos o dia com o momento de celebração mística de inauguração da casa de sementes, em pedidos de preces a comunidade entoou o canto das criaturas de São Francisco de Assis pedindo a Deus e mãe natureza que mande chuva para plantar e ter boa colheita. Adentraram a casa com alegria cantando um reisado popular (Ô de casa, Ô de fora – Reisado a São José). Rosa, uma das coordenadoras da comunidade e da Casa de Sementes se emocionou com o momento de conquista e realização “não parece nada, mas para nós é muita coisa é a nossa vida e nossa história”, afirmou Rosa.

Ao final houve a tradicional troca de sementes entre as comunidades e as guardiãs e os guardiões das sementes que puderam levar muita diversidade para suas comunidades e casas de sementes.

Por: Equipe de Comunicação.

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P1+2 promove capacitação de Sistema Simplificado de Manejo de Água- SSMA nas comunidades Poços e Bom Jesus de Cima

O sol aponta lá no horizonte, o galo canta e a frecha de luz na janela de casa avisa que já é um novo dia. Mas os dias 12, 13 e 14 de julho foram diferentes dos outros, dias de trocar experiências, dias de capacitação. E fique sabendo que não foi qualquer capacitação, era aquela da água de comer, de produzir. Com o Sistema Simplificado de Manejo de Água- SSMA a agricultora e o agricultor vão cuidar melhor da tecnologia social, um bem que de tão bom tem tornado possível às famílias do campo guardar a água que cai do céu.

E essa alegria toda que aconteceu na comunidade Poços em Anagé/ BA e se estendeu até a comunidade de Bom Jesus de Cima em Bom Jesus da Serra/ BA, faz parte do projeto P1+2 que, sendo executado pelo CEDASB, visa atender não somente às regiões de Anagé e Bom Jesus da Serra, mas também Cândido Sales. É como Everaldo, monitor do SSMA costuma dizer “as capacitações são o momento em que a gente troca experiências e compreende a importância de administrar com respeito e responsabilidade a nossa terra. Basta apenas que observemos a natureza, pois ela nos ensina a viver”.

E como viver na roça significa pôr a mão na massa, ou melhor, na terra o agricultor e a agricultora que fazem o biogel, que montam os canteiros, que aprendem um pouco mais sobre controle de pragas e compostagem vão antecipadamente vislumbrando novas frutas para o pomar, uma variedade de hortaliças e repensando a criação dos animais; atividade que segundo Terêncio, técnico em agropecuária “é um trabalho diferenciado”.

E, somado a isso, a participação da juventude que assim como seus pais e avós também amam a terra e nela querem viver e produzir deixa tudo ainda mais lindo, torna tudo possível. E como a sabedoria não tem idade Marcos, estudante do 8º ano na Escola Família Agrícola de Anagé deu logo sua opinião “do tempo que cê tiver desmatando pra fazer roça, porque não faz uma agrofloresta? Você planta variedades de frutas, hortas, tudo num mesmo lugar. O resultado depois cê me diz, é terra boa, comida de qualidade e harmonia”.

Então é isso, no SSMA os participantes muito mais que ouvir estão lá para atuar, expor o  que pensam e fazer a diferença. São agricultores e agricultoras com “a” maiúsculo, seres de pura leveza e de uma alegria e força de vontade contagiante. Sendo assim, não é de se admirar que mesmo em face das intempéries do clima os veremos, daqui  um tempo, com um sorriso de canto a canto e com seus quintais coloridos de frutas, vegetais, legumes e tudo mais.

Por: Equipe de Comunicação.

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CEDASB e ISFA promovem inauguração da casa de sementes e intercâmbio intermunicipal na comunidade Onça

Foi sob o solo da cisterna calçadão e sob o toque da sanfona e violão que aconteceu na comunidade Onça em Manoel Vitorino/ BA, no dia 30 de junho, a inauguração da Casa de Sementes, executada pelo CEDASB através do Projeto Sementes do Semiárido e o Intercâmbio Intermunicipal do projeto Cisternas, executado pelo ISFA e que transcorreu no dia seguinte com visita à Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia-COOPROAF e visita à sede do ISFA em Manoel Vitorino.

