OOO julho | 2016 | Cedasb

“Sou lavrador (a), homem/mulher da roça, VIVO FELIZ MEU DEUS COM AS MÃOS GROSSAS” – Homenagem pela semana do Agricultor

“Eu planto abóbora, planto melancia,

Planto abacaxi, e também batatinha!

Planto feijão, planto mandioca,

Faço tapioca e também farinha!

Sou lavrador (a) homem/mulher da roça…”

O CEDASB no mês/semana dedicado a Agricultora e ao Agricultor, presta sua singela homenagem a esses/as trabalhadores, homens e mulheres do campo e da roça. Tantas Marias, Josés, Josefinas e Antônios, “cumpades” e “cumades” que cultivam a Terra-Mãe e produzem alimento para si e ‘pra’ mais da metade do povo de nossa nação brasileira.

Nossa homenagem às mulheres e homens, trabalhadoras e trabalhadores rurais de mãos calejadas e marcadas pela luta diária nos roçados, boqueirões e campinas de tantos lugares por esse Brasil afora, e de forma especial, agricultores e agricultoras do nosso Sertão querido. Nosso carinho, respeito e admiração às mulheres agricultoras, muitas vezes desvalorizadas e massacradas pelo machismo e pela covardia de uma sociedade dividida e marcada pelo preconceito, e mesmo assim, se mostram a cada dia, construtoras e protagonistas de um campo cheio de belezas, justo e igualitário.

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Agricultor em seu roçado, Caraíbas BA

A todos os agricultores/as, e principalmente aos que fazem parte da caminhada do CEDASB, a nossa gratidão pela cumplicidade, ciência e sabedoria construída e compartilhada de forma tão simples e proveitosa. Pelo acolhimento em vossas moradias, pelo alimento oferecido com tanto amor e carinho. Pelos bons ensinamentos produzidos e transmitidos, ali mesmo nas beiras dos roçados, nas baixadas e beiradas de currais, que se tornam verdadeiras universidades geradoras de conhecimento.

A nossa homenagem ao homem e a mulher do campo que trabalham com a terra e dela tiram o seu sustento corporal e místico; os roceiros, as rezadeiras e os raizeiros, as lavadeiras e vaqueiros das quebradas do sertão. Pois como já entoara o cantador e poeta dos sertões, o eterno Gonzaga: “só quem nasceu no sertão sabe ser sertanejo”.

Muitas vezes recebemos um abraço afetuoso, acompanhado de um sorriso em nossas “cheganças”, e somos abençoados por uma palavra de “Deus lhe acompanhe e te proteja” quando estamos de saída. Fica aqui então, um grande abraço e o nosso MUITO OBRIGADO, por fazer parte de nossa caminhada e de nossa história, e nossa homenagem por essa semana ser dedicada especialmente a você agricultor e agricultora!

Texto e Imagens: Comunicação Cedasb

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Jovem Agricultora em sua experiencia com a produção de mudas nativas, região de Marimbo

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Alimentação sadia cultivada pelas mãos de nossos agricultores/as

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Agricultor da Comunidade Quilombola de Bomba contando a história da comunidade

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Troca de sementes crioulas entre agricultoras

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Quilombo de Cinzentos, casal de agricultores no cultivo de feijão

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Agricultor e sua ferramenta de trabalho

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Agricultora Quilombola em Intercambio entre agricultores/as

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Agricultora exemplo de força e coragem de quem sempre cultivou e labuta com a terra mãe

Equipe do P1+2 visita as comunidades Bom Jesus de Cima e Lagoa de Bocanea em Bom Jesus da Serra

“Pra mim é muito importante essa cisterna para eu começar meu prantio. A gente de agora em diante vamo trabalhar pra ter nossas coisa. E eu sei o valor de uma belezura dessa, tanto que na época da construção nós trabalhamos até de noite só pra ver ela logo pronta” (Dona Marisa Sousa, beneficiária da tecnologia Cisterna Calçadão).

