OOO agosto | 2017 | Cedasb

ATER/Bahiater – Dia de Campo dando bons resultados: experiências de Meliponicultura é multiplicada por agricultor de Piripá-BA

As experiências do Dia de Campo sobre Meliponicultura que ocorreu na comunidade Ressaca no mês de maio deste ano, município de Piripá – BA. O momento contou com a presença de agricultores/as beneficiários/as do Lote 38, ministrado pelo Biólogo/Apicultor Ricardo e serviu de motivação para o agricultor Adalgizio Ferreira, mais conhecido como ‘Dadá’, que participou da capacitação e cedeu sua caixa rústica para fazer a transferência para a caixa racional. Durante a atividade seu Dadá prestou bastante atenção e se mostrou bastante encantado com o processo, mencionando que iria multiplicar sua criação de abelhas. Dito e feito: a motivação de seu Dadá virou ação certeira!

Seu Dadá começou a construir suas próprias caixas, fazendo as transferências e multiplicando o número de colmeias. Hoje, depois de toda essa jornada de aprendizado e compartilhamento de boas práticas, ele tem por volta 13 caixas construídas e espalhadas em sua roça. Para o agricultor, essa é uma atividade muito importante: “eu pretendo aprender mais e no futuro tem uma renda extra com o mel, é bom demais mexer com abelhas, elas são sabidas demais e o mel é muito bom”, expressa seu Dadá.

Essas experiências servem para divulgar o potencial de práticas agroecológicas para melhoria das atividades no dia-dia dos agricultores/as locais. E mostrar que existem práticas agroecológicas que ajudam na melhoria da renda do agricultor/a, como também contribui para a preservação ambiental.

A implantação da atividade de meliponicultura na propriedade de Seu Dadá, após o dia de campo, contou com a orientação do Técnico Agrícola Marcos Tigre que acompanha o agricultor beneficiário da Ater/Bahiater – CEDASB. O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

Texto e imagens – Helena Paula Moraes  – Coordenadora Ater/Bahiater – Cedasb

Cisternas nas Escolas-CEDASB realiza IIº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido com professores/as de Mirante e Bom Jesus da Serra-BA

Foi realizado quarta (24) e quinta (25) da semana passada na cidade de Bom Jesus da Serra-BA, o IIº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido com os/as professores/as dos municípios de Mirante e Bom Jesus da Serra – BA, vindos/as das diversas comunidades escolares inseridas no Projeto Cisternas nas Escolas. E nesse segundo encontro de formação teve dinâmica de interação, troca de saberes e experiências, aprendizado e ensinamento, professores/as já colhendo alguns resultados de aulas contextualizadas e muita alegria e encantamento na visita ao Banco de Sementes Crioulas da comunidade de Bom Jesus de Cima.

Com uma bela e profunda mensagem de acolhida feita pela equipe da secretaria de educação de Bom Jesus da Serra a atividade teve início com um estudo em grupo. O aprofundamento sobre o processo educacional na perspectiva tradicional e conservadora serviu de base para a contraposição a esse molde, a partir de uma forma de educação libertadora e popular. Nos diversos grupos de reflexão, debate e depois na socialização em plenária, os/as professores/as apresentaram os resultados da discussão destacando pontos e contrapontos dessas duas vertentes da educação. E assim expressou a professora Beatriz da comunidade escolar do Areão (Mirante-BA) em uma de suas falas: “vimos aqui dois caminhos da educação, e diante disso percebemos essa urgente necessidade em disseminar essa educação libertadora que ajude o aluno a pensar por si próprio. Esse projeto cisternas nas escolas juntamente com a proposta da educação contextualizada nos ajuda a irmos na contramão desse modelo de educação tradicional que escraviza nossas comunidades”.

Outro momento marcante desse IIº Módulo foi a socialização das atividades realizadas com os alunos numa perspectiva contextualizada, a partir das diversas experiências compartilhadas no Iº Módulo realizado em Mirante. E os resultados foram surpreendentes, muita gente aprendendo e ensinando a partir do chão que se vive. Fazendo valer na prática o mais certo dos dizeres da sabedoria popular: “a educação não pode se dar ao luxo de ignorar o chão que se pisa”. E desse modo se procedeu as apresentações dos belíssimos resultados de algumas atividades desenvolvidas na prática com os alunos. Como foi o caso da Escola Jânio Quadros da comunidade do Gavião (Mirante), onde na região do maracujá, a velha história da “Chapeuzinho Vermelho” virou causo da “Chapeuzinho Amarelo”, causo esse que serviu de contexto de trabalho sobre o fruto do maracujá, sua nomenclatura, o processo de polinização pela abelha solitária, o Mangangá (abelha Mangangava), utilidades culinárias e benefícios à saúde. E no final disso tudo, nada de cesta de bolo, a chapeuzinho amarelo levou suco de maracujá para a vovozinha dela. Segundo a professora Lúcia, a turma toda se envolveu nessa trama, “onde acabou que os alunos não deixaram bater ou maltratar o lobo, pediram pra levar e soltar bem longe dentro da roça. Na abordagem dos temas sobre o maracujá todos estavam ligados e bem participativos”. Resultado também alcançado pelo professor Dorival da escola Tiradentes de Mirante, onde ele trabalhou com sua turma a palma como elemento de convivência com o semiárido. E no final de tudo a aula terminou com um belo e saboroso cortado de palma forrageira.

