O Barreiro-Trincheira é uma tecnologia social de convivência com o semiárido que consiste em uma escavação profunda e estreita para captar e armazenar água da chuva, reduzindo o alcance do sol no espelho d’água e diminuindo drasticamente a evaporação.
“O barreiro-trincheira com a capacidade de 500m³ sendo 6-7 metros de largura e 3m profundidade, reduzindo o espelho d’água. Pesquisas apontam que, aqui no semiárido, chove em média durante 2 a 3 meses, de 400 a 800 mm/ano. Com essa dimensão de 300 cm de altura, evapora em média 1m de altura da água. E realmente funciona esse cálculo. Na casa de meu pai tem um barreiro e, quando chega no final do ano, ainda tem água.”, contou Joabes Campos, animador técnico do Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (CEDASB).
Com o objetivo de transformar a realidade no semiárido, essa tecnologia proporciona o acesso à água para agricultoras e agricultores ampliarem sua área produtiva, armazenarem água da chuva e matarem a sede dos animais. O Projeto Mais Água para Produção, em parceria com o Governo do Estado da Bahia através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), surgiu, portanto, com esse intuito. O CEDASB, como instituição executora, está levando essa tecnologia social para 114 famílias de comunidades rurais dos municípios de Anagé, Mirante e Ribeirão do Largo.
“Hoje estamos recebendo esse benefício. Graças a Deus, o pessoal do CEDASB está ajudando a gente. Nunca tínhamos visto isso na região, a gente é grato por isso. Antigamente, tínhamos falta de água e hoje, graças a Deus, temos esse barreiro.”, relatou Edmilson, agricultor da comunidade Campo da Volta em Mirante – BA. Na foto, o barreiro após ser escavado.
Além de receber os barreiros-trincheira, as famílias recebem material (arame e mourão) para fazer o cercamento do barreiro e um caráter produtivo junto à tecnologia. São apresentadas duas opções de caráter produtivo a partir da realidade local de cada beneficiário: o galinheiro e o banco de proteína, direcionado àqueles que criam animais de grande porte. Ao escolher o banco de proteína, o beneficiário recebe materiais e insumos para alimentação animal e para a criação do ambiente onde eles ficam, tais como palma forrageira, sal proteinado para bovinos, cocho comedouro, arame e mourões.
Para que agricultores e agricultoras possam receber o barreiro, é necessário realizar duas capacitações técnicas: Gerenciamento de Água para a Produção de Alimentos (GAPA) e Sistema Simplificado de Manejo de Água (SISMA). Durante as capacitações, teoria e prática se unem para que as famílias participantes possam garantir segurança alimentar e nutricional durante todo o ano, independente dos momentos de escassez. Na foto acima, temos a produção de biofertilizante Biogeo durante o SISMA, capacitação que dura três dias e traz atividades práticas que auxiliam no campo.
O barreiro-trincheira é uma tecnologia que possibilita às famílias o acesso à água para investir na produção de alimento e na criação de animais – tanto para alimentação quanto para gerar renda. Como diz Roberto Malvezzi, “Você vai lembrar que a seca volta. E vai lembrar do velho dito popular. É bem melhor se prevenir que remediar. Zele os barreiros, os açudes e as aguadas. Não desperdice sequer uma gota d’água.”
* Na primeira foto, temos Idalécio Rocha, agricultor que foi beneficiado com um barreiro-trincheira da comunidade Brejão em Ribeirão do Largo, Bahia.
Texto: Ingrid Costa e Lucilene Rosário.

