OOO Maio | 2017 | Cedasb

ATER (BAHIATER) CEDASB – Agricultores/as assistidos pelo projeto participam de intercâmbio de experiência na comunidade de Poço D’anta (Planalto-BA)

Sexta feira, 26, da semana passada, o projeto de ATER (BAHIATER) do CEDASB promoveu uma atividade de intercambio de experiência na comunidade de Poço D’anta município de Planalto-BA, situado no Território Sudoeste Baiano. Contou com a participação de agricultores/as assistidos/as pela ATER das diversas comunidades de Vitória da Conquista, que é um dos três municípios atendidos pelo referido projeto, que além Vit. Da Conquista atende a Piripá e Cordeiros.

Os/as agricultores/as conheceram a experiência do Bio’Água Catingueiro, que é uma tecnologia implementada na propriedade dos irmãos agricultores/as: Kleyton e Sandra, e que está sendo referencia no que diz respeito ao reaproveitamento da água (principalmente da pia e do banho), produção de minhocas e do chorume/húmus para a produção e cultivo vegetal.

De início os agricultores/as “chegantes” foram recebidos pela comunidade local na pessoa da agricultora Sandra, que se apresentou, juntamente com toda equipe de ATER/CEDASB acolhendo a todos/as em nome de sua família e de toda a comunidade de Poço D’anta.  Em seguida, Sandra conduziu a todos/as para conhecer o banco de Sementes Crioulas, implementado pelo projeto “Sementes do Semiárido” mostrando a importância de cultivar, produzir e guardar a semente pura e livre de agrotóxicos. Sementes que resgatam tradições e garante uma produção alimentar saudável e cheia de vida. Ali mesmo, os agricultores/as já trocaram e garantiram seu punhado de sementes para cultivar na propriedade, que em algumas localidades já não se cultiva mais, devido a perca dessa tradição de cultivar e guardar a semente crioula.

Logo após a visita ao “Banco de Sementes”, os agricultores/as foram conhecer a experiência do Bio´Água Catingueiro. Uma verdadeira tecnologia de convivência com o Semiárido, que reutiliza água, produz minhocas, o húmus e o chorume: um poderoso biofertilizante no cultivo vegetal. Os agricultores/as ficaram encantados com o processo de funcionamento, estruturação do “BioÁgua” e os resultados dessa tecnologia de convivência. Desde a filtragem da água de uso doméstico, passando pelo minhocário até o tanque de armazenamento da água. Etapa essa onde a água já pode ser diretamente (re)utilizada, principalmente na “molhação” do quintal produtivo da família. A produção de minhocas pode ser comercializada, assim como o húmus por elas produzido, utilizadas também, na alimentação de aves e no trabalho de cultivo de hortaliças.  A agricultora, durante a apresentação do BioÁgua destaca orgulhosamente: “isso aqui pra nós é como uma criança, tem de ser muito bem zelada, pois é uma verdadeira preciosidade em meio à escassez de água dos últimos tempos”, disse Sandra. É um belo exemplo de aprendizagem de convivência com os períodos de estiagem no Semiárido. E bem manuseado, se torna fonte de renda e de vida em toda a propriedade.

Os/as agricultores/as tiraram muitas dúvidas, fizeram ponderações e já visualizaram (imaginaram) o ‘BioÁgua’ em sua propriedade, e voltaram do intercambio cheios de planos e boas expectativas. Foi uma verdadeira troca de saberes e produção de conhecimento entre àqueles que são os/as escritores/as de sua própria história. Sendo esse o princípio norteador e missão da ATER: promover a agroecologia, que unida à extensão rural fortalecem os/as agricultores, tornando-os protagonistas de sua história. E assim o projeto segue sua caminhada ajudando e ampliando a formação e promovendo essa troca de saberes e conhecimentos a partir de intercâmbios como esse.

O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

Texto e imagens – Comunicação CEDASB

 

Agroecológicos X Capitalismo

Enquanto os chicotes de tuas injustiças cortam as carnes de nosso povo

A dor metabolizada fortificava nosso caráter ‘humanizador’

Construímos símbolos mesmo sofrendo tua anulação social

Sobrevivemos as tuas propagandas. Todo teu esforço para nos transformar em nosso próprio mau.

Podem até nos humilhar pisar

Nos ferir e  nos fazer curvar

só não podem nos fazer raciocinar como teus criados

Não somos convencionais

lutamos para acabar com todas as injustiças sócias.