O segundo dia de atividade foi marcado pela visita ao Banco de Sementes dos Sonhos, na comunidade de Bom Jesus de Cima, que fica situado na propriedade dos guardiões Francisco (conhecido como “seu tico”) e Lourdes. Os/as professores/as conheceram as instalações e o funcionamento da casa de sementes e escutaram dos guardiões sobre as sementes crioulas e seu processo de resgate, estocagem e garantia de uma semente limpa e livre dos venenos. E diante da bonita e valiosa experiência dos/as agricultores/as experimentadores, Lourdes e Francisco, e de sua lida com as sementes crioulas, como trabalhar isso na vida da comunidade escolar de forma prática? O que aprender e levar ‘pras’ diversas realidades daquilo que foi visto e escutado desses educadores/as do semiárido? Dessas e outras indagações vieram palavras apuradas do sentimento extraído do coração ditas pelos/as professores/as ali presentes, que formaram a Peneira dos princípios e compromissos da educação contextualizada para a convivência com o Semiárido: “dedicação”, “esforço”, “luta”, “sementes da vida”, “semiárido vivo”, “sementes da educação”, “força feminina”, “valorização dos saberes”, “respeito à diversidade”, etc…

Por fim, mais um importante e significativo passo foi dado com a realização desse IIº Módulo, as sementes foram lançadas e já é possível vê-las germinarem no jardim do nosso semiárido. A atividade foi encerrada já na expectativa do IIIº e último módulo, que será realizado em Mirante já no mês de setembro. E por aqui seguimos nossa caminhada nos carreiros do nosso Sertão vivo e pulsante, cheio de vida e possibilidades.

Texto e imagens – Comunicação CEDASB

“Somos povo semente de uma nova nação” – Comunidade do Mandacaru de Cordeiros dá o primeiro passo no processo de resgate, estocagem e produção de sementes crioulas

Aconteceu no dia 22 de agosto de 2017 na comunidade Mandacaru no município de Cordeiros-BA, a Oficina de Capacitação sobre Banco de Sementes Crioulas, com os/as agricultores/as familiares beneficiários da Ater/Bahiater – CEDASB. Essa formação teve por objetivo, a criação de um Banco de Sementes tendo em vista, a estocagem e o resgate das sementes crioulas bem como, recuperar as tradições de cultivo características da comunidade local.

A realização dessa atividade de formação surgiu a partir do pedido feito por três agricultores/as da comunidade de Mandacaru: Alessandra Dias, Marta e José, que em março desse ano participaram de um Intercâmbio, no município de Bom Jesus da Serra-BA, onde visitaram a experiência do Banco de Sementes dos Sonhos na comunidade de Bom Jesus de Cima. Ficaram encantados com a experiência visitada, e com a grande variedade de sementes: resistentes e adaptadas ao clima, tudo sem uma gota de veneno. Perceberam a importância da organização e a participação das pessoas da comunidade e isso despertou neles/as, a vontade de levar a ideia para a comunidade do Mandacaru, assim como diz Alessandra: “isso é uma das maiores riquezas para as próximas gerações, um grande exemplo que fortalece e enriquece a comunidade, precisamos de um banco de sementes na nossa”.

Diante essa motivação e empenho da comunidade local, a atividade de formação foi realizada com sucesso. Foi conduzida pelas técnicas do Ater/Bahiater e foi um momento da comunidade resgatar o conhecimento e as origens das sementes produzidas pelos seus antepassados, mostrando a diferenças entre a semente crioula, sementes híbridas e sementes transgênicas. Além da tomada de ‘consciência’ dos agricultores, acerca dos riscos das sementes frente à adoção de agrotóxico.

Sabendo que as sementes crioulas são guardadas e conservadas para o ano seguinte. Estas são conservadas por várias gerações pelos agricultores e são, em grande parte, produzidas em bases agroecológica, diferentes por que não possuem agrotóxicos/veneno são nativas e resultam em uma alimentação mais saudável. As híbridas geram sementes não viáveis, impossibilitam o agricultor de utiliza-la no plantio seguinte, e por sua vez, as transgênicas são sementes modificadas geneticamente, sendo o milho uma espécie suscetível à polinização cruzada; o cruzamento de variedades tradicionais com transgênicas, além de hibridizar, gera plantas geneticamente alteradas, com anomalias ou incapazes de produzir sementes viáveis, comprometendo a diversidade das variedades tradicionais.

A busca pela soberania dos/as agricultores/as no resgate e segurança das sementes crioulas, guardar, cultivar, trocar suas sementes, conservação da biodiversidade, redução dos custos dando autonomia e promover a sustentabilidade da agricultura familiar através do fortalecimento do intercâmbio é o que levou a comunidade a optar por um banco de sementes. São os primeiros passos para a realização de um grande sonho da comunidade.

