OOO janeiro | 2017 | Cedasb

Somos um “SerTão”

 
 

Nossa caminhada é longa e nossa procissão sempre segue em frente. Somos o “SerTão” do povo que nunca perde as esperanças. Somos a beleza que vai do estado bruto do cinza caatingueiro à delicadeza de um orvalho no alvorecer sertanejo, é bonito demais: só quem vive ‘aqui’ sabe do que estou dizendo.

Somos o esparramo de um terreiro varrido antes do sol escaldante ‘daqui a mais logo’. Somos as lutas, labutas, o suor da hora terça no roçado que é sustento da família. Somos resistência com doutorado e mestrando pós graduante em resiliência. Somos a alegria do fechar dos olhos da senhora que ao cantar bendito em louvor a nosso Senhor, vive naqueles poucos instante um estado de Céu. Somos a alegria das latadas e das folias, a beleza e do pé de peroba e das folhas de “crote” na boca do varandal. Somos o berrado da novilha no pé da cancela, que chora berrando sentindo falta do seu dono que ao final das tardes trazia seu alimento. Somos o canto do sabiá o grito e o aboio do vaqueiro nas quebradas do “SerTão”. Somos o cachorro campeiro que nunca se aparta do seu dono nas corridas pelos campos caatingueiros. Somos a Semente Crioula que é motivo de procissão e de devoção, que reúne todos e tudo, que nos faz ser àquilo que somos e seremos por entre os tempos. Pois a prece é que isso que nós somos nunca se acabe e que a gente num morra mais nunca, pois se matam nossa carcaça corporal nossa memória perpetua por toda a eternidade!

Texto – Comunicação CEDASB                      Arte/imagem – Aurélio Fred – Portal das Ceb’s

Procissão das Sementes Crioulas, Com. Bom Jesus de Cima, Bom Jesus da Serra-BA

Equipe de ATER (BahiAter) do CEDASB realiza Dia de Campo com agricultores/as de comunidades de Cordeiros e Piripá

CEDASB é agroecologia, é ATER, é vida, é diversidade, é ‘Biogeo’, é abelha, experiência trocada e compartilhada. Assim foram os “Dias de Campo” realizados, quarta (18) e quinta (19) da semana passada, nas comunidades de Água Branca e Campo Grande no município de Cordeiros-BA e comunidade Ressaca, município de Piripá-BA. Duas temáticas centrais foram trabalhadas: defensivos naturais e criação de abelhas sem ferrão (Meliponicultura).

A atividade teve como objetivo central oferecer uma capacitação e promover a implementação de produção agrícola, sem o uso de agrotóxicos, respeitando a natureza e ainda o complemento da renda com a criação de abelhas sem ferrão. Proposta essa, já entendida e expressada por vários agricultores que participaram do dia de campo, como disse seu Manoel da comunidade Ressaca: “a natureza é sabida demais, temos que aprender e respeita ela”.

Assuntos variados foram levantados e discutidos pelos agricultores/as, sob a orientação dos técnicos/as da equipe de Ater/Cedasb, que somaram saberes, (des)construíram conceitos e produziram conhecimento levando em consideração a sabedoria e conhecimento dos agricultores/as participantes.

Texto/Imagens – Comunicação e equipe de ATER/BahiAter – CEDASB

SAMSUNG CSC

SAMSUNG CSC

Encontro de formação com pedreiros – vídeo para mística de abertura

O vídeo abaixo foi utilizado na mística de abertura no encontro com os pedreiros realizado pelo projeto Cisternas nas Escolas – CEDASB. Apos o vídeo os pedreiros partilharam o sentimento de poder se sentir parte de cada situação mostrada nas imagens.

Ser pedreiro cisterneiro…

“Mais que um trabalho… É uma missão ! ! !”

 

…algumas imagens do Encontro…

 

AGROECOLOGIA EM FOCO – O que é ALELOPATIA?

Alelopatia é o fenômeno que ocorre na natureza com liberação de substâncias químicas pelas plantas no meio ambiente que provocam efeitos estimulatórios ou inibitórios na germinação, crescimento e desenvolvimento de outras plantas.

Os insetos são olfativos. As culturas possuem um cheiro característico que atrai seus inimigos ou predadores.

Certas ervas, plantadas junto com essas culturas, confundem o olfato do inseto e diminuem-lhe o ataque. Algumas plantas eliminam ácidos pelo seu sistema radicular, os quais inibem a multiplicação de outras plantas consideradas ervas daninhas.

Vejamos algumas combinações úteis de plantas companheiras:

GIRASSOL E MILHO
Plantar o girassol cercando uma roça de milho, porque as lagartas que atacam o milho, preferem comer o girassol e deixam o milho se desenvolver.

O GERGELIM E A SAÚVA
As saúvas gostam muito das folhas do gergelim, porém as folhas do gergelim têm substâncias que acabam matando os fungos que alimentam as saúvas. Plante gergelim no aceiro do roçado.

CARURU OU BREDO DE ESPINHO
O Caruru ou Bredo de espinho, deve ser plantado ou permitido o seu crescimento livre nas ruas dos canteiros de beterraba . Serve para manter a vaquinha, um inseto que corta as folhas da beterraba, ocupada com as folhas de caruru.

RABANETE
O rabanete plantado perto de pepino e vagem , afugenta os insetos que iriam atacar estas hortaliças.

CRAVO DE DEFUNTO
Planta-se dentro das culturas para controle dos nematóides.

SALSÃO
O salsão plantado dentro de canteiros de couve- flor e couve comum, afugenta os insetos que iriam atacar as couves.

ALHO
Plantando alho dentro da plantação de batata as pragas são repelidas.

MUCUNA PRETA
Plantando-se linhas de mucuna preta, intercaladas na cultura do milho, o ataque do caruncho e traça, no campo são reduzidos em 90 %. A mucuna preta também é excelente para adubação verde e para controlar o aparecimento da tiririca ou capim alho.

MANJERICÃO
Plantar manjericão perto da horta e nas ruas dos canteiros, evitar o ataque de pragas para as hortaliças.

ALECRIM
O alecrim plantado dentro dos canteiros de repolho e couve, afasta a borboleta, antes que ela realize postura de ovos que venham gerar lagartas para as culturas.

MAMONA
A mamona repele mosquitos, é muito útil plantá-la ao lado de água parada.

FEIJÃO DE PORCO
O Feijão de porco plantado em locais infestado com tiririca ou capim alho, controla esta erva daninha , uma vez que suas raízes liberam toxinas no solo que controlam a multiplicação da tiririca.

GERÂNIO
O Gerânio plantado na horta afasta os insetos.

PIMENTA
A pimenta plantada dentro da horta também afasta os insetