A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes – COP30) aconteceu entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém/PA, e se consolidou como um importante espaço político para o debate das questões climáticas, reunindo lideranças políticas, científicas e sociais de diversas partes do mundo.

A crise climática é um tema urgente e compreender como os territórios têm sido afetados é fundamental para que, a partir de um projeto coletivo, sejam traçadas estratégias de adaptação e mitigação capazes de desafiar a lógica capitalista exploratória que historicamente se impõe sobre o meio ambiente.

Os semiáridos, que ao longo dos anos vêm se organizando e construindo coletivamente narrativas contra hegemônicas, reconhecendo a vida e as múltiplas possibilidades desses territórios, garantiram na Conferência representações que levaram a mensagem de que existem territórios e biomas de extrema importância, como a Caatinga, que necessitam de investimentos e de medidas efetivas de preservação.

A Rede Latino-Americana de Juventude da Plataforma Semiáridos viabilizou a participação de 10 jovens dos semiáridos da América Latina, oriundos do Nordeste brasileiro, do Chaco argentino, do México e do Corredor Seco da América Central. Esses jovens se articularam para construir e executar, durante a COP30 em Belém, uma agenda de debates e incidência política por meio de intervenções em painéis nas zonas Azul e Verde, além da participação em espaços paralelos, como a Cúpula dos Povos e plenárias.

Os representantes da Rede participaram do painel “Nada sobre nós sem nós: o consentimento livre, prévio e informado e a transição energética justa”, organizado pelo Engajamundo e realizado no Pavilhão do Círculo dos Povos. Na ocasião, jovens de diferentes territórios denunciaram a implantação de grandes empreendimentos energéticos que desconsideram o diálogo com as comunidades locais, causando graves impactos socioambientais, como a expulsão de camponeses e camponesas, a inviabilização da agricultura familiar, a degradação dos solos e a destruição da biodiversidade. Embora a transição energética seja urgente e necessária para a adaptação e mitigação climática, ela precisa ser construída com respeito aos territórios tradicionais e com a participação efetiva das comunidades, garantindo justiça socioambiental.

Os jovens da Rede também participaram da Plenária Mundial da Juventude, que reuniu ministras e ministros — Anielle Franco (Igualdade Racial), Margareth Menezes (Cultura), Márcia Lopes (Mulheres), Marina Silva (Meio Ambiente) e Guilherme Boulos (Secretária-geral da Presidência) — além da primeira-dama Janja Lula da Silva, lideranças globais e ativistas. O espaço debateu o papel da juventude nas agendas sociais e climáticas, evidenciando que as juventudes são um elo fundamental na luta e defesa do meio ambiente. Na plenária, ficou demonstrado que as juventudes estão estrategicamente articuladas em redes e coletivos organizados, fortalecendo suas pautas, particularidades e reivindicações. Esse também foi um momento estratégico para a entrega do Manifesto das Juventudes Semiáridas da América Latina ao ministro Guilherme Boulos, à ministra Marina Silva e à primeira-dama Rosângela Lula da Silva (Janja).

Os jovens da Rede também estiveram no painel “Juventudes pela Justiça Climática nos Semiáridos da América Latina”, realizado no Pavilhão do Círculo dos Povos. Nesse espaço, as juventudes trouxeram para o centro do debate as problemáticas enfrentadas pelos povos dos semiáridos, como a falta de investimentos climáticos e de políticas públicas voltadas à adaptação e à convivência com os biomas. Além disso, representantes da Rede participaram, no Pavilhão do Consórcio Nordeste, do painel “Territórios Semiáridos em Rede”, promovendo um diálogo sobre como os semiáridos têm se organizado no Brasil e no mundo para o enfrentamento às mudanças climáticas.

Ainda no Pavilhão do Consórcio Nordeste, aconteceu o painel “Juventudes do Semiárido: participação e protagonismo pelo clima e contra a desertificação”, com a presença do coordenador de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Alexandre Pires. O debate foi enriquecido com experiências de práticas agroecológicas e de recaatingamento como estratégias de enfrentamento ao processo de desertificação que ameaça áreas do semiárido brasileiro. Os jovens compartilharam experiências concretas desenvolvidas em seus territórios, voltadas à permanência das juventudes no campo, tendo a agroecologia e a convivência com o semiárido como caminhos centrais. Na ocasião, o Manifesto das Juventudes Semiáridas da América Latina também foi entregue a Alexandre Pires, que demonstrou comprometimento em incluir a juventude nas agendas climáticas da pasta.

A delegação também participou de um encontro com juventudes da Mata Atlântica, que contou com a presença de Jessy Daiane, secretária adjunta da Secretaria Nacional de Juventude; Rosa Amorim, deputada estadual de Pernambuco; e jovens do Instituto Perifa Sustentável. Em sua fala, Jessy destacou que os debates realizados nos diferentes espaços da Conferência evidenciaram que não faltam soluções para a crise climática, mas sim decisões políticas concretas que viabilizem sua implementação no campo institucional. Rosa Amorim reforçou que as soluções devem ser construídas pelas populações mais afetadas, que já vêm desenvolvendo caminhos de enfrentamento. Ambas concordaram que a juventude será uma das mais impactada pelo colapso climático iminente, caso medidas efetivas não sejam adotadas. Na ocasião foi lançado ainda o “Guia de Incidência Política Para as Juventudes dos Semiáridos” realizado pelo Instituto Perifa Sustentável em parceria com Terre Des Hommes Schweiz.

A participação da delegação de jovens na COP30 foi encerrada com presença nas ruas de Belém, somando forças com o povo na Marcha Global pelo Clima, que ecoou a exigência por ações concretas e urgentes de enfrentamento à crise climática.

Texto: Joice Santos | Edição: Lucilene Rosário | Fotos: Joice Santos e Júlia Garcia