Machismo  preconceitos irracionais

Lutamos para reverter teus processos de aniquilação

Que colocam nosso povo em prisões

Não podem nos impedir de ler e construímos livros

Avançamos sobre tuas cercas

Não aceitamos teu autoritarismo

Não fazermos parte de teus padrões

Nas leis dos justos somos a personificação da determinação

Todas tuas investidas não são o suficiente para nos dar o complexo de inferior

Não somos os subalternos que tu queres

Não queremos potes de manteigas

não  queremos teus venenos. Não!

Queremos frear o maquinário que nos prendem e nos transformam em vilões

Estamos cansados de estar nas estatísticas

de fazermos muitos e sermos apenas reprimidos

O aço de suas correntes não aprisionam minha mente

Não me compra e não me faz mostrar meus dentes

Não nos acostumamos com os termos depreciativos

Não temos medo dos riscos

Ficamos de pé por todos que foram jogados ao mar ou jogados no lixo

Pelos fetos que foram projetados a serem condenados

Por todos os operários

índios, animais e camponeses

não vamos  parar

Destruiremos teu muro de opressão

Iremos lutar

Até chegar a revolução!

Autoria: Érica Carneiro, Estudante de Tecnologia em Agroecologia.

 

Foto: Paulo Vinícius Marques

Um GRITO contra o FEMINICÍDIO

Machismo mordaz impera
Espalhando covardia
Numa luta desigual
Mata cinco todo dia
Na fogueira desse mal
Faz mais vítimas na Bahia.

Me indagam pelas redes
Por que só malho o machismo
Eu insisto, teimo, explico
Pra destruir o sofismo
Que o feminismo destrói
E fortalece o machismo.

Se é pra fazer do cordel
Uma arma popular
Eu vou mirar no machismo
E nele vou disparar
Pras mina sobreviver
ele vai ter que tombar.

Dói, machuca, desnorteia
A gente lê no jornal
As vidas desperdiçadas
Parecendo um ritual
Mulheres violentadas
O mundo achando normal.

Companheiras precisamos
Nos unir, se organizar
Pra combater o machismo
Vamos repactuar
As normas de ensinamentos
E nossas mentes mudar.

Vamos ensinar os meninos
Que eles têm que respeitar
A vontade das meninas
Se ela quer terminar
O namoro, casamento…
E seu destino mudar.

Nada de desigualdades
No modo de educar
Seja menina ou menina
Vamos ‘recatequizar’
Menino lavando prato
E tudo que ele sujar.

Pras menina a gente diz
O que é valorizar
É ser livre, consciente
E não a roupa que usar
E o menino a gente diz
Pra minissaia respeitar.

A roupa que mina usa
Não há faz freira ou vulgar
Seja short ou minissaia
Não está querendo dá
Por isso não dá direito
Dele querer estuprar.

Vamos mudar o blá blá
Vamos nos organizar
Chega de tanta chacina
Se agente quiser mudar
O feminismo é a vacina
Que o mundo tem que usar.

Daniela Bento – Academia Sergipana do Cordel e militante do feminismo LGBTT

Simples e grandioso – “Ana de Zéu” e sua produção de bolos na Comunidade de Água Branca e região

Meu nome é Maria do Carmo, sou técnica de ATER (BAHIATER) do CEDASB e dentre as 80 famílias que acompanho no município de Cordeiros-BA, a agricultora Ana de Abreu se destaca na produção e comercialização de bolos em sua localidade. Gostaria de apresentar um pouco da atividade dessa agricultora, que com uma simples atitude chama atenção pela coragem e protagonismo em dar rumo à sua história e de sua família.

Ana de Zeu, assim como é conhecida a agricultora Ana de Abreu é mais um exemplo de protagonismo feminino que se destaca em sua comunidade e região pela produção e comercialização de bolos. Toda comunidade de Água Branca e região sabe da qualidade da produção de Ana de Zeu, que com a ajuda de sua filha Uinne vende por toda a comunidade e também nas localidades vizinhas.

Segundo Ana, foi com o incentivo da ATER (BAHIATER) que atende algumas famílias em sua comunidade, que ela se animou e decidiu tocar em frente essa produção e comercialização de bolos. Ela já tinha o costume de fazer bolos, mas até então era somente para o consumo de sua família. Com as reuniões promovidas pela ATER e incentivo, Ana se animou e está ampliando a produção de bolos, tendo em vista, a comercialização, assim como já vem fazendo em sua localidade. Mas Ana quer ampliar ainda mais a produção pra poder atender a demanda de outras comunidades no entorno da Água Branca, e também vender na feira na sede do município de Cordeiros.

