Uma terra e duas águas

P1+2 promove capacitação de Sistema Simplificado de Manejo de Água- SSMA nas comunidades Poços e Bom Jesus de Cima

O sol aponta lá no horizonte, o galo canta e a frecha de luz na janela de casa avisa que já é um novo dia. Mas os dias 12, 13 e 14 de julho foram diferentes dos outros, dias de trocar experiências, dias de capacitação. E fique sabendo que não foi qualquer capacitação, era aquela da água de comer, de produzir. Com o Sistema Simplificado de Manejo de Água- SSMA a agricultora e o agricultor vão cuidar melhor da tecnologia social, um bem que de tão bom tem tornado possível às famílias do campo guardar a água que cai do céu.

E essa alegria toda que aconteceu na comunidade Poços em Anagé/ BA e se estendeu até a comunidade de Bom Jesus de Cima em Bom Jesus da Serra/ BA, faz parte do projeto P1+2 que, sendo executado pelo CEDASB, visa atender não somente às regiões de Anagé e Bom Jesus da Serra, mas também Cândido Sales. É como Everaldo, monitor do SSMA costuma dizer “as capacitações são o momento em que a gente troca experiências e compreende a importância de administrar com respeito e responsabilidade a nossa terra. Basta apenas que observemos a natureza, pois ela nos ensina a viver”.

E como viver na roça significa pôr a mão na massa, ou melhor, na terra o agricultor e a agricultora que fazem o biogel, que montam os canteiros, que aprendem um pouco mais sobre controle de pragas e compostagem vão antecipadamente vislumbrando novas frutas para o pomar, uma variedade de hortaliças e repensando a criação dos animais; atividade que segundo Terêncio, técnico em agropecuária “é um trabalho diferenciado”.

E, somado a isso, a participação da juventude que assim como seus pais e avós também amam a terra e nela querem viver e produzir deixa tudo ainda mais lindo, torna tudo possível. E como a sabedoria não tem idade Marcos, estudante do 8º ano na Escola Família Agrícola de Anagé deu logo sua opinião “do tempo que cê tiver desmatando pra fazer roça, porque não faz uma agrofloresta? Você planta variedades de frutas, hortas, tudo num mesmo lugar. O resultado depois cê me diz, é terra boa, comida de qualidade e harmonia”.

Então é isso, no SSMA os participantes muito mais que ouvir estão lá para atuar, expor o  que pensam e fazer a diferença. São agricultores e agricultoras com “a” maiúsculo, seres de pura leveza e de uma alegria e força de vontade contagiante. Sendo assim, não é de se admirar que mesmo em face das intempéries do clima os veremos, daqui  um tempo, com um sorriso de canto a canto e com seus quintais coloridos de frutas, vegetais, legumes e tudo mais.

Por: Equipe de Comunicação.

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Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) / CEDASB promove momento de Formação com agricultores e agricultoras

“Nós agricultor nem sempre encontra tempo pra rever os amigos da comunidade e conversar sobre a lida do dia, as dificuldade e as coisas boas também. Daí quando acontece esses momentos de capacitação a gente se une e organiza as ideias de cada um sobre as melhoria que a gente pode fazer na roça, os programa voltado pros agricultores do campo e com isso a gente vê que pode conquista qualquer coisa se nós lutar junto” (seu Jesuíno F. dos Santos- Agricultor em Cândido Sales/BA).

Realidades como a de seu Jesuíno, morador da comunidade Bomba em Cândido Sales podem ser partilhadas por outros agricultores e agricultoras de diversas comunidades espalhadas pelo semiárido. São pessoas de luta e de força e mais ainda, veem no semiárido muitas possibilidades, lugar repleto de potencialidades. E é por isso que, independente da comunidade, em todos os encontros de formação a energia é sempre a mesma, desejo de melhorias, propostas interessantes e uma vontade imensa de trabalhar e viver na roça.

Cada agricultor e agricultora que participa das capacitações deixam um pouco de si e levam um pouco do outro. Nesse sentido é que o curso de Gestão de Água para Produção de Alimentos- GAPA, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), financiado pelo MDS e executado pelo CEDASB é planejado. Realizado nas comunidades de Bom Jesus da Serra/BA, Anagé/BA e Cândido Sales/BA, e atendendo a sessenta e nove (69) famílias, o curso visa despertar nos agricultores e agricultoras beneficiados a reflexão sobre a organização de suas propriedades e a troca de saberes e experiências sobre as práticas que cada um já desenvolve.

Como o GAPA é um dos requisitos para as famílias receberem as tecnologias sociais de convivência com o semiárido, o encontro é, segundo José Jorge, filho de agricultores e ministrante do curso em Anagé, na comunidade Caçote “mais um momento de construção coletiva do conhecimento em que as famílias trocam entre si experiências das mais diversas atividades por elas desenvolvidas, não apenas relacionadas à produção, mas também no resgate das tradições culturais e religiosas, respeitando e valorizando o vasto conhecimento empírico de todos os envolvidos. O encontro se torna ainda interessante por contar com a participação de jovens, crianças, adultos, idosos, homens e mulheres. Merece destaque a afirmação da militância nos movimentos sociais como MPA e ASA com melhor conhecimento da política institucional do CEDASB”.

Anacízio Xavier que também é filho de agricultores e ministrante do GAPA na comunidade Poços em Anagé foi ainda mais longe, para ele esses momentos de formação possibilitam uma viagem no tempo, “quando os agricultores e agricultoras começam a pensar juntos sobre o passado, presente e futuro da comunidade e, quando discutem sobre isso, eles conseguem perceber os erros e acertos cometidos por seus antepassados e com isso podem modificar sua própria realidade para construir um futuro melhor”.

Através do P1+2 os agricultores e agricultoras contemplados podem proporcionar às suas famílias a segurança alimentar e nutricional. Não bastasse isso, com o aumento da produção de alimentos a família pode aumentar a renda. Já é sabido que o povo do semiárido é forte e batalhador, logo, só precisa de oportunidades para provar que o semiárido assim como seu povo é resiliente e próspero!

                                                                                           Por: Equipe de comunicação CEDASB

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