Cisternas

Comunidade do Capão Verde em Barra do Choça- BA se reúne para a capacitação em GRH

Pense na alegria que é chegar numa comunidade e ver os idosos, os adultos e a criançada reunidos para participar da capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos- GRH! Pois então, isso aconteceu mesmo, lá para as bandas de Barra do Choça- BA, na comunidade do Capão Verde, entre os dias 25 e 26 de janeiro.

O Projeto Cisternas que é executado pelo CEDASB por meio do contrato firmado em parceria com o governo do estado da BA e financiado pelo MDS, tem a capacitação em GRH como um de seus requisitos para a aquisição da cisterna de 16 mil litros. Logo, o objetivo  do GRH é orientar e assegurar água de boa qualidade às famílias. Para isso, no encontro as conversas giraram em torno do uso consciente da água, seu controle e proteção. Também no encontro foram apresentadas a tecnologia que as famílias receberão e os cuidados necessários que cada um deve ter com sua cisterna.

E eita que a conversa se esticou, tinha agricultores lembrando-se da época dos avós, de como era o solo, as aguadas, o que plantavam e como faziam. Tudo simples, orgânico e com qualidade. E a quantidade das nascentes também era diferente, pois os agricultores e agricultoras desmatavam e queimavam menos. O momento foi também oportuno para lembrar a importância das mulheres no campo. E aí foi que deu pano pra manga!

Como se pode perceber, para além dos cuidados com as cisternas os encontros de GRH servem para tratar dos mais diversos assuntos, e tudo num entrosamento bacana, pois nesses espaços o respeito para com o outro é o que mais vale e assim, cada agricultor e agricultora vai colocando seu ponto de vista, e os meninos e meninas que estavam lá aprendem a valorizar a terra, a cuidar da água, a respeitar a aprender com os mais velhos; aprendem ainda a estimar as mulheres, trabalhadoras arretadas, doces e gentis. E mais, passam a sentir orgulho de ser e de viver na roça.

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CEDASB promove Encontros Territoriais do Projeto Cisternas e Cisternas nas Escolas

Entre os dias 10 e 11 de dezembro, o CEDASB por meio dos Projetos Cisterna e Cisternas nas Escolas realizou em Vitória da Conquista-BA, EncontrosTerritoriais. Nos eventos o debate sobre políticas públicas, reuso da água, segurança alimentar, educação contextualizada e autonomia foram algumas das temáticas que reuniu além de representantes do poder público de Vitória da Conquista, agricultores e agricultoras, professores e professoras também de Vitória da Conquista, de Belo Campo, Tremedal, Caetanos e Anagé. Geovane Rocha, representante do poder público que participou do Encontro Territorial do Projeto Cisternas, em uma de suas falas afirmou que “os projetos têm ajudado muito as famílias e agora com as cisternas nas escolas ficou ainda melhor”. Geovane ainda salientou que “onde a gente passa vê a felicidade do povo que tem sua cisterna de consumo e de produção e tudo porque há políticas públicas. Esses projetos também garantem a autonomia das famílias que moram nas roças, pois hoje não precisam mais sair de suas casas para poder trabalhar, a terra garante sua subsistência”. Seu Arlindo, agricultor experimentador de Belo Campo, que atentamente escutava cada comentário acrescentou ainda: “depois dessas políticas o pobre passa bem. Tem alface e todos os tipos de verduras na mesa”.

No Encontro organizado pelo Projeto Cisternas nas Escolas, por sua vez, Dona Vera, professora em Belo Campo em momento de discussão sobre educação contextualizada, defendeu que “com a chegada das cisternas nas escolas a qualidade das aulas é outra. Agora os alunos não correm mais o risco de ficar sem a merenda, pois as merendeiras não se aventuram ir a longas distâncias buscar lata d’água nas cabeças. Além disso, com a cisterna a comunidade tem participado mais ativamente do espaço escolar”.

Tanto no encontro promovido pelo Projeto Cisternas, quanto no encontro promovido pelo Projeto Cisternas nas Escolas, as discussões giraram em torno da luta pela dignidade. E esta é de todos que moram no semiárido, independente da raça, poder econômico ou atividade que desempenhe. Assim, é possível perceber que os desejos comuns a agricultores (as), professores (as), não estão distantes. Mais que isso, tais encontros servem para o fortalecimento dos ideais que construídos dia-a-dia são, nesses momentos de capacitação, ressignificados e fortalecidos coletivamente.

Por: Equipe de Comunicação CEDASB & ISFA

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Educadores participam do II Módulo em Educação Contextualizada em Caetanos/BA

Semana passada, nos dias 17 e 18 Setembro 2015, professores/as das diversas escolas envolvidas no projeto Cisternas nas Escolas do município de Caetanos BA, participaram do II Módulo em Educação Contextualizada. Foram dois dias de intensa troca e produção de conhecimento, de muitas cirandas, cantorias e “proziados” que lembraram as tradições, os costumes e toda riqueza cultural do nosso Semiárido. A atividade contou também, com a presença marcante e participativa de Maria Aparecida, mais conhecida como “Cidinha”, representante da ASA/AP1MC, que acompanha as diversas entidades executoras do Projeto Cisterna nas Escolas na Bahia.

A professora Isaulina (mais conhecida como “Zau”), que é professora há mais de 20 anos e, atualmente leciona na Comunidade Curral do Meio, diz que participar de momentos de formação como esse, “é uma grande oportunidade de renovar e somar forças para conquistar uma educação que se desenvolva a partir da realidade de nossa região”. No embalo dessa fala, o professor Marcos, da Comunidade Tanque Formoso, afirma que, “com a chegada desse projeto, de uma coisa tenho certeza: de agora em diante não ficaremos mais sem ter aula por falta d’água, e mais que isso, esse projeto amplia nossa visão de mundo e de educação, pois podemos aprender usando nosso sertão como uma grande sala aula”.

Observando as reflexões, discussões e depoimentos dos professores/as, “Cidinha” destacou a importância e o papel do/a educador/a frente aos desafios educacionais nas escolas da zona rural do Semiárido: “é preciso caminhar na contramão de um modelo de educação, que não se tem a menor preocupação em educar respeitando a realidade, é preciso mostrar as possibilidades de uma educação voltada para a nossa realidade [para a realidade das comunidades de vocês]; e nunca perdermos de vista, nossas tradições, práticas e costumes”. A professora Adriana, da comunidade das “Marotas”, alertando sobre a importância em assumir e preservar as raízes e histórias das comunidades, afirma: “se a gente não se atentar pra contarmos nossa própria história, corremos o risco de outras pessoas falarem pela gente…”

Entre discussões, cantorias e cirandas os professores e professoras divididos em grupos de discussão, construíram e apresentaram um plano de aula utilizando-se dos elementos característicos do Semiárido: sua fauna, flora, costumes e tradições específicas de cada localidade onde estão situadas as diversas comunidades escolares. Além de compartilhar esses planos de aulas entre os professores e professoras participantes desse II módulo, a equipe do projeto pretende socializar/ ‘acessibilizar’ esses e demais planos já produzidos em outros municípios, pra outros professores e professoras dos demais municípios onde o ‘Cisternas nas Escolas’ esta atuando.

E assim, mais um importante passo foi dado em mais um módulo realizado com sucesso e construído coletivamente, com a participação ativa desses Agentes Transformadores (educadores/as) no nosso Semiárido. Passo esse, de uma caminhada em que, todos nos tornamos responsáveis diretos na construção desse Semiárido que sonhamos, em que todos tenham voz e vez. Cada vez mais, ampliando a resistência e fortalecendo a convivência em nosso Semiárido.