Com a ajuda da ATER dona Ana despertou um talento que já existia e pairava dentro de si. Parece algo simples, mas é um simples grandioso e muito especial pra dona Ana e toda sua família. Sinto-me feliz por fazer parte da história de vida de dona Ana e de outras tantas pessoas através desse trabalho que desenvolvemos, principalmente às mulheres agricultoras que acompanhamos. Outras histórias virão…. E aqui serão registradas e compartilhadas ! ! !

Texto e Imagens – Maria do Carmo (Técnica da ATER – Bahiater – CEDASB).

CEDASB coordena minicursos sobre ‘BioGeo’ e Sementes Crioulas na VIII Semana de Agronomia da UESB

Semana passada, nos dias 10, 11 e 12 aconteceu a Semana de Agronomia 2017, uma realização do curso de Agronomia da UESB campus de Vitória da Conquista-BA. Na quinta feira (11) foram realizadas uma variedade de minicursos temáticos trabalhando diversos temas relacionadas à área da agronomia e da agroecologia. Dentre os quais sobre o cultivo e importância das sementes crioulas e a produção de biodefensivos a partir da confecção e utilização do “BioGeo”. Ambos minicursos foram conduzidos por Milena, Marcos Tigre e Terêncio, que compõe a equipe técnica do CEDASB (Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia).

No minicurso sobre as Sementes Crioulas, Milena e Marcos trabalharam sobre a importância das sementes crioulas frente às sementes geneticamente modificadas. Destacando e apresentando experiências de agricultores/as com o cultivo das sementes puras e cultivadas sem veneno. Que São as “sementes da paixão e da gente”, sementes que resgatam a história de um povo e dá vida. Mostrando também, que as sementes geneticamente modificadas não têm qualquer preocupação com o resgate de identidade e não tem história. E assim sendo, não são sementes que geram a vida em plenitude, mas grãos que alimentam o capital e tiram dos povos sua identidade-raiz.

No minicurso sobre biodefensivos, Terencio apresentou sua experiência com a produção e uso do BioGeo. Que segundo Terencio é: “um banco de bactérias vivas”, um poderoso biodefensivo de características preventivas que ajuda potencialmente no cultivo vegetal. Segundo Terêncio, monitor do minicurso, o princípio de preparo do “BioGeo” é tudo aquilo que gera vida. Assim sendo, os ingredientes para preparo do BioGeo que foram socializados através de uma apostila, são insumos (ingredientes) totalmente naturais [retirados da própria natureza], que ao passar por um processo de fermentação resulta em um poderoso e vital biodefensivo. Auxiliando nas diversas formas de cultivo e resultando numa produção de alta qualidade. O minicurso foi dividido em dois momentos, o primeiro se deu através de uma apresentação teórica sobre o biogeo e sua ação, e o segundo momento foi feita uma amostragem prática do seu preparo.

A realização dos minicursos sobre Sementes Crioulas e ‘BioGeo’ reuniram alunos/as da universidade do curso de agronomia (da UESB e outras instituições de ensino superior), pesquisadores da área, professores/as, agricultores/as e lideranças comunitárias. Que ao final das atividades puderam avaliar positivamente a realização e abordagem das duas temáticas como questão fundamental no aprofundamento da agroecologia e seus princípios. Tendo em vista, a promoção de uma agricultura que gere e preserve a vida em todas as suas dimensões. Questões essas, que são molas propulsoras de todas as ações e práticas desenvolvidas pelo CEDASB.

(Solicite a receita de ingredientes e preparo do ‘BioGeo’ pelo nosso email: cedasbcomunicacaovdc@gmail.com)

Texto e imagens – Núcleo de Comunicação CEDASB

Mulheres pelas ruas, Avantes ! ! !

Indo, vindo
Aptas a qualquer momento
Para qualquer movimento
Mães
Mulheres
Fortes
Ousadas
Preparadas
Risos
Lágrimas
Comuns, no entanto
De salto alto no mundo
Que é uma bola
Gira
À vontade
De ser quem quiser ser
Vencer é pouco
Pra quem quer viver
Mulher forte mulher
Quem foi mesmo que disse que mulher é o sexo frágil?
Não convive de perto com uma.

