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“Edivera, a chuva das águas chegou!”

Aí a chuva das águas vai se achegando, ora no ‘morrer da tarde’, ora na “boca da noite”. E quando o dia amanhece é aquele esparramo de alegria, tudo florido, a sabiá puxa a cantoria no pé de quiabento junto com o restante da passarada e aquilo que parecia adormecido ou até mesmo “morto” ressuscita “ligerim” com as águas do céus! É preciso viver por aqui pelas bandas de cá, pra poder ver e sentir esse acordar da natureza!
Bem que dona cigarra tava avisando dias atras, naquela “quinturona”, dum calor abafado que chegava dá uma giriza na gente! Bem que dona Lió falava do varandal sobre uns raios de sol por entre umas barras de nuvens, que pra ela e sua sabedoria dizia de forma firme: “logo, logo chega a chuva das águas”!
“Edivera”, olha as chuvas das águas chegando aqui pelos lados de cá das caatingas e da mata. Matando a sede que mata e revelando o verde da vida. Os bichos do mato gritam nas serras e a gente escuta cá nos boqueirões baixadas, como se agradecessem a Deus pelas águas choradas em nosso sertão. E o povão dando e recebendo as noticias das quebradas do sertão: “e aí cumade, choveu aí? ahh cumpade, choveu que chega os tanque e cisternas sangrou” ! ! !
Ó Deus e divindades guardiãs da natureza, que essa nossa alegria pela caída da chuva que é o sangue da terra e gera vida, seja uma prece de agradecimento por dádiva tão graciosa! A natureza se alegra e nós, seres criados e ajuntados a essa criação nos alegramos e te pedimos todas as graças e Bênçãos dos céus!

Texto e imagens – comunicação CEDASB

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