OOO junho | 2016 | Cedasb

Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) / CEDASB promove momento de Formação com agricultores e agricultoras

“Nós agricultor nem sempre encontra tempo pra rever os amigos da comunidade e conversar sobre a lida do dia, as dificuldade e as coisas boas também. Daí quando acontece esses momentos de capacitação a gente se une e organiza as ideias de cada um sobre as melhoria que a gente pode fazer na roça, os programa voltado pros agricultores do campo e com isso a gente vê que pode conquista qualquer coisa se nós lutar junto” (seu Jesuíno F. dos Santos- Agricultor em Cândido Sales/BA).

Realidades como a de seu Jesuíno, morador da comunidade Bomba em Cândido Sales podem ser partilhadas por outros agricultores e agricultoras de diversas comunidades espalhadas pelo semiárido. São pessoas de luta e de força e mais ainda, veem no semiárido muitas possibilidades, lugar repleto de potencialidades. E é por isso que, independente da comunidade, em todos os encontros de formação a energia é sempre a mesma, desejo de melhorias, propostas interessantes e uma vontade imensa de trabalhar e viver na roça.

Cada agricultor e agricultora que participa das capacitações deixam um pouco de si e levam um pouco do outro. Nesse sentido é que o curso de Gestão de Água para Produção de Alimentos- GAPA, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), financiado pelo MDS e executado pelo CEDASB é planejado. Realizado nas comunidades de Bom Jesus da Serra/BA, Anagé/BA e Cândido Sales/BA, e atendendo a sessenta e nove (69) famílias, o curso visa despertar nos agricultores e agricultoras beneficiados a reflexão sobre a organização de suas propriedades e a troca de saberes e experiências sobre as práticas que cada um já desenvolve.

Como o GAPA é um dos requisitos para as famílias receberem as tecnologias sociais de convivência com o semiárido, o encontro é, segundo José Jorge, filho de agricultores e ministrante do curso em Anagé, na comunidade Caçote “mais um momento de construção coletiva do conhecimento em que as famílias trocam entre si experiências das mais diversas atividades por elas desenvolvidas, não apenas relacionadas à produção, mas também no resgate das tradições culturais e religiosas, respeitando e valorizando o vasto conhecimento empírico de todos os envolvidos. O encontro se torna ainda interessante por contar com a participação de jovens, crianças, adultos, idosos, homens e mulheres. Merece destaque a afirmação da militância nos movimentos sociais como MPA e ASA com melhor conhecimento da política institucional do CEDASB”.

Anacízio Xavier que também é filho de agricultores e ministrante do GAPA na comunidade Poços em Anagé foi ainda mais longe, para ele esses momentos de formação possibilitam uma viagem no tempo, “quando os agricultores e agricultoras começam a pensar juntos sobre o passado, presente e futuro da comunidade e, quando discutem sobre isso, eles conseguem perceber os erros e acertos cometidos por seus antepassados e com isso podem modificar sua própria realidade para construir um futuro melhor”.

Através do P1+2 os agricultores e agricultoras contemplados podem proporcionar às suas famílias a segurança alimentar e nutricional. Não bastasse isso, com o aumento da produção de alimentos a família pode aumentar a renda. Já é sabido que o povo do semiárido é forte e batalhador, logo, só precisa de oportunidades para provar que o semiárido assim como seu povo é resiliente e próspero!

                                                                                           Por: Equipe de comunicação CEDASB

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CEDASB 10 anos – “lutando e acreditando em um Semiárido cheio de vida e repleto de possibilidades”

São 10 anos de história e caminhada juntos aos agricultores e agricultoras do Sertão do sudoeste baiano, sempre acreditando e lutando por um Semiárido cheio de vida e repleto de possibilidades. Essa foi a motivação fundamental para que nos dias 16 e 17 de Junho 2016, o Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia celebrasse seus 10 anos de existência e missão por essas terras sertanejas de Vitória da Conquista e região.