O momento que era de comemoração reuniu agricultores e agricultoras de Manoel Vitorino e também de Planalto que, mas do que prestigiar o evento aproveitou para debater sobre a atual situação do país e o que isto significa para a agricultura familiar camponesa. Climério e Francisco, sócios fundadores do CEDASB e ISFA puxaram a conversa e no decorrer do tempo o povo também foi falando. É isso mesmo, a companheirada na roça está de ouvido em pé e, cada um a seu modo, está buscando saber das coisas que acontecem além da cerca e cancela de suas casas.

O agricultor e agricultora compreendem que só ter o chão não basta. Tanto isso é verdade que, falando a língua do semiárido, semiárido que na fala de Leandro, presidente do ISFA é “forte e repleto de oportunidades” é que agricultores e agricultoras dão valor às sementes do amor. Sementes que não só aliviam a fome, mas que carregam consigo as histórias de um povo, seus costumes e tradição. “Nós que foi criado na lida da terra vemos a casa de sementes como a realização de um sonho, ela é de nós todos e nós tem de zelar, pois, assim como as cisternas que vieram como uma benção da água e ajudaram a gente conquistar a casa de sementes, também a casa de sementes vai fazer com que a gente consiga muitas coisa” (Ilupércia- agricultora e moradora da comunidade Onça).

Quem também estava muito feliz com a casa de sementes era dona Vanda. Ela e o esposo Carisvaldo que doaram o espaço para a construção da casa de sementes e que, no dia da inauguração fizeram questão de organizar uma feira livre, repleta de produtos da terra e um Bingo em prol de arrecadar fundos para a casa de sementes estavam, juntamente com os filhos Anderson e Breno, numa alegria só. Muito emocionada a agricultora foi logo dizendo que “enquanto eu tiver aqui, essa casa de sementes vai tá sempre aberta. Nela nós não vai guardar só semente, mas nossa cultura, nossa tradição e a história de nosso povo”.

Corroborando da fala de dona Vanda e Ilupércia, o técnico em agropecuária Liomar, que acompanhou a comunidade Onça na construção da casa de sementes, disse que a felicidade pela construção da casa de sementes não era somente dos agricultores e agricultoras beneficiados nas comunidades “essa alegria também é minha, pois, na época de execução dos projetos sou bem recebido pelas famílias como se eu fosse parte dela e é por isso que a dedicação vale a pena. O projeto pode terminar, mas a amizade conquistada e a certeza de que eu fiz parte dessa conquista vai ficar pra sempre”.

O intercâmbio intermunicipal e a inauguração da casa de Sementes proporcionaram aos agricultores e agricultoras de Manoel Vitorino e Planalto não apenas um dia de festividade e troca de experiências, mas o desejo de pertença, de comunhão e de luta dia-a-dia, próprias do povo do semiárido!

                                                                                       Por: Equipe de Comunicação CEDASB.

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Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) / CEDASB promove momento de Formação com agricultores e agricultoras

“Nós agricultor nem sempre encontra tempo pra rever os amigos da comunidade e conversar sobre a lida do dia, as dificuldade e as coisas boas também. Daí quando acontece esses momentos de capacitação a gente se une e organiza as ideias de cada um sobre as melhoria que a gente pode fazer na roça, os programa voltado pros agricultores do campo e com isso a gente vê que pode conquista qualquer coisa se nós lutar junto” (seu Jesuíno F. dos Santos- Agricultor em Cândido Sales/BA).

Realidades como a de seu Jesuíno, morador da comunidade Bomba em Cândido Sales podem ser partilhadas por outros agricultores e agricultoras de diversas comunidades espalhadas pelo semiárido. São pessoas de luta e de força e mais ainda, veem no semiárido muitas possibilidades, lugar repleto de potencialidades. E é por isso que, independente da comunidade, em todos os encontros de formação a energia é sempre a mesma, desejo de melhorias, propostas interessantes e uma vontade imensa de trabalhar e viver na roça.

Cada agricultor e agricultora que participa das capacitações deixam um pouco de si e levam um pouco do outro. Nesse sentido é que o curso de Gestão de Água para Produção de Alimentos- GAPA, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), financiado pelo MDS e executado pelo CEDASB é planejado. Realizado nas comunidades de Bom Jesus da Serra/BA, Anagé/BA e Cândido Sales/BA, e atendendo a sessenta e nove (69) famílias, o curso visa despertar nos agricultores e agricultoras beneficiados a reflexão sobre a organização de suas propriedades e a troca de saberes e experiências sobre as práticas que cada um já desenvolve.

Como o GAPA é um dos requisitos para as famílias receberem as tecnologias sociais de convivência com o semiárido, o encontro é, segundo José Jorge, filho de agricultores e ministrante do curso em Anagé, na comunidade Caçote “mais um momento de construção coletiva do conhecimento em que as famílias trocam entre si experiências das mais diversas atividades por elas desenvolvidas, não apenas relacionadas à produção, mas também no resgate das tradições culturais e religiosas, respeitando e valorizando o vasto conhecimento empírico de todos os envolvidos. O encontro se torna ainda interessante por contar com a participação de jovens, crianças, adultos, idosos, homens e mulheres. Merece destaque a afirmação da militância nos movimentos sociais como MPA e ASA com melhor conhecimento da política institucional do CEDASB”.

Anacízio Xavier que também é filho de agricultores e ministrante do GAPA na comunidade Poços em Anagé foi ainda mais longe, para ele esses momentos de formação possibilitam uma viagem no tempo, “quando os agricultores e agricultoras começam a pensar juntos sobre o passado, presente e futuro da comunidade e, quando discutem sobre isso, eles conseguem perceber os erros e acertos cometidos por seus antepassados e com isso podem modificar sua própria realidade para construir um futuro melhor”.

Através do P1+2 os agricultores e agricultoras contemplados podem proporcionar às suas famílias a segurança alimentar e nutricional. Não bastasse isso, com o aumento da produção de alimentos a família pode aumentar a renda. Já é sabido que o povo do semiárido é forte e batalhador, logo, só precisa de oportunidades para provar que o semiárido assim como seu povo é resiliente e próspero!

                                                                                           Por: Equipe de comunicação CEDASB

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Capacitação Territorial sobre Seleção, Produção e Multiplicação de Sementes

Nos dias 12 e 13 de Maio, o projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO realizou a Capacitação Territorial sobre Seleção, Produção e Multiplicação de Sementes que teve por objetivo orientar agricultoras e agricultores multiplicadores, para a produção e multiplicação das sementes crioulas, adaptadas e varietais, armazenadas nas casas de sementes.

No encontro foram abordadas questões como a área a ser destinada para o plantio, conservação da agrobiodiversidade, sementes transgênicas e híbridas e manejo das sementes crioulas. Depois da verificação começou-se o plantio e este foi realizado numa área de multiplicação e variedades onde foram utilizadas as sementes crioulas dos próprios agricultores, dentre elas a semente de milho do agricultor/guardião, seu Ananias de Deus, que faz parte do Banco de Sementes Esperança e que possui muita sabedoria em multiplicar essa semente a mais de 20 anos, nomeada de milho “Amargoso”. Houve ainda a visita à propriedade do jovem Sérgio Trindade no Sitio Sul, que já vem adotando práticas e formas de plantio agroecológico, manejo sustentável e valorização da agrobiodiversidade e a diversidade de produção, habitações em bio-construção, reutilização e captação de águas, maior respeito com a natureza e redução de impactos, atividade que vem sendo articulada por meio de um grupo de atuação Núcleo de Permacultura do Bem – NUPEBEM.

No chão do nosso sertão o mapa da Bahia (utilizado como mística) possibilitou a construção coletiva de todos/as e a reflexão sobre a importância da terra que ainda está concentrada nas mãos de poucos. É muita terra para o agronegócio, as monoculturas (concentração que gera pobreza) e muita gente “sem terra” querendo ter terra para plantar e produzir alimento.

As sementes são os frutos das comunidades e, as casas de sementes são a forma estrutural de mantimento, pois a cada ano as sementes vêm com mais força, resistência, convivência com o semiárido, adaptadas ao local. Como patrimônio dos povos, como resgate de cultura, história, soberania, partilha e comunhão entre pessoas trazendo como foco a casa de sementes que é casa de educação, saberes e sabores. “casa nossa”, “casa de sonhos”, “casa da esperança” “casa flor do sertão”, “casa da divina providencia”, são tantos nomes que por si só já contam as histórias advindas das comunidades e que, de alguma forma, é a historia de seu povo. E essa reciprocidade não para por aí, pois nos espaços de intercâmbios os agricultores e agricultoras de diversas regiões e comunidade aproveitam para fazer as trocas, garantindo o resgate de sementes perdidas ao logo dos tempos. Além disso, nos intercâmbios surgem novas amizades e reencontro de companheiros e companheiras. Sobre isso seu Cordeiro destacou: “quando vejo este momento, que pra mim é forte, vejo todas e todos, guardiãs e os guardiões das sementes; isso me recorda do antigo testamento que dizia que a arca da aliança tinha dois protetores. E quem era? Dois guardiões, dois anjos que guardavam a todo tempo a arca, porque ali dentro da arca tinha algo muito importante, isso me refere à casa de sementes e vocês guardiãs e guardiões protegendo essas sementes”.

Ainda em sua fala Cordeiro nos apresentou a diversidade e a importância do plantio consociado, ou seja, plantar variedades num mesmo local, porque além de produzir alimento com fartura (muita coisa junta), também é uma forma de proteção para o solo, já que prolifera micro-organismos.

Como é possível perceber, as guardiãs e os guardiões são então os contadores de histórias e de vidas através das sementes, sementes essas que carregam a história de sua gente. Gente de resistência e luta. Logo, trocar sementes é quase um ritual. São também uma das formas de empoderar as comunidades.

Por Equipe de Comunicação CEDASB

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Guardiãs e guardiões das sementes tradicionais crioulas participam da capacitação em estocagem de sementes

“As sementes, como a CASA DE SEMENTES é e será sempre lugar de resgatar histórias e também lugar de contar histórias”. Essa afirmação que escutamos e que é uma beleza veio de uma das Guardiãs da casa de sementes da comunidade Poço da Pedra, região de Manoel Vitorino/BA.

Entre tantas escutas e conversações com os agricultores e agricultoras, os legítimos guardiões e as guardiãs, a comunidade tem discutido sobre o processo de formação da casa de sementes e na sua estocagem. A capacitação que aconteceu nos dias 27 e 28 de abril faz parte do Projeto Sementes do Semiárido e tem como objetivo a formação das comunidades e das guardiãs e guardiões das sementes tradicionais crioulas na convivência com o semiárido.

Por isso, resgatar é uma das palavras que mais se ouviram dentro das capacitações; resgatar sementes que estão perdidas para o fortalecimento da segurança alimentar das comunidades e não ficar refém de sementes contaminadas (as transgênicas). Tal ação auxilia no resgate à cultura das comunidades, às suas várias formas de celebrar suas festas (contexto histórico cultural), resgatar as pessoas no processo de construção comunitária (os mutirões), resgate histórico da vida do povo e seu contexto social na vida da comunidade (resgatar a história). Tudo isso gira em torno da casa de sementes que tem esse objetivo e que, além de levar formação e o espaço físico da casa, traz também a proposta de comunhão e coletividade de luta da vida dos nossos agricultores, agricultoras, guardiãs e os guardiões das nossas sementes no semiárido.

Ao final do encontro a comunidade escolheu por meio de votação o nome do banco de sementes que intitulado como Criô-melhor refere-se à semente crioula, sua qualidade de adaptação ao semiárido. O projeto Sementes do Semiárido é gestado pelo CEDASB/ASA.

Por Equipe de Comunicação CEDASB

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Capacitação em Estocagem de Sementes

As sementes que jogamos no chão são geradoras de vidas, quando cantamos que, “a semente é vida”, não estamos falando de coisas que dificultam o raciocínio humano. Todos sabem da função das sementes, a importância delas para uma comunidade que tem nas suas sementes uma forma de permanência, de manter o futuro.

Temos inimigo, quem são esses inimigos? Uma ameaça à soberania das sementes DA VIDA, DO AMOR, DA ESPERANÇA, DA PAIXÃO, DOS AVÓS, DA RESISTÊNCIA! “Os semeadores saíram todos para semearem e jogaram suas sementes em terra boa, estas cresceram e deram muitos frutos”. Foi com essa mística que demos inicio nos dias 07 e 08 de Abril, na comunidade de Lagoa Grande em Cândido Sales/ BA, a capacitação em gestão de estoques nos bancos/casas comunitários de sementes do projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO, projeto que é gestado pelo CEDASB/ASA.

A capacitação tem como prioridade e objetivo discutir o processo de formação do banco/casa de sementes e estocagem, garantindo que tenhamos sementes adaptadas com o clima, convivência com o semiárido e que gere segurança alimentar. Nos dois dias de capacitação a comunidade pode debater as várias formas de guardar as sementes, o contexto social e cultural da comunidade, politicas de acesso às sementes tradicionais/crioulas, vídeos sobre as experiências de agricultores/agricultoras, guardiãs/guardiões, das sementes, momento lúdico/dinâmico trabalhando os valores individuais e coletivos, seus objetivos, sonhos em comunhão trazendo a mística da solidariedade, resgate da variedade de sementes que a comunidade tem perdido nos últimos tempos e a forma como a comunidade, através do banco/casa de sementes, irá trabalhar o processo de resgate.

Ao final da capacitação a comunidade escolheu o nome do banco/casa de sementes. FLOR DO SERTÃO foi o nome escolhido pela comunidade, fazendo referências à beleza das flores do nosso sertão que fica mais lindo quando as “chuvaradas” caem.

Por Equipe de comunicação CEDASB

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CEDASBATER/BAHIATER REALIZA REUNIÃO COM PARCEIROS

O CEDASB ATER realizou na manhã de ontem (22), no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vitória da Conquista/BA, a reunião de articulação com os parceiros do município de Vitória da conquista. A reunião contou com a presença do coordenador do SETAF/BAHIATER que falou da importância dos parceiros para que a equipe do CEDASBATER/BAHIATER tenha um bom desenvolvimento e atue para fortalecer as famílias que serão atendidas. Ele ainda salientou sobre a preocupação que o governo e as organizações estão tendo quanto a este novo momento de atuação da assistência técnica e extensão rural que vem com uma proposta de transição agroecológica. Esse momento com os parceiros tem por objetivo, apresentar as propostas do projeto e definir estratégia de ações em conjunto e execução das atividades no município de Vitória da Conquista, que corresponde ao lote 39, e visa fortalecer as ações das ATER’s Cedasb com uma proposta de convivência com o semiárido.

Everaldo, presidente/diretor do Cedasb, fez uma apresentação do que é a instituição e como ela vem atuando dentro da região Sudoeste; comentou também sobre os projetos executados e os que estão em andamentos. Para Everaldo “os parceiros vêm fortalecer nossa atuação no campo, já que cada um que esteve presente tem suas especificidades de atuação”. Helena Paula, coordenadora do projeto, por sua vez afirmou que “os parceiros vêm para somar, já que é uma diversidade de gente com atuação em cada área especifica, desde especialistas em questões ambientais e pessoas que tem um olhar especial e cuidadoso na questão social com pessoas em situação de vulnerabilidade”.

Nesta reunião estiveram presentes agricultores/as, os parceiros (Sec. De Agricultura de Vitória da Conquista), (Sec. De Meio Ambiente), (Sindicato dos Trabalhadores Rurais), (Associação Poço Comprido), (Associação dos pequenos Produtores de Limeira), (Associação do distrito de Abelha), (Banco do Nordeste, agro amigo), (Car), (Fetag), (Conselho Tutelar Rural), (Nedet), (Consea de Vitória da Conquista) e (Inema), que durante o encontro fincaram um compromisso de atuar junto, visando estratégias de ação conjunta para a boa execução junto às comunidades e famílias que serão atendidas.

Por Equipe de Comunicação CEDASB

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Capacitação de Comunidades – Projeto Sementes do Semiárido

O projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO realizou nos dias 27, 28 e 29, nas comunidades de Mucuri, região de Boa Nova-BA e São José do Bomba, região de Cândido Sales-BA, as capacitações de comunidades. A capacitação junto ao projeto tem por objetivo a criação dos Bancos/Casas de sementes, a formação voltada para a convivência com o semiárido e o resgate das sementes tradicionais, Crioulas, dos Avós, da Esperança, da Gente e do Amor, como é chamada em cada região e lugar. Há dentro da dinâmica das capacitações além da orientação em torno das sementes, uma busca ao resgate cultural de cada comunidade. Isso fica visível na fala dos monitores que buscam focar a força da comunidade junto a sua historia e o seu contexto social, cultural e histórico.

Os Bancos/Casas de sementes tem essa ideia de a gente utilizar as sementes para dizer sobre as realidades de cada comunidade, elas são diversas e cada uma tem sua própria forma da condução e como será feito os Bancos/casas, logo vemos pela escolha do nome que é um momento lindo, rico e com muitas opções. Resgatar a historia das sementes é resgatar a vida das comunidades.

Mas existe uma ameaça. Esta é chamada de sementes transgênicas, as geneticamente modificadas. Quando perguntamos para os/as agricultores/as se alguém sabe o que é sementes transgênicas ou híbridas eles podem até não saber desse nome complicado, mas de forma popular aprenderam que são as chamadas sementes capadas, que nascem somente uma vez. “uma semente pode contar uma história”, disse dona Daís uma das coordenadoras da comunidade de São José do Bomba. Daís ainda nos relata que a vinda do projeto sementes pode resgatar coisas fundamentais que a comunidade tinha perdido, como exemplo os mutirões que nos últimos tempos a comunidade se esqueceu e que se tratava de um importante momento de comunhão.

Nas capacitações há três elementos fundamentais de discussões que são pautados de forma participativa pelos próprios agricultores/as. Primeiro: as sementes como elemento fundamental para a convivência com o semiárido, nisso tendo como base a segurança alimentar e a segurança de uma semente boa para o futuro; segundo: a importância da mulher no projeto, tendo-a como centro, a prior descobridora da agricultura e das sementes. Nesse contexto, a mulher é uma das bases na comunidade e ela é inserida nesse processo de formação e empoderamento, das suas lutas dentro de ambiente historicamente predominado por homens. Já o terceiro elemento de discussão foram os agrotóxicos, nesse sentido, as famílias/comunidades que são contempladas pelo o projeto são orientadas sobre os males dos agrotóxicos e os danos que eles trazem ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Aqui o projeto tem como base a agroecologia, o fortalecimento de uma produção orgânica, livre de venenos, sem que o agricultor/a fique refém desse modelo do veneno que chamamos modelo da morte.

O projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO é gestado pelo CEDASB/ASA e financiado pelo MDS e BNDES e atende trinta e seis (36) comunidades em doze (12) municípios, Anagé, Belo Campo, Boa Nova, Bom Jesus da Serra, Caetanos, Cândido Sales, Maracás, Manoel Vitorino, Mirante, Poções, Planalto e Vitória da Conquista, na região Sudoeste da Bahia e, todo seu esforço é para garantir a soberania das sementes tradicionais e a autonomia das famílias do semiárido.

Por: Equipe de Comunicação- CEDASB

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