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Dona Marisa de Souza- Agricultora

Assim como dona Marisa, vários agricultores e agricultoras das comunidades Bom Jesus de Cima e Lagoa de Bocanea em Bom Jesus da Serra na Bahia estão felizes com as tecnologias sociais em suas roças. Elas são a certeza da continuidade na terra, pois, possibilitam armazenar água que servirá não somente para o plantio de hortaliças e árvores frutíferas como também para dar de beber a criação. Na verdade, com as construções das tecnologias sociais do Programa Uma Terra e Duas Águas, o P1+2, as famílias camponesas adquirem ainda mais autonomia, interagem melhor em comunidade e partilham uns com os outros o sentimento de pertencimento, de comunhão e de amor a terra.

Mas, para que todas essas conquistas de fato aconteçam, o acompanhamento das famílias pela equipe do projeto é fundamental. E é aí que a equipe técnica do P1+2 do CEDASB entra. Desde o pedreiro, perpassando pelos animadores, coordenação, auxiliares e comunicação, todos vão a campo para acompanhar, monitorar, avaliar e viver junto este momento que é tão importante para os agricultores e agricultoras.

Seu Gerlan- Agricultor beneficiado com a cisterna calçadão

Seu Gerlan – Agricultor beneficiado com a cisterna calçadão

Assim, a visita ocorrida na ultima sexta-feira, 22 de julho, nas comunidades Bom Jesus de Cima e Lagoa de Bocanea começaram na casa de seu Romário. Ele que é pedreiro resolveu, juntamente com outros beneficiários, formar um grupo para ajudar nas construções. “Se sendo pedreiro eu já trabaio com cuidado nas casa dos outro, imagine quando é minha cisterna!” disse seu Romário. Outro agricultor que também está numa alegria só é seu Gerlan. “Pra mim é uma benção, uma riqueza pra gente que mora na zona rural ser beneficiado com essas construção. No meu quintal a mulher já tem umas hortinha e com a cisterna a gente vai plantar uns alface, uns pés de laranja, pra quando der os fruto nosso filho poder comer e também poder dar pros vizinho”.

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Da esquerda para direita: Cleonildo – pedreiro do P1+2, Renato- Coordenador do P1+2 e Marcos- Animador técnico do P1+2

As ações do P1+2 como destacou Renato, coordenador do Programa “ajudam na promoção da soberania, segurança alimentar e nutricional e uma vez tendo água e a produção aumentando, auxiliam na geração de emprego e renda das famílias agricultoras”. Logo, conciliando os saberes populares com as experiências adquiridas com as capacitações, intercâmbios, atividades necessárias para o recebimento das tecnologias sociais nas comunidades, as famílias aprendem novos modelos de produção sustentáveis e compreendem a importância do cuidado com a natureza.

Por: Equipe de Comunicação

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SEMENTE É CULTURA, LIBERDADE, PROTAGONISMO, SOBERANIA, SABERES E SABORES

Melquiades e Amâncio foram dois filhos de escravizados comprados ainda crianças numa feira livre do Rio de Janeiro por um casal da Bahia que não podia ter filhos. A data da vinda das crianças para essa região é até hoje desconhecida, tendo apenas uma ideia que a remete por volta do ano de 1816.

Melquiades até então era considerado o único fundador da comunidade que, tempos depois, o povo que descende dele reconheceu que Amâncio também foi fundador da comunidade ficando o nome atual de Lagoa de Melquiades e Amâncio.

Hoje, Melquiades e Amâncio continuam vivos na vida e na história do povo da comunidade. Eles foram homenageados com uma estrutura física, a casa de sementes que foi inaugurada neste final de semana nos dias 23 e 24/07/2016 na comunidade de Lagoa de Melquíades e Amâncio, pelo projeto SEMENTES DO SEMIÁRIDO que é gestado pelo CEDASB/ASA. “A casa levar esse nome é reconhecer a importância dos nossos antepassados”. Disse dona Rosa umas das Guardiãs da casa de sementes.