Ybeane (militante do MPA – Movimentos dos Pequenos Agricultores,  em Vit. da Conquista)

Imagem – Joabes Rodrigues

Com a ‘mão na massa’, dona Adélia muda o rumo de vida e se torna protagonista da história de sua família.

Dona Adélia Prates  é uma agricultora que vem se destacado com a produção de biscoitos caseiros na comunidade Olho D’água da Serra, localizada no Distrito de Bate pé- Vitória da Conquista – Bahia. Com muita determinação e força de coragem, ela e sua família trabalham em plena sintonia, com o objetivo de buscar melhores condições de vida no sertão onde vivem. “Comecei com 3kg de goma e hoje já estamos desmanchando 1 saco por semana e atendendo a comunidade e região. Eu faço os biscoitos e Nel sai entregando de porta em porta, aqui a família trabalha em conjunto…” conta dona Adélia referindo ao inicio de todo trabalho.

Dona Adélia destaca que as reuniões do CEDASB através do projeto de ATER (BAHIATER) foram o ponto de partida e motivação/incentivo para começar a comercializar sua produção de biscoitos na comunidade local, que até então eram vendidos principalmente no tempo do São João (mês de Junho). O que é mais bacana nessa história, é que todo esse trabalho é feito em parceria com o seu esposo Manoel Alves de Brito Filho, mais conhecido como “Nel”, que durante o dia cuida da lavoura e dos animais da propriedade, e ao cair da tarde coloca a produção em uma caixa adaptada na moto e sai vendendo na comunidade e regiões circunvizinhas. “Hoje já temos mais um forno, que nosso filho que tá em São Paulo mandou o dinheiro pra gente comprar. Além dos biscoitos, Adélia já faz bolo e chimango e eu saio de casa em casa entregando, as pessoas escutam a buzina e já sabem que estou chegando”, contou Nel todo satisfeito com essa prática que já está virando costumeira em toda localidade do Olho D’água, e até e na cidade de Vitória da Conquista. Pois, a produção de biscoitos de dona Adélia e Nel já está sendo comercializada na feira de orgânicos do NUPEBEM (Núcleo de Permacultura do Bem), que acontece todos os domingos na praça da Escola Normal. Graças a essa parceria muitos/as conquistenses puderam apreciar essa iguaria e compartilhar da saborosa experiência resultante desse trabalho familiar.

Essa iniciativa serve como incentivo para outras famílias dentro da comunidade colocando literalmente a mão na massa e demonstrando na prática, que é possível melhorar as condições de vida, e também ajudar a sustentar a família a partir de ações como essa de dona Adélia e sua família. “Espero que mais pessoas como eu consiga tirar seu sustento sem precisar sair de casa e fazendo o que gosta, já estamos pensando em contratar mais uma pessoa para ajudar na produção”, finalizou dona Adélia, toda contente, com um sorriso no rosto e um brilho no olhar.

Matéria e Imagens –  Milena, Técnica da ATER/BAHIATER – CEDASB.

Encruzilhada recebeu seminário sobre, “Os (des) caminhos do Rio Pardo e seus afluentes”

Aconteceu no último dia 28 de Abril o Seminário Os (des) caminhos do Rio Pardo e seus afluentes com o tema  água hoje e amanha: A realidade sócio ambiental da Microrregião de Encruzilhada, Cândido Sales e Ribeirão do Largo. Sediado na cidade de Encruzilhada, o evento aconteceu no salão da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e contou com a presença de mais de 100 participantes. Com representações da sociedade civil e do poder público dos três municípios, o Seminário é parte de uma agenda de atividades que vem sendo desenvolvidas ao longo do Rio Pardo e seus afluentes com a finalidade de debater questões ambientais inerentes ao Rio.

Durante todo o dia o tema foi debatido por meio de uma palestra ministrada por Joaci do CEAS, que fez algumas reflexões sobre a Conjuntura Hídrica da região; trabalhos em grupos onde os participantes debateram sobre o que já tem sido feito e quais a ações ainda são necessárias. Ao final da tarde cada município apresentou o resultado dos trabalhos em grupo e assumiu o compromisso de dar continuidade às ações indicadas pelos grupos por meio de uma comissão que irá coordenar os trabalhos.O Seminário foi organizado por Associações locais, Movimentos Sociais, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cândido Sales, CEDASB, Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e CEAS.

Texto – Leandra Pereira

Imagens – Gabi Marques