A cisterna calçadão é uma tecnologia social de captação e armazenamento de água da chuva muito utilizada no semiárido para garantir segurança hídrica e produção de alimentos, especialmente nos períodos de seca. Com capacidade para 52 mil litros, esta cisterna é um reservatório de água construído com placas de cimento que, diferente da cisterna de consumo, utiliza um calçadão sobre o solo. Esse calçadão funciona como uma área impermeável para captar a água da chuva com maior eficiência e possui um coletor/decantador para reter sujeiras antes da água entrar na cisterna.

O animador técnico Marcos Moreira ainda ressaltou que “o buraco tem que ficar 1,80m de profundidade e 8m de largura. Após a escavação, a família entra no processo de limpeza do buraco tirando toda a terra para que, quando o pedreiro vier para a construção, já esteja tudo ok e ele possa realizar o serviço dele.”

Essa tecnologia potencializa quintais produtivos, ajuda na criação de pequenos animais, garantindo água nos períodos de estiagem, e possibilita a irrigação. Neste projeto executado pelo Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (Cedasb) através do Projeto Mais Água para Produção, em parceria com o Governo do Estado da Bahia através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), 75 famílias de comunidades rurais terão acesso a cisterna calçadão, sendo que já foram entregues 50 cisternas nos municípios de Mirante e Ribeirão do Largo e serão entregues mais 25 cisternas em Anagé.

Foto: Agricultores Flávio e Emilaine junto ao animador técnico Marcos Moreira no processo de limpeza da cisterna calçadão.

“E a gente com a chegada da cisterna, a gente está muito feliz porque agora a gente pode ter certeza que a gente pode construir mais coisa, não só sonhar. Hoje a gente pode ter um pouco mais de água e a gente agradece muito porque quer quem quer produzir tem que ter água. Água é vida, né? E com essa benção que ta chegando aqui pra gente, só vai ser garantia de progresso, né?”. – disse o agricultor familiar Flávio José da Silva, da comunidade Campo da Volta em Mirante, Bahia.

Foto: Nara Carvalho Santos no momento de entrega dos materiais e insumos do caráter produtivo.

Para receber essa tecnologia social, as famílias participam da mobilização e, depois, passam pelas capacitações de Gestão Da Água Para a Produção De Alimentos (GAPA) e de Sistema Simplificado De Manejo De Água Para a Produção (SISMA). Ambos apresentam a importância do uso racional de água da cisterna, bem como receitas de alimentação alternativa e de biofertilizantes.

Além disso, são disponibilizados materiais previstos no projeto para a criação de pequenos animais, a partir da escolha realizada pela própria família. Na imagem acima, Nara Carvalho Santos foi uma das agricultoras que receberam a cisterna calçadão em Ribeirão do Largo. Ela optou por receber o galinheiro, junto a tecnologia e, por isso, recebeu tela, mourões, caixa d’água, bebedouro e comedouro, além de outros materiais e insumos que você vê na imagem.

Ter acesso a cisterna calçadão é garantir que a atual e as futuras gerações possam viver com dignidade crescendo e colhendo a riqueza do campo, valorizando a participação das mulheres e dos jovens nas ações comunitárias e buscando autonomia para viver melhor.

*Na primeira foto, temos Daniel Pinheiro da Paixão da comunidade Gente que faz, município de Ribeirão do Largo (BA), durante recebimento da cisterna calçadão.

Texto: Ingrid Costa e Lucilene Rosário.