Num momento lindo eles fizeram questão de colocar à frente, no momento da abertura da casa de sementes, a matriarca da comunidade que é neta de Melquiades. Com 92 anos a mulher conhecida como Davina é considerada uma história viva da comunidade. Ela mantem sua casa sempre aberta às pessoas, uma compreensão e uma boa memoria é o que caracteriza sua personalidade.

Frutos da terra, enxada, foice, facão, símbolos camponeses de resistência e luta foram trazidos na caminhada mística até a casa, um momento celebrativo com a oração do Pai Nosso dos Trabalhadores. A casa aberta simbolizava o acolhimento, a alegria, o povo alegre, a dança, a ginga do povo de santo, a “mandinga” do povo preto e a sua cultura forte que resiste na luta.

“hoje eu dedico este momento a minha vó, mulher forte, neta de Melquiades nosso antepassado que chegou neste lugar criança, (os primeiros) é por causa dele que estamos aqui hoje”. Disse Tiago um dos representantes da comunidade e da casa de sementes.

A programação se estendeu durante a noite com as apresentações culturais. O Reisado com uma pitada de sincretismo, misturando o profano e o sagrado fez todo mundo sambar à melodia da gaita e batucada do tambor.

O Reisado é uma tradição na comunidade que com a vinda da casa de sementes “ta” sendo resgatado, “pra nós essa é uma casa aonde nós todos vamos se encontrar”. Disse seu Gilberto morador da comunidade e um dos guardiões da casa de sementes.

A Quadrilha Junina e a Capoeiragem com o professor Mestrando fecharam a noite com uma beleza de apresentação, mostrando a diversidade cultural da comunidade e a força da sua gente linda e forte.

Parabéns a todos e todas da comunidade pela linda festa e a CASA DE SEMENTES MELQUIADES E AMÂNCIO.

 

Por: Equipe de Comunicação.

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“Somos POVO-SEMENTE de uma nova nação”, comunidade de Bomba inaugura sua Casa de Sementes

O que foi possível ver e sentir na Inauguração da Casa de Sementes da comunidade de Bomba município de Cândido Sales/BA, realizada ontem (20), foi uma verdadeira celebração da vida em comunidade. Como mesmo disse seu Manoel, figura histórica da comunidade: “isso que estamos celebrando aqui é bonito demais é bênção de Deus! A comunidade reunida, cantando, partilhando a santa Palavra de Deus e sempre recordando as lutas que já enfrentamos e as vitórias que alcançamos, essa casa de semente é mais uma vitória de nossa comunidade”.

O histórico arvoredo de Surucucu acolheu a comunidade debaixo de sua sombra para celebrar e inaugurar a Casa de Sementes Antenor e Francisco, assim denominada pela comunidade local. A própria comunidade trouxe para o centro da celebração elementos da labuta diária que lembrou o esforço e a caminhada da comunidade de Bomba. “Somos comunidade de base e esse beneficio é vitória nossa. E aqui continuamos a nossa caminhada, sem perder o passo e sem desanimar”, falou Mamédio, pedreiro e agricultor da localidade.

O momento foi marcado pela mística celebrativa em torna da Palavra de Deus e da caminhada de luta da comunidade. Tudo foi cuidadosamente preparado e celebrado para, e pela comunidade, cada uma/a fez a sua parte: orações, cantorias, entrada dos elementos místicos, bênção e motivações. “Não há comunidade sem a Palavra de Deus e a união de todos! O Evangelho das sementes que escutamos tem tudo haver com nossa realidade, aqui nessa tarde. A semente foi lançada, cabe a cada um de nós fazer do nosso coração e das nossas vidas terra boa”, afirmou dona Daise, guardiã de sementes e liderança da comunidade.

Sem perder a animação e o ritmo da toada, mais uma Casa de Sementes foi inaugurada com festa e muita alegria. “Agora temos uma casa de sementes que é nossa! Uma casa pra guardar nossas sementes. Tudo isso porque a sementes também é nossa, a semente crioula é a semente do povo”, afirmou Luizinho, agricultor da comunidade do Papagaio (comunidade vizinha ao Bomba).