Sexta feira (17) foi o grande dia de celebrar solenemente os 10 anos de caminhada. E o dia já começou com a chegada e acolhida daqueles/as que são as pedras fundamentais em toda a existência e caminhada do CEDASB, os agricultores e agricultores das diversas regiões por onde o CEDASB atuou e atua. A animação e a alegria são marcas registradas do Cedasb, e motivos não faltaram para nos alegrar e fazer folia, enquanto os/as agricultores/as e demais convidados chegavam para a festa, a Banda “Remela de Gato” fazia a animação do povo, com músicas e cantorias que alegraram o coração e rememoravam o dia a dia do povo do Sertão. O evento aconteceu no Sítio Sul e começou com uma mística de abertura que apresentou a caminhada dos 10 anos do CEDASB, desde sua fundação em 11 de Maio de 2006 até os dias atuais. Textos poetizados, canções de luta e fatos que marcaram a caminhada, desde a lata d’água na cabeça até a chegada da “Boneca Branca do Sertão” marcaram a mística e retrataram toda a trajetória de 10 anos do Cedasb, e abriu com muita emoção o evento dos 10 anos.

Tendo iniciado solenemente o evento com a mística, as pessoas presentes puderam assistir a um vídeo comemorativo, que apresentou depoimentos de figuras que representaram todas as pessoas que ajudaram e ajudam a construir o CEDASB. Depoimentos de agricultoras/es, pedreiros cisterneiros, fundadores e sócios (as) fundadores (as), assim como o depoimento de Nadison representando a Asa Brasil. Após o vídeo formou-se uma mesa com variadas representações dos diversos segmentos sociais, comunitários, eclesiais e políticos: desde representações de comissões municipais do Cedasb/Asa, agricultoras/es, sindicatos e associações de diversos municípios do sudoeste baiano, representações do poder público local e de outras regiões, bem como nas instancias políticas estadual e federal, movimentos sociais, universidade (UESB), colaboradores e sócios do Cedasb, representantes da SDR e CAR e entidades parceiras, que também fizeram e fazem parte dos 10 anos de existência do Cedasb. Todas as representações da “Mesa” fizeram uma saudação por ocasião dos 10 anos e algumas proferiram uma breve fala sobre a importância das ações do Cedasb no processo de convivência com o Semiárido, como dona Ildete, agricultora da comunidade do Estreito do município de Caetanos/BA: “O Cedasb tem o rosto dos agricultores e agricultoras, carrega a nossa identidade, e é por isso que nós agricultores nos sentimos parte dos 10 anos do Cedasb”. Durante a “Mesa” de saudações, a representação do Território do Sudoeste anunciou oficialmente a doação de um caminhão baú que ficará sob a coordenação do Cedasb, que ficará a serviço da agricultura familiar no território. Junto com o caminhão, o Cedasb recebeu barracas via CAR e SDR, com o objetivo de estruturar a feira agroecológica que será promovida pela entidade em parceria com diversos agricultores/as, que poderão comercializar sua produção; produção essa, sadia e cheia de vida, livre dos venenos e transgênicos.

Com as saudações e falas por ocasião dos 10 anos, o evento teve prosseguimento com uma palestra magna com Naidison, que refletiu sobre a frase tema dos 10 anos do Cedasb: “lutando e acreditando por um Semiárido repleto de possibilidades”. “Vocês estão celebrando 10 anos de existência e honraram o compromisso junto aos agricultores/as, foram fiéis ao processo de convivência com o Semiárido, trazendo em vossas ações a identidade e o rosto dos agricultores/as…”, afirmou Naidison em sua fala durante o evento.

Já nas horas derradeiras da tarde e no despontar da noite, enquanto se fazia cantorias típicas do nosso Semiárido, foi partilhado o bolo comemorativo dos 10 anos. E posteriormente o “povão”, já em clima dos Santos festeiros: Santo Antônio, São João e São Pedro, puderam arrastar o pé com o forró da Banda “Remela de Gato” e de artistas regionais. E por aqui, seguimos nossa caminhada e missão, reafirmando nosso compromisso com os/as agricultores/as e com todo o processo de convivência, sempre ajudando nosso povo da cidade e principalmente do campo, a conviver com as adversidades e a beleza do nosso Sertão.

Texto e Imagens: Núcleo de Comunicação CEDASB

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CEDASB 10 anos – Retalhos de nossas memórias, expressões de nossa História

Os Vídeos (parte 1 e 2) apresentam em forma de depoimento, algumas expressões de quem fez e faz parte dos 10 anos de História de existência do CEDASB. Pessoas que representam outra gama de gente, que ajudaram a construir e ajudam a continuar essa caminhada/missão junto aos agricultores e agricultoras do nosso Semiárido. E por aqui continuamos sempre acreditando em um Semiárido cheio de vida e repleto de possibilidades.

