“Uma história construída por gente”. Esse não foi apenas o tema celebrativo dos 20 anos do Cedasb, mas a força motriz que conduziu toda a nossa trajetória.
Nos dias 14 e 15 de maio, celebramos duas décadas de história junto com associados e associadas; trabalhadores e trabalhadoras; agricultores e agricultoras familiares; parceiros institucionais; organizações sociais; sindicatos; representantes do poder público municipal, estadual e federal; movimentos sociais; universidades e tantas pessoas que ajudaram a construir essa caminhada.
Foram dois dias marcados por encontros, memória, espiritualidade, cultura, debates e, sobretudo, pelo reconhecimento de que nenhuma transformação acontece sozinha.
Mais do que celebrar uma instituição, celebramos pessoas.
Uma história que nasceu do coletivo
Ao longo da celebração, uma palavra esteve presente em praticamente todas as falas: construção coletiva.
O presidente do Cedasb, Jozimar Basoni, relembrou que o Cedasb não nasceu de forma espontânea, mas foi resultado de uma longa construção coletiva, fruto de encontros, sonhos e organizações comprometidas com a agricultura familiar e com a convivência com o Semiárido.
“O Cedasb não nasceu de um dia para o outro. Foi uma longa gestação. Nasceu do encontro entre pessoas que acreditavam que era possível construir outro jeito de viver, produzir e conviver com o Semiárido.”
Ao longo desses 20 anos, o Cedasb foi ampliando sua atuação, fortalecendo comunidades, apoiando processos organizativos, construindo tecnologias sociais, implementando políticas públicas e contribuindo para melhorar a qualidade de vida de milhares de famílias agricultoras.
Celebrar o Cedasb é celebrar políticas públicas e transformação social
Diversas falas reforçaram que os 20 anos do Cedasb também representam duas décadas de defesa da agricultura familiar, da agroecologia, do acesso à água, da segurança alimentar e da construção de políticas públicas.
Ao longo da mesa de abertura, parlamentares, organizações parceiras e movimentos sociais reforçaram que o Cedasb se tornou referência pela forma como constrói processos participativos, fortalece redes e atua nos espaços de incidência política.
A agricultura familiar, a convivência com o Semiárido, as mulheres do campo, as juventudes rurais, o acesso à água, as sementes crioulas e a produção agroecológica apareceram não apenas como temas, mas como parte concreta desta trajetória.
Representando o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e o Fórum Baiano da Agricultura Familiar (FBAF), Célia Firmo destacou que a força das organizações da agricultura familiar está no compromisso coletivo com a transformação da realidade das populações do campo.
“Nós não estamos aqui simplesmente para executar contratos. Estamos aqui para cumprir uma missão, uma missão que nasce de uma matriz cristã: contribuir para a melhoria da vida do próximo. Ninguém se junta sem motivação. Não existe criação de uma rede, de um espaço, se não tiver algo que motive essas pessoas a estarem ali. A motivação vai na transformação de uma sociedade. E é isso que nos motiva a continuar lutando.”
Representando a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Kamilla Ferreira destacou a importância das políticas públicas de acesso à água, da assistência técnica e do fortalecimento da agricultura familiar para a transformação da vida das famílias do Semiárido. Em sua mensagem ao Cedasb, ela reconheceu a contribuição da instituição para a promoção da dignidade, da segurança alimentar e do fortalecimento das mulheres rurais.
“Como cristã, lembro da passagem bíblica em João 10:10: “Que vocês tenham vida, e vida em abundância”. E é isso que eu desejo ao CEDASB: que vocês tenham vida em abundância. Que vocês continuem disseminando o bem por onde passam, levando dignidade, qualidade de vida e fortalecendo a autoestima das mulheres, porque o que vocês fazem é um movimento muito bonito e profundamente transformador. Esse movimento merece vida e vida em abundância. Que vocês sigam tendo uma trajetória de transformação, porque fazem a diferença não apenas no território do sudoeste baiano, mas também nos espaços de participação social, nos conselhos e nos processos de construção das políticas públicas.”
Representando a Terre des Hommes Schweiz, Júlia Garcia destacou que, mesmo sendo uma parceria recente, o CEDASB já demonstra valores que vão além da execução de projetos. Em sua fala, ela ressaltou a capacidade de acolhimento, solidariedade e compromisso com os direitos humanos que marcam a atuação da instituição, reconhecendo que essas características também são “tecnologias sociais” essenciais para a transformação dos territórios e das pessoas.
“Eu aprendi com vocês que a principal tecnologia social dos povos é a solidariedade. E o CEDASB tem isso de sobra. A gente aprende com vocês o verdadeiro significado de acolhimento. Esse cuidado não é apenas com uma pessoa. É um cuidado com um povo. É um compromisso com a defesa dos direitos, da participação popular e da construção de um mundo mais humano.”