Para cada inauguração de uma Casa de Sementes, uma experiência diferente e uma lição de vida aprendida. E uma única mensagem aprendida expressada na letra da canção: “Põe a semente na terra e não será em vão, não te preocupes a colheita, plantas para o irmão. Toda semente é um anseio de frutificar, e todo fruto é uma forma da gente se dar…”   

 Texto e imagens: Núcleo de Comunicação CEDASB

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Sementes: princípio da vida

“No principio de todas as coisas era a água, e a água simbolizava a vida, Deus na sua imensa compaixão pela natureza viu que tudo isso era bom”.
“Mas no principio também era terra, e Deus vendo que tudo isso era bom, viu que a terra podia produzir erva verde e variedades de sementes” (Gn 1, 1.3;).

As sementes estavam no principio da vida…

Foi com esta narrativa mítica que demos início a mais uma atividade de inauguração das casas de sementes na comunidade Boa Vista, região de Maracás no dia 05 de julho de 2016. A mística inicial convidou a todos e todas para celebrar a cultura da gente do local, cantos fortes de resistência e luta ecoou na comunidade, enquanto eles nos ofertavam com uma riqueza cultural preservada de seu povo. Enquanto isso a semente, de forma mística, era jogada no chão e o povo com esperança lembrava as lutas da comunidade para conquistar uma casa de sementes; uma casa é sempre momento de acolher gente e gente com bom ânimo é sempre bom ter na luta como companheiros/as.

As sementes são a força do povo, de uma gente que quer ver suas culturas e tradições vivas, a batida do pilão simbolizava isso tudo; ecoou e subiu aos céus como preces, suas batidas nos remetiam a uma saudade onde as pessoas faziam com carinho suas labutas, sabendo que aquele som ecoou recantos no despertar de muita gente.
Enquanto isso, o som do Berimbau ressoou nos quatro cantos uma melodia, trazendo pra gente a resistência e a luta dos ancestrais (era canto de resistência). A criança presente pegou a semente e a jogou na terra, plantou ali seu futuro, mesmo sem entender, um dia irá lembrar aquele momento e que, terra, sementes são prioridades para ter garantia de vida nas comunidades e garantir o futuro.

O CEDASB tem uma dinâmica muito pedagógica na inauguração das casas de sementes, entendendo que é um momento cultural onde trabalha uma educação libertadora e contextualizada que envolve toda comunidade, mas, é também um momento politico, trazendo os anseios, as conquistas e as dificuldades para este momento das falas dos representantes, que eles entendem que é preciso de mais politicas publicas voltada para estas comunidades.

Assim, depois da mística a coordenação do projeto Sementes do Semiárido, representes de associações, governo municipal agradeceu o momento que, para eles a casa de sementes vem reforçar a luta dos camponeses, a luta de mulheres e homens nas comunidades e garantindo soberania alimentar, uma semente de qualidade e adaptada com o semiárido.

Paula, coordenadora do projeto na sua fala, disse que se sente alegre com a comunidade, porque em todas as comunidades que foram inauguradas as casas de sementes ouve um resgate cultural muito forte daquilo que estava perdido, que talvez se não fosse o trabalho pedagógico das capacitações com os monitores e o acompanhamento dos animadores essas coisas lindas poderiam se perder na historia da comunidade e se tornar esquecida. Ela completou, “a casa de sementes é para vocês guardarem as suas histórias e lutarem por elas para que não se percam”.

À tarde todos e todas foram fazer a visita no quintal de Dona Angelina, lá ela pode explicar porque cultiva tantas plantas medicinais e muitas flores no seu pequeno jardim no fundo da casa. Perguntas e respostas partilhadas nesse momento enriqueceu a visita que depois voltamos para uma pequena plenária onde todas e todos puderam falar e trocar experiências do que viu dentro do quintal agroecológico. Finalizamos o dia com o momento de celebração mística de inauguração da casa de sementes, em pedidos de preces a comunidade entoou o canto das criaturas de São Francisco de Assis pedindo a Deus e mãe natureza que mande chuva para plantar e ter boa colheita. Adentraram a casa com alegria cantando um reisado popular (Ô de casa, Ô de fora – Reisado a São José). Rosa, uma das coordenadoras da comunidade e da Casa de Sementes se emocionou com o momento de conquista e realização “não parece nada, mas para nós é muita coisa é a nossa vida e nossa história”, afirmou Rosa.