Texto e imagens – Maria do Carmo – Técnica Agrícola Ater Cedasb

CEDASB realiza I Seminário Territorial do Projeto de ATER Bahia Produtiva

Foi realizado no dia 17 e 18 de agosto o I Seminário territorial do Projeto de ATER Bahia Produtiva. O evento faz parte de um calendário de atividades a serem desenvolvidas pelo CEDASB dentro do Programa do Governo do Estado, o Bahia Produtiva. A atividade contou com a presença de vários Empreendimentos da Economia Solidária dos territórios Médio Sudoeste e Sudoeste Baiano. Também estiveram presentes, parceiros como o IF Baiano, CEAS, representantes dos territórios, BAHIATER e da CAR.

O Projeto de ATER Bahia Produtiva tem como finalidade a organização produtiva e associativa de Empreendimentos Econômicos Solidários – EES da agricultura familiar dos territórios Médio Sudoeste da Bahia e Sudoeste Baiano que foram selecionados pelo Projeto Bahia Produtiva e atuam em uma ou mais de uma das cadeias produtivas: Apicultura e Meliponicultura, Aquicultura e Pesca, Bovinocultura Leiteira e Caprinovinocultura.

Durante o evento foram apresentadas às metodologias e o papel dos trabalhos que serão desenvolvidos pelo CEDASB nas comunidades, bem como sobre o papel da CAR no fortalecimento das organizações sociais e da assistência técnica. Falou-se também da logística dos empreendimentos que serão trabalhados e principalmente da importância das parcerias que estão envolvidos para que os agricultores, protagonistas dessa história, sejam agraciados e tenham o sentimento de pertença para fazer o projeto acontecer como bem colocou Maria do Rosário, Assistente Territorial do Sudoeste Baiano e fiscal do contrato.

A atividade se configura como sendo um espaço essencial para se fazer encaminhamentos coletivos relacionados à organização, gestão e comercialização dos empreendimentos da cadeia produtiva para que possam alcançar os resultados elencados no Plano de Negócios. Avaliando, sistematizando e disseminando os aprendizados acumulados entre os beneficiários, parceiros territoriais entre outros, permitindo à luz das experiências, avançar nas propostas de um desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Assim, a atividade foi finalizada com algumas falas pertinentes e de grande satisfação demonstrando o compromisso e a seriedade do projeto. A partir da troca e valorização dos conhecimentos, firmação de parcerias e da motivação para a construção de uma agricultura familiar firme e cada vez mais forte, onde todos/as tenham voz e vez. O projeto Bahia Produtiva é uma realização do CEDASB em parceria com a Bahiater-SDR, Grupo Banco Mundial e CAR.

Texto/Imagens – equipe ATER Bahia Produtiva

Agricultores/as levam para as suas propriedades experiências de intercâmbio do ATER/BAHIATER

Intercâmbio na Comun. de Poço Danta – Planalto BA

O intercâmbio ocorreu na comunidade de Poço Danta no mês de maio deste ano, município de Planalto – BA, onde agricultores e agricultoras do município de Vitória da Conquista, beneficiários do Ater/Bahiater vivenciaram experiências agroecológicas, onde conheceram o Sistema Bioágua Catingueiro apresentado pela agricultora experimentadora Sandra Andrade e sua família.

A socialização desta tecnologia foi fundamental nesta experiência, pois aproximaram os/as agricultores/as das realidades de diferentes comunidades oriundas do município de Vitória da Conquista, situadas em contextos bem diferenciados, proporcionando à troca de experiências entre agricultores/as e técnicos da ATER/Cedasb, que trabalham na perspectiva da Agroecologia.

D. Lorinha e Seu Enoque

Durante essa visita ocorreu momentos ricos de discussão e aprendizados, sobre a construção do biodigestor, onde dentre os agricultores/as presentes estava Dona Fidelcina Silva Oliveira, conhecida como Lorinha, da comunidade Serra Grande, prestou bastante atenção na construção do minhocário e do reuso da água, juntamente com o agricultor Edilson Sousa Dutra, da comunidade Farinha Molhada. Assim que retornaram para as suas propriedades colocaram a mão na massa e começaram a construir. Dona Lorinha, juntamente com o marido Enoque, iniciaram a construção do minhocário com foco na adubação da horta e do pomar, além de implantar o reuso da água.

Agricultor Edilson

Já o agricultor Edilson começou a implantação da fossa séptica biodigestora, onde os resíduos transformando em  biofertilizantes serão usados  para  adubar a roça de palma e da campineira, que será utilizado na alimentação animal das cabras.

Todas essas atividades implantadas nas propriedades de Dona Lorinha e de Edilson, após o intercâmbio, contou com a orientação do Técnico Agrícola Rogério Macedo que acompanha os agricultores em todas as decisões e trocas de saberes, que contribui com técnicas agroecológicas nos trabalhos de campo do Ater/Bahiater.

O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

 

Texto – Helena Paula                                 Imagens – Rogério Macedo (ATER/Bahiater)