Histórias que transformam vidas
Entre os momentos mais emocionantes da celebração estiveram as falas de agricultoras, agricultores e parceiros que relembraram o impacto concreto das ações construídas nesses 20 anos.
Dona Clemência, agricultora da comunidade Sobrado, em Encruzilhada, lembrou como o acesso à água mudou a vida das mulheres do Semiárido.
“A cisterna veio para retirar toda a dificuldade. Antes as crianças não tinham tempo nem para estudar direito porque precisavam buscar água. Hoje só temos que parabenizar todo trabalho realizado nesses anos.”
Sócia fundadora do Cedasb e agricultora familiar do município de Cândido Sales, Telma Amorim recordou a trajetória da instituição e as transformações promovidas na vida das famílias agricultoras ao longo dessas duas décadas. Em sua fala, destacou a importância de reconhecer as pessoas que contribuíram para a construção dessa história e ressaltou o compromisso do Cedasb com a transformação da vida no campo.
“O prazer de fazer parte dessa entidade não é apenas por ser sócia fundadora, mas pelas mudanças que aconteceram na vida das agricultoras e dos agricultores familiares. Nós sabemos que o CEDASB está do tamanho que está hoje por causa de uma gestão responsável, preocupada em saber se a vida das pessoas está sendo transformada. Que venham mais 20 anos de amor pela agricultura familiar.”
Também foram lembradas as inúmeras famílias que, ao longo da caminhada, conquistaram acesso à água, assistência técnica, documentação, produção agroecológica, geração de renda e participação em políticas públicas.
São histórias que ajudam a explicar porque o Cedasb ultrapassa a dimensão institucional.

Cícero Felix, Diretor Presidente da Articulação Semiárido Brasileiro, na mesa de abertura dos 20 anos do Cedasb.
Cultura, identidade e celebração das raízes do Semiárido
A celebração dos 20 anos foi enriquecida por intervenções culturais e poéticas protagonizadas por Agnaldo Rocha, Eliane Almeida e Vanderleia Carneiro, que compartilharam poemas e reflexões inspiradas nas vivências do campo, na luta dos agricultores e agricultoras familiares, na esperança e na força das comunidades. As declamações contribuíram para transformar a comemoração em um espaço de afeto, memória e reconhecimento das pessoas que constroem diariamente essa história.
A noite do primeiro dia foi marcada por muita cultura, música e valorização das tradições populares do campo. A programação começou com a apresentação do Forró de Sanfona e do Terno de Reis (Reisado) da Comunidade Poço Cumprido, de Vitória da Conquista, que encantou os participantes com músicas, cantorias e manifestações culturais passadas de geração em geração. A apresentação mostrou a riqueza da cultura popular e a importância de manter vivas as tradições das comunidades rurais.
Encerrando a programação cultural, os cantores Hélio Marinho Katingueirinho e Aroldo Brasil animaram o público com muito forró, proporcionando um momento de confraternização, dança e celebração coletiva. Entre músicas, encontros e reencontros, a noite reafirmou que a cultura é parte fundamental dos processos de resistência, organização social e valorização da vida no Semiárido.
Mais do que apresentações artísticas, os momentos culturais celebraram as pessoas, os saberes populares e as tradições que fazem parte da história do CEDASB e da agricultura familiar.

Forró de Sanfona e do Terno de Reis (Reisado) da Comunidade Poço Cumprido, de Vitória da Conquista; e os cantores Katingueirinho e Aroldo Brasil.
Fé, espiritualidade e memória.
A Missa Solene, ministrada pelo Padre Heber, tornou o momento ainda mais especial para todos(as) que fazem parte desta trajetória. Ex-funcionário e associado, Padre Heber representa parte viva da história construída ao longo dessas duas décadas. A celebração religiosa foi também um momento de reencontro com valores que ajudaram a sustentar a caminhada do CEDASB: solidariedade, compromisso com a vida, esperança e serviço ao próximo.
Em meio às orações e cantos, o sentimento compartilhado era de gratidão pela trajetória construída coletivamente e pelo caminho que continua sendo percorrido.
A celebração dos 20 anos se encerrou da forma como essa história foi construída desde o início: reunindo pessoas, fortalecendo vínculos e renovando o compromisso coletivo de continuar construindo esperança nos territórios.
Jozimar resumiu aquilo que talvez melhor represente a trajetória construída até aqui:
“O CEDASB é um jeito de ser. E o jeito CEDASB é um jeito de construir esperança junto com as pessoas.”
Seguimos.
Porque algumas histórias não cabem em uma data.
Cabem em uma caminhada.
CEDASB 20 anos: uma história construída por gente.
Acesse as fotos da celebração dos 20 anos do Cedasb:
Clique aqui!
Texto por Jacqueline Viana Imagens: Núcleo de Comunicação do Cedasb e Fotógrafo Igor Chaves