Ao final houve a tradicional troca de sementes entre as comunidades e as guardiãs e os guardiões das sementes que puderam levar muita diversidade para suas comunidades e casas de sementes.

Por: Equipe de Comunicação.

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P1+2 promove capacitação de Sistema Simplificado de Manejo de Água- SSMA nas comunidades Poços e Bom Jesus de Cima

O sol aponta lá no horizonte, o galo canta e a frecha de luz na janela de casa avisa que já é um novo dia. Mas os dias 12, 13 e 14 de julho foram diferentes dos outros, dias de trocar experiências, dias de capacitação. E fique sabendo que não foi qualquer capacitação, era aquela da água de comer, de produzir. Com o Sistema Simplificado de Manejo de Água- SSMA a agricultora e o agricultor vão cuidar melhor da tecnologia social, um bem que de tão bom tem tornado possível às famílias do campo guardar a água que cai do céu.

E essa alegria toda que aconteceu na comunidade Poços em Anagé/ BA e se estendeu até a comunidade de Bom Jesus de Cima em Bom Jesus da Serra/ BA, faz parte do projeto P1+2 que, sendo executado pelo CEDASB, visa atender não somente às regiões de Anagé e Bom Jesus da Serra, mas também Cândido Sales. É como Everaldo, monitor do SSMA costuma dizer “as capacitações são o momento em que a gente troca experiências e compreende a importância de administrar com respeito e responsabilidade a nossa terra. Basta apenas que observemos a natureza, pois ela nos ensina a viver”.

E como viver na roça significa pôr a mão na massa, ou melhor, na terra o agricultor e a agricultora que fazem o biogel, que montam os canteiros, que aprendem um pouco mais sobre controle de pragas e compostagem vão antecipadamente vislumbrando novas frutas para o pomar, uma variedade de hortaliças e repensando a criação dos animais; atividade que segundo Terêncio, técnico em agropecuária “é um trabalho diferenciado”.

E, somado a isso, a participação da juventude que assim como seus pais e avós também amam a terra e nela querem viver e produzir deixa tudo ainda mais lindo, torna tudo possível. E como a sabedoria não tem idade Marcos, estudante do 8º ano na Escola Família Agrícola de Anagé deu logo sua opinião “do tempo que cê tiver desmatando pra fazer roça, porque não faz uma agrofloresta? Você planta variedades de frutas, hortas, tudo num mesmo lugar. O resultado depois cê me diz, é terra boa, comida de qualidade e harmonia”.

Então é isso, no SSMA os participantes muito mais que ouvir estão lá para atuar, expor o  que pensam e fazer a diferença. São agricultores e agricultoras com “a” maiúsculo, seres de pura leveza e de uma alegria e força de vontade contagiante. Sendo assim, não é de se admirar que mesmo em face das intempéries do clima os veremos, daqui  um tempo, com um sorriso de canto a canto e com seus quintais coloridos de frutas, vegetais, legumes e tudo mais.

Por: Equipe de Comunicação.

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No GRH do Assentamento Canguçu “TEVE”…

Na capacitação de GRH (Gerenciamento de Recursos Hídricos) acontecida no Assentamento Canguçu “teve”! Teve de tudo um pouco, no que se refere de coisa boa que pode acontecer em um GRH. Foram dois dias (13 e 14 Julho) de atividades com 20 agricultores e agricultoras da localidade, bem proveitosos e cheios de boas experiências.