 

 

Agricultores e agricultores participam de Intercâmbio do ATER/CEDASB- MDA.

As comunidades de Dantilândia e Corta Lote em Vitória da Conquista/ BA, receberam no dia 01/06/2016, agricultores e agricultoras de Lagoa de Melquides, localizada em Vitória da Conquista e das comunidades de Bom Jesus da Serra/ BA, Mumbuca, Aniceto, Olho D’agua, Canto e Bengo, para o Intercâmbio do Projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural-ATER.

A visita que ocorreu inicialmente na Cooperativa Mista Agropecuária de Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia LTDA- COOPASUB na comunidade Corta Lote proporcionou aos agricultores e agricultoras conhecerem as mais variadas técnicas de manejo rural da mandiocultura e a espécie mulatinha, Poti branco e Verdinha, mandiocas que segundo Luís, presidente da COOPASUB e Jackson, diretor comercial, têm se adaptado bem na região. De acordo com Anderson, Técnico em Agropecuária do projeto ATER, “o momento do intercâmbio é propício para a discussão de ações que melhorem ainda mais a vida do agricultor e agricultora no campo. Ninguém está falando nada novo, cada agricultor e agricultora aqui presente já sabe sobre o manejo e cuidado com a terra e conhece sobre as plantações. Contudo, é em momentos de formações como esses que a troca de experiências de fato acontece”.

Como o objetivo do ATER é a assistência técnica voltada para a agroecologia, temas como proteção do solo e modos de plantio são recorrentes. Sobre isso Erisvalda, Agricultora Formadora do projeto ATER e moradora da comunidade Mumbuca em Bom Jesus, ressaltou: “Minha gente, nós que somos da roça precisamos fazer a cobertura vegetal do solo e também fazer o plantio consorciado na roça. Isso é muito bom pra nós agricultores, pois, além de diminuir nosso trabalho também melhora o solo e evita que as pragas ataque nossas plantação”. Luís, presidente da COOPASUB lembrou ainda que tudo deve ser reaproveitado na roça, a exemplo citou o caso das folhas da manipueira que podem ser utilizadas na alimentação animal.

Depois de conhecer a roça de mandioca os agricultores, agricultoras e equipe técnica partiram para Dantilândia para conhecer a Casa de Farinha que gerenciada pela própria comunidade tem nos dado prova que com união, força de vontade e organização é possível conquistar qualquer coisa. Seu Jaci, ex-presidente da Casa de Farinha foi quem a apresentou para os visitantes. “Fundada nos anos de 1980, pela própria comunidade a casa de farinha produz por dia mais de 40 sacos de farinha. Todos os cooperados têm direito de fazer sua farinha na fábrica”. Seu Jaci também apresentou aos presentes o lugar de decantação da água da manipueira. Ele justificou que essa foi a saída que encontraram para evitar que a água escorresse para os quintais e provocasse o mal cheiro. Além de servir para todo o tipo de criação a água também pode ser utilizada como bem lembrou Abimael, Técnico em Agropecuária, para o controle biológico.

Por fim, os agricultores e agricultoras ao retornarem para a COOPASUB, conheceram o Complexo Industrial da Fecularia e Unidade de Empacotamento de Farinha de Mandioca.

Por: Equipe Comunicação CEDASB.

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IV Encontro Nacional de Agricultoras e as Agricultores Experimentadores acontecerá de 06 a 09 de Junho em Aracajú SE

Um intercâmbio intenso de suas práticas diárias agroecológicas, que envolve do manejo de sementes crioulas às soluções cotidianas em meio à diversidade do Semiárido. A rica cultura de saberes e sabores de povos da região semiárida será pauta do IV Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido, que tem como tema: “Guardiões da biodiversidade cultivando vidas e resistência no Semiárido”.  O evento reunirá 300 agricultores e agricultoras familiares dos nove estados do Nordeste e também de Minas Gerais, de territórios incluídos na região semiárida, de 06 a 09 de junho na sede do BANESE em Aracajú (SE).

O evento é promovido pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) uma rede formada por mais de três mil organizações envolvidas com as temáticas da agricultura familiar de base agroecológica e convivência com o Semiárido. O encontro tem como objetivos promover o intercâmbio de agricultores e agricultoras na produção e disseminação de conhecimentos e experiências para a convivência com o Semiárido e fortalecer e valorizar o papel das famílias agricultoras e de suas comunidades enquanto guardiãs de sementes crioulas, assim como das estratégias de gestão coletiva de sementes por meio das casas e bancos de sementes comunitários.

“Um encontro da magnitude do Encontro Nacional de Agricultores/as Experimentadores/as é um espaço de compartilhamento de experiências e para nós de Sergipe é uma satisfação muito grande receber pessoas de todo Semiárido brasileiro para celebrar as conquistas históricas, para denunciar as mazelas e para intercambiar as boas experiências que temos por aqui com as experiências que vem dos estados”, avalia o coordenador da ASA pelo estado de Sergipe, João Alexandre de Freitas Neto.

O coordenador ainda destaca que o encontro é o espaço para falar de quais ameaças os povos do Semiárido correm, a partir dos retrocessos embasados nos processos históricos das conquistas alcançadas.  As caravanas partem rumo à Sergipe na próxima semana. Da comunidade quilombola Vilão, do município de Massapê do Piauí (PI), o agricultor e apicultor Ailton José da Costa, vai levar a experiência adquirida com os agroecossistemas de sua propriedade. “Trabalho sem usar veneno. Planto abóbora, melancia, cheiro verde, tomate, feijão, milho. Crio também a abelha italiana e faço parte da Associação de Apicultores da Boa Vista. Quero adquirir novos conhecimentos neste encontro e levar minha identificação com a minha região”.

A programação do encontro contará com a feira de saberes e sabores “Agricultoras e agricultores experimentadores cultivando conhecimentos para a convivência com o Semiárido”; visitas de intercâmbio as regiões do Alto Sertão, Sertão Ocidental e do Médio Sertão, plenárias, oficinas temáticas, atividades culturais, feira de troca de sementes do Semiárido.

O encontro faz homenagem ao processo de luta e resistência do povo indígena Xokó, da comunidade Ilha de São Pedro, do município de Porta da Folha (SE). Esse povo foi oprimido por capuchinhos e jesuítas que queriam catequizá-los – o que levou a perda da identidade – e também por fazendeiros que os perseguiam com jagunços e os obrigavam a arrendar sua terras. Mesmo com todos os desafios a aldeia resistiu e lutou para conquistar o título de posse da terra – reconquistaram o território em 1993.

“A identidade Xokó por si só representa pra nós a luta e resistência e isso nos empolga bastante. Ter a participação dos indígenas no nosso encontro será algo imensurável no que concerne a sua representatividade. Teremos algo especial com a participação deles, inclusive com um espaço para exposição e comercialização das suas peças de artesanato”, explica Alexandre.

Visitas de intercâmbio – O segundo dia do encontro, dia 7, contará com as visitas para troca de experiências entre agricultores e agricultoras. Serão 24 visitas com participação das caravanas que vieram dos demais estados do Semiárido (Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Maranhão e Minas Gerais). As visitas aos povos do Semiárido sergipano abordarão temáticas como auto-organização de mulheres, o manejo do bioma da Caatinga, acesso à água, entre outros. Enquanto no terceiro dia, 8, ocorrerão as oficinas temáticas que debaterão temas como: água, criação animal, apicultura, beneficiamento, sementes, comercialização, etc.

A agricultora e coordenadora de mulheres do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras, Agricultores e Agricultores Familiares de Canindé (CE), Antônia Antonieta Santana da Silva, conta que a cada encontro que participa retorna mais fortalecida para o assentamento de Tiracanga, em Sertões do Canindé, onde mora. “Quando volto aos meus trabalhos de base faço o repasse para as companheiras e companheiros do sindicato. Conversar com pessoas que fazem o mesmo serviço que a gente é importante por que elas fazem de um outro jeito”, observa.

Texto e imagem – Asa Brasil

Sementes do Semiárido: Comunidade de Bom Jesus de Cima recebe intercâmbio de agricultores/as do Semiárido mineiro

 

 Terça feira da semana passada (24/05), a Comunidade de Bom Jesus de Cima no município de Bom Jesus da Serra-BA recebeu mais uma caravana de agricultores e agricultoras, vindos/as das regiões do norte de Minas dos municípios de Montes Claros (CAA-Centro de Agricultura Alternativa/MG) e Araçuaí (Cáritas/MG). Os/as Agricultores/as vieram com o objetivo de intercambiar conhecimento e conhecer as experiências da comunidade local com o cultivo e estocagem de Sementes Crioulas.

