OOO Maio | 2016 | Cedasb

Intercâmbio Intermunicipal e Inauguração da “Casa de Sementes dos Sonhos” na comunidade de Bom Jesus de Cima

Vindos/as de todos os cantos e lugares onde o Projeto Sementes do Semiárido/CEDASB atua, chegavam agricultores/as guardiões, animadores, monitoras e líderes de comunidades vizinhas e de outras regiões. Chegavam como que viera para uma Romaria das Sementes Crioulas, cujo lugar do encontro foi na Comunidade de Bom Jesus de Cima no município de Bom Jesus da Serra-Bahia nos dias 19 e 20 Maio 2016. Representações das 12 regiões onde o projeto atua: Maracás, Cândido Sales, Manoel Vitorino, Mirante, Planalto, Caetanos, Vitória da Conquista, Poções, Bom Jesus da Serra e Belo Campo, Anagé e Mirante. Produzir e compartilhar conhecimento no Intercambio Intermunicipal e inaugurar a primeira Casa de Sementes do Projeto executado pelo CEDASB foram as duas grandes motivações que reuniram esses/as agricultores/as das diversas comunidades por onde o Sementes do Semiárido/CEDASB está atuando.

Na mística de abertura a pergunta norteadora questionou os/as agricultores/as no silêncio do coração e ao som da natureza: O QUE VOCÊS TROUXERAM PARA ESSE INTERCÂMBIO?! Muitas foram as respostas, respondidas em um tom firme e com palavras certeiras: “EU TROUXE MINHA SEMENTE”(Cosme/Bom Jesus de Cima), “EU TROUXE O MEU CONHECIMENTO” (João Baeta/Capim de cheiro), “EU TROUXE O GRITO DE RESISTÊNCIA CONTRA AS SEMENTES COM VENENO” (Erisvalda/Quilombo de Mumbuca), “EU TROUXE A FORÇA E A LUTA DAS MULHERES” (Ailta/Bom Jesus de Cima)” e “EU TRAGO AQUI A FORÇA E A FÉ” (Laís/Maracás).

Assim iniciou-se o primeiro dia de atividade, com os/as agricultores e agricultoras visitando e trocando experiência na belíssima horta de dona Jessí, agricultora da localidade. Que acolheu a todos/as com muita alegria e satisfação: “aqui é conversa de agricultor/a pra agricultor/a, o importante é saber e colocar em comum nossos conhecimentos”, afirmou dona Jessí em sua fala. Logo após o bate papo entre os/as agricultores/as na horta, estes retornaram para o salão e partilharam de forma coletiva àquilo que mais chamou atenção durante o momento de intercambio na horta de dona Jessí. “Aquele momento na horta foi uma verdadeira aula de campo, em que não teve um professor, mas todos ali puderam aprender e ensinar uns aos outros”, afirma seu Ananias da comunidade Amargoso.

A Mesa da alimentação reúne as pessoas em seu entorno e elementos de fraternidade, comunhão e partilha. Além desses elementos, a mesa do almoço reuniu todos os presentes em torno de uma mesa farta de alimentos sadios. Que foram colhidos e oferecidos pelos lavradores e lavradoras da comunidade local, tudo produzido e colhido ali mesmo partilhados com muito amor e fraternidade.

Após o almoço todos os/as agricultores/as seguiram para um dos momentos mais esperados da caminhada do projeto: a solene inauguração da primeira Casa de Sementes Crioulas Comunitária do Projeto Sementes do Semiárido/CEDASB. Carinhosamente nominada pelos guardiões locais de Casa de Sementes dos Sonhos. A inauguração começou com uma breve celebração mística, que chamou atenção para a semente, como princípio místico de vida e de fartura. No silêncio do ambiente, marcado pelo por do Sol e ao som da batida de um velho pilão, agricultoras recitavam trechos de cordéis e dizeres poéticos que falavam das sementes que geram vida. E enquanto seguia a profunda batida do pilão, crianças semeavam entre os participantes, sementes puras ao som da proclamação da passagem bíblica do agricultor que saiu para semear. Ao final da mística foi rezada uma oração de bênção e uma cantiga que recordou a luta e a caminhada dos/as lavradores/as e seu amor para com as “Sementes da Verdade”. E ao ritmo dessa mesma cantiga, seguiu-se uma procissão das Sementes Crioulas com os agricultores/as carregando suas sementes, instrumentos da lida com a terra e objetos antigos que recordavam os costumes e tradições dos lavradores/as em direção à Casa de Sementes dos Sonhos, onde adentraram e abençoaram a primeira casa comunitária de Sementes. A festança seguiu noite adentro com uma animada noite cultural, que relembrou as danças e cantorias do sertão, onde todos/as participaram com danças e cantigas próprias de cada região ali representada.