No GRH teve bate papo e cantoria, gente que aprendeu e ensinou, “teve” boa proza e muita alegria, tudo de um jeito bem descontraído e aprumado, pois os assuntos que lá foram “proziados” são de uma seriedade fora do comum e de suma importância para toda a comunidade. Da ASA nós falamos e do Cedasb também, para o telhado nós olhamos, e assim pudemos exemplificar, e todos puderam entender que cada telha daquela que formava o grande telhado da capela que ora nos arranchava, significa cada organização que forma a Articulação Semiárido (ASA). Alvoroço mesmo foi na hora que foi perguntado: “quem mais se preocupa em buscar água pra labuta de casa”. A mulherada logo se manifestou e expressou a força e o esforço das tantas mulheres Agricultoras, donas de casa e mães ali presentes, em assumir as lutas diárias de forma tão responsável.

Teve gente assumindo e reafirmando suas raízes no lugar onde nasceu e está se criando, gente que é feliz onde mora e dali não quer sair pra lugar nenhum. Seu Antônio foi direto ao ponto e resumiu todo o causo: “vou dizer pra vocês o que eu sinto, aqui na roça a gente não vegeta, a gente vive de verdade!”. O Jovem Leonardo já foi logo “interando” as palavras de seu Antônio: “prefiro as lutas e as dificuldades da roça, do que as mordomias da cidade grande”.

Hora boa também foi quando fomos conhecer a fonte de água da comunidade. Aquela ruma de gente, que parecia mais uma procissão, tudo junto e misturado: mulheres, homens, cachorro e crianças. Ao chegarmos na nascente, nos deparamos com o som da natureza, som esse capaz de trazer paz ao coração. Ao redor da nascente pudemos escutar a natureza respirar, e perceber que tudo ali encontra-se em equilíbrio, convivendo em um mesmo espaço de forma harmoniosa. Vinháticos centenários, Sucupiras eradas e Cedros que pareciam guardiões daquela nascente geradora de vida. Parecia que as plantas, o vento nas árvores e o cantar dos passarinhos queriam nos falar ou pedir alguma coisa. O silencio foi interrompido pela fala de seu Deli, que disse firmemente: “ta vendo gente?! Esse curso que estamos participando num é só pra gente receber as caixa não! É pra gente valorizar cada vez mais nossas fontes de água, porque água é vida”. Esse é o sentido de se visitar uma fonte de água durante a capacitação, perceber a importância de conservar e zelar cada vez mais as diversas fontes e reservatórios hídricos já existentes na comunidade local.

Não podemos deixar de falar da comida feita no fogão a lenha de dona Miralva e seu Melquíades. Duas figuras conhecidas na localidade pela forma de como acolhe as pessoas. É daquele tipo de gente, que não tempo ruim, quando o assunto é acolher bem.

Teve amostragem de artesanato e representação com produtos da terra cultivados ali mesmo na comunidade, de tudo tinha um pouco!  Já na parte da tarde discutimos sobre os cuidados com as cisternas e fizemos o momento do compromisso, que é onde cada participante assume a responsabilidade de sempre zelar da cisterna, como disse seu Jasmireis: “o compromisso disso tudo que foi falado aqui, fica agora por nossa conta”.

O Projeto Cisternas está atuando em Barra do Choça com o objetivo de construir 1500 cisternas de placa 16 mil litros em todo o município, 775 cisternas já foram construídas e já estão no ponto de aparar e guardar a água dos céus. É uma parceria da SDR (Secretaria de Desenvolvimento Rural/BA) por meio da Secretaria de Justiça, direitos humanos e desenvolvimento social (SJDHDS) com o CEDASB, entidade executora, quem além do município de Barra do Choça, também atua com o Projeto Cisternas no município de Vitória da Conquista – BA.

Texto e Imagens: Núcleo de Comunicação do CEDASB.

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Juazeiro e Petrolina: palcos para o ato “Semiárido contra o Golpe – Nenhum direito a menos”

Nas margens do rio São Francisco Agricultoras e agricultores familiares do semiárido, lideranças políticas locais e regionais e os movimentos sociais de Pernambuco, Bahia, Ceará, Minas Gerais e Piauí se reuniram nesta Segunda feira (11), em Juazeiro e Petrolina, para o ato “Semiárido contra o Golpe – Nenhum direito a menos” para denunciar o golpe que culminou com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff (PT) e protestar contra os retrocessos que ameaçam os povos dessa região.

A caravana [Caravana Popular em Defesa da Democracia] foi organizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e pela Frente Brasil Popular (FBP) que é formada por partidos de esquerda e movimentos sociais como o MST, MAB, MPA, Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Pastoral da Juventude Rural, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e Marcha Mundial das Mulheres (MMM), que saíram às ruas com o objetivo de defender as políticas sociais e a iniciativa de convivência com o semiárido.

O ato em Juazeiro começou mais cedo, por volta das quatorze horas e contou com as presenças dos representantes que compõe a Frente Brasil Popular, o prefeito de Juazeiro, o senador Humberto Costa de Pernambuco, a deputada federal e presidente do PCdoB Luciana Santos, o secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia Jerônimo Rodrigues, Cícero da Asa Bahia representante dos movimentos sociais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador da Bahia Rui Costa que, na oportunidade, lançou entre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, o programa Pró-Semiárido e entrega de materiais para agricultores/as; resultado do acordo de empréstimo (Fida). O projeto que será executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), atuará para transformar a vida de 70 mil famílias da zona rural do Semiárido baiano, com investimentos de R$ 350 milhões.

Sobre o programa Pró-Semiárido o secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia Jerônimo Rodrigues defendeu que “o Pró-Semiárido é um projeto que gostaríamos de ampliar para todo o estado, pela concepção do desenvolvimento das comunidades rurais mais pobres, tratando da estima, da soberania e da autonomia das comunidades envolvidas”. Já Cícero da Asa Bahia representante dos movimentos sociais foi categórico ao afirmar que na atual conjuntura política “nós não aceitamos retrocesso, não aceitamos que o povo do semiárido venha ficar refém da politica de cabresto do passado, não reconhecemos este governo ilegítimo e golpista, FORA TEMER, VOLTA DILMA”.

Mais tarde, cerca de dez mil pessoas marcharam pela ponte Presidente Dutra rumo à Avenida Joaquim Nabuco em Petrolina. O momento místico de entrega da água ao rio São Francisco só aumentaram ainda mais a vontade de luta e resistência, de defesa da democracia. Sobre isso Neidson Batista, da ASA salientou que “se hoje estamos com tantas conquistas foi porque lutamos e sempre tivemos que lutar e fazer sempre o diálogo com o governo, não é que o governo foi perfeito como queríamos, mas foi o que nos escutou e nos deu força, deu força a uma gente que se retirava pra outras regiões por falta de água, hoje não acontece mais isso porque existem as politicas que convivência com o semiárido que conquistamos, e foram tantas”.

Como o momento político é delicado e exige do povo brasileiro muita luta e determinação não há receitas prontas, mas, segundo Lula a abertura da linhas de créditos aos pobres seria uma das saídas. “Para mim, eu outra vez abriria a linha de crédito para os pobres, querem comprar um carro vão comprar, querem comprar televisão vão comprar. Eu colocaria dinheiro na mão do povo pobre, porque se a gente colocar uma política de financiamento de crédito de R$ 500 para cada pessoa, esse dinheiro vai virar comércio e vai gerar emprego e vai girar a economia brasileira, porque não dá para economia andar sem dinheiro circulando”, propôs Lula. Em outra de suas falas o ex- presidente afirmou que “se você quer acabar com a fome do seu país, não tem outro jeito: você precisa incluir o pobre no orçamento. Seria impossível esse país chegar onde chegou se não fossem vocês”.

Como foi possível perceber no ato “Semiárido contra o Golpe – Nenhum direito a menos”, a democracia não acontecerá sem a participação popular efetiva. E tal processo só é possível quando toda uma nação, mesmo com ideias opostas conseguem debater, entre si e com o estado, por ações que beneficiem não um grupo, ou um estado, mas toda população brasileira. A luta continua, pois, apesar de ser árdua ela é também incessante!

                                                                                         Por: Equipe de Comunicação CEDASB.

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