Esse intercâmbio, ‘Bahia-Minas’ tem toda uma história especial que demonstra na prática o valor e a importância dos agricultores e agricultoras do nosso Semiárido, em serem os protagonistas de sua própria história, assim como agentes transformadores em suas comunidades de origem. Veremos mais adiante, de forma direta o porquê dessa forte ligação e correlação entre o Banco de Sementes dos Sonhos da comunidade de Bom Jesus de Cima e o povo do semiárido mineiro.

Após a chegada e acolhimento dos/as agricultores/as chegantes, a primeira atividade do dia foi visitar à belíssima e “farturenta” horta de Jessí, onde os/as agricultores/as visitantes puderam “proziar” e trocar conhecimentos sobre a diversidade de hortaliças, verduras, plantas medicinais e ornamentais cultivadas em uma pequena área da propriedade de dona Jessí. E a proza foi de grande proveito, gente que se encantou com a diversidade de plantas cultivadas em um mesmo espaço, reencontro e resgate de ervas medicinais, que até então se perdera em diversas comunidades das regiões mineiras. Plantas ornamentais com diferentes nomes e expressões características de acordo à realidade e região de cada agricultor/as, e assim cada um/a expressou seu conhecimento e seu encantamento frente à diversidade contemplada na experiência ali visitada. Experiência essa, que Jessí fez questão de destacar: “boa parte de toda essa produção que vocês estão vendo aqui, terá como destino o armazenamento no nosso Banco Comunitário de Sementes. E cada lavrador aqui da comunidade sabe desse compromisso: é preciso separar parte da produção com a finalidade de guardar as sementes…”.

Na parte da tarde os/as agricultores/as se deslocaram para conhecer a Casa de Sementes dos Sonhos que fica na propriedade de seu Francisco, ou seu “Tico”, como é popularmente conhecido em toda a região. E lá seu Tico fez questão de coordenar e conduzir todo o momento, apresentando e explicando detalhadamente como toda essa bonita experiência com as Sementes crioulas começou. É aqui que está a intensa relação entre o Banco de Sementes da comunidade de Bom Jesus de Cima com o povo mineiro, pois no ano de 2012, dona Jessí foi designada a participar de um intercâmbio do P1+2 na região de Araçuaí/MG, e nesse mesmo intercâmbio ela conheceu uma Casa de Sementes e de lá trouxe algumas pequenas sementes, incluindo a ideia de poder implantar uma casa de sementes em sua comunidade.  “A Boa Semente” foi plantada e hoje, quatro anos depois, parte do mesmo povo que recebeu dona Jessí nas terras semiáridas do estado de minas vieram ver e conhecer o “fruto” colhido, resultado da pequena sementes trazida e plantada nas terras sertanejas da comunidade de Bom Jesus de Cima: a Casa de Sementes dos Sonhos.

Ao convite fraterno de seu “Tico”, em nome dos/as guardiões/as do Banco de Sementes dos Sonhos, os/as agricultores/as chegantes adentraram à casa de sementes e puderam conhecer e trocar conhecimento e sementes foi conversa de quem entendem da labuta e da importância de se ter uma semente pura e sem veneno. Na oportunidade foi lançado e entregue oficialmente o Boletim informativo “O Candeeiro”, que trouxe nessa edição o destaque para a importância dos mutirões para a construção dos Bancos de Sementes na região de Boa Nova e de Bom Jesus da Serra, de forma especial os diversos mutirões que ajudaram na construção da Casa de Sementes dos Sonhos.

Da parte dos/as agricultores/as guardiões da comunidade de Bom Jesus de Cima ficou o relato e o testemunho de que a semente da fartura é a mesma semente da esperança e da união, que germina e produz bons frutos que nos alimentam e nos dá vida. Da parte dos/as agricultores/as visitantes deixaram seu conhecimento e retornaram com a certeza da responsabilidade e missão de cada um e de todas as comunidades envolvidas, em cultivar esse sentimento de pertença e da contínua necessidade de caminharem juntos e numa mesma direção.

Texto e imagens: Núcleo de Comunicação Popular do CEDASB

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