No segundo dia aconteceu a apresentação detalhada do Banco de Sementes dos Sonhos. Seu Francisco, ou simplesmente seu “Tico” como é mais conhecido, mostrou aos agricultores/as visitantes cada parte da Casa, destacando a importância do trabalho em conjunto e da participação ativa dos de todos/as os/as envolvidos/as, principalmente os/as guardiões/ãs. Aconteceu também a troca/intercâmbio e comercialização de sementes da Casa dos Sonhos entre os/as agricultores/as, sementes extintas em determinadas regiões que foram resgatadas e reintroduzidas na cultura de cultivo das diversas comunidades envolvidas. Para encerrar o segundo dia do intercambio intermunicipal foi realizado o teste de transgenia com a semente do milho supostamente crioulo cultivada por seu “Tico”. E num clima de tensão e ansiedade confirmou-se a pureza da semente do milho estrada de ferro: genuinamente crioulo e livre de contaminação. Foi uma alegria só entre os agricultores, principalmente da parte de seu “Tico”, que em tom de orgulhou exclamou: “já acreditava em minha semente, e agora então com esse teste, tá confirmado: é pura é crioula, num tem veneno”.

E nesse clima de alegria, e já de saudade entre os/as agricultores/as o intercâmbio foi finalizado com uma mística e uma oração. Onde todos e todas assumiram o compromisso de ser a Semente da Vida que irá se multiplicar e produzir bons frutos em suas respectivas comunidades.

Núcleo de Comunicação CEDASB

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Capacitação Territorial sobre Seleção, Produção e Multiplicação de Sementes

Nos dias 12 e 13 de Maio, o projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO realizou a Capacitação Territorial sobre Seleção, Produção e Multiplicação de Sementes que teve por objetivo orientar agricultoras e agricultores multiplicadores, para a produção e multiplicação das sementes crioulas, adaptadas e varietais, armazenadas nas casas de sementes.

No encontro foram abordadas questões como a área a ser destinada para o plantio, conservação da agrobiodiversidade, sementes transgênicas e híbridas e manejo das sementes crioulas. Depois da verificação começou-se o plantio e este foi realizado numa área de multiplicação e variedades onde foram utilizadas as sementes crioulas dos próprios agricultores, dentre elas a semente de milho do agricultor/guardião, seu Ananias de Deus, que faz parte do Banco de Sementes Esperança e que possui muita sabedoria em multiplicar essa semente a mais de 20 anos, nomeada de milho “Amargoso”. Houve ainda a visita à propriedade do jovem Sérgio Trindade no Sitio Sul, que já vem adotando práticas e formas de plantio agroecológico, manejo sustentável e valorização da agrobiodiversidade e a diversidade de produção, habitações em bio-construção, reutilização e captação de águas, maior respeito com a natureza e redução de impactos, atividade que vem sendo articulada por meio de um grupo de atuação Núcleo de Permacultura do Bem – NUPEBEM.

No chão do nosso sertão o mapa da Bahia (utilizado como mística) possibilitou a construção coletiva de todos/as e a reflexão sobre a importância da terra que ainda está concentrada nas mãos de poucos. É muita terra para o agronegócio, as monoculturas (concentração que gera pobreza) e muita gente “sem terra” querendo ter terra para plantar e produzir alimento.

As sementes são os frutos das comunidades e, as casas de sementes são a forma estrutural de mantimento, pois a cada ano as sementes vêm com mais força, resistência, convivência com o semiárido, adaptadas ao local. Como patrimônio dos povos, como resgate de cultura, história, soberania, partilha e comunhão entre pessoas trazendo como foco a casa de sementes que é casa de educação, saberes e sabores. “casa nossa”, “casa de sonhos”, “casa da esperança” “casa flor do sertão”, “casa da divina providencia”, são tantos nomes que por si só já contam as histórias advindas das comunidades e que, de alguma forma, é a historia de seu povo. E essa reciprocidade não para por aí, pois nos espaços de intercâmbios os agricultores e agricultoras de diversas regiões e comunidade aproveitam para fazer as trocas, garantindo o resgate de sementes perdidas ao logo dos tempos. Além disso, nos intercâmbios surgem novas amizades e reencontro de companheiros e companheiras. Sobre isso seu Cordeiro destacou: “quando vejo este momento, que pra mim é forte, vejo todas e todos, guardiãs e os guardiões das sementes; isso me recorda do antigo testamento que dizia que a arca da aliança tinha dois protetores. E quem era? Dois guardiões, dois anjos que guardavam a todo tempo a arca, porque ali dentro da arca tinha algo muito importante, isso me refere à casa de sementes e vocês guardiãs e guardiões protegendo essas sementes”.

Ainda em sua fala Cordeiro nos apresentou a diversidade e a importância do plantio consociado, ou seja, plantar variedades num mesmo local, porque além de produzir alimento com fartura (muita coisa junta), também é uma forma de proteção para o solo, já que prolifera micro-organismos.

Como é possível perceber, as guardiãs e os guardiões são então os contadores de histórias e de vidas através das sementes, sementes essas que carregam a história de sua gente. Gente de resistência e luta. Logo, trocar sementes é quase um ritual. São também uma das formas de empoderar as comunidades.

Por Equipe de Comunicação CEDASB

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Homenagem às Mães

O CEDASB por meio desse pequeno vídeo vem homenagear todas as mães. As mamães que trabalham conosco, as mamães agricultoras desse nosso sertão e todas as mães, àquelas que estão conosco e àquelas que já estão no colo de Deus… Fica aqui a nossa singela homenagem! Um Feliz dia das Mães ! ! !