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“Somos povo semente de uma nova nação” – Comunidade do Mandacaru de Cordeiros dá o primeiro passo no processo de resgate, estocagem e produção de sementes crioulas

Aconteceu no dia 22 de agosto de 2017 na comunidade Mandacaru no município de Cordeiros-BA, a Oficina de Capacitação sobre Banco de Sementes Crioulas, com os/as agricultores/as familiares beneficiários da Ater/Bahiater – CEDASB. Essa formação teve por objetivo, a criação de um Banco de Sementes tendo em vista, a estocagem e o resgate das sementes crioulas bem como, recuperar as tradições de cultivo características da comunidade local.

A realização dessa atividade de formação surgiu a partir do pedido feito por três agricultores/as da comunidade de Mandacaru: Alessandra Dias, Marta e José, que em março desse ano participaram de um Intercâmbio, no município de Bom Jesus da Serra-BA, onde visitaram a experiência do Banco de Sementes dos Sonhos na comunidade de Bom Jesus de Cima. Ficaram encantados com a experiência visitada, e com a grande variedade de sementes: resistentes e adaptadas ao clima, tudo sem uma gota de veneno. Perceberam a importância da organização e a participação das pessoas da comunidade e isso despertou neles/as, a vontade de levar a ideia para a comunidade do Mandacaru, assim como diz Alessandra: “isso é uma das maiores riquezas para as próximas gerações, um grande exemplo que fortalece e enriquece a comunidade, precisamos de um banco de sementes na nossa”.

Diante essa motivação e empenho da comunidade local, a atividade de formação foi realizada com sucesso. Foi conduzida pelas técnicas do Ater/Bahiater e foi um momento da comunidade resgatar o conhecimento e as origens das sementes produzidas pelos seus antepassados, mostrando a diferenças entre a semente crioula, sementes híbridas e sementes transgênicas. Além da tomada de ‘consciência’ dos agricultores, acerca dos riscos das sementes frente à adoção de agrotóxico.

Sabendo que as sementes crioulas são guardadas e conservadas para o ano seguinte. Estas são conservadas por várias gerações pelos agricultores e são, em grande parte, produzidas em bases agroecológica, diferentes por que não possuem agrotóxicos/veneno são nativas e resultam em uma alimentação mais saudável. As híbridas geram sementes não viáveis, impossibilitam o agricultor de utiliza-la no plantio seguinte, e por sua vez, as transgênicas são sementes modificadas geneticamente, sendo o milho uma espécie suscetível à polinização cruzada; o cruzamento de variedades tradicionais com transgênicas, além de hibridizar, gera plantas geneticamente alteradas, com anomalias ou incapazes de produzir sementes viáveis, comprometendo a diversidade das variedades tradicionais.

A busca pela soberania dos/as agricultores/as no resgate e segurança das sementes crioulas, guardar, cultivar, trocar suas sementes, conservação da biodiversidade, redução dos custos dando autonomia e promover a sustentabilidade da agricultura familiar através do fortalecimento do intercâmbio é o que levou a comunidade a optar por um banco de sementes. São os primeiros passos para a realização de um grande sonho da comunidade.

Texto e imagens – Maria do Carmo – Técnica Agrícola Ater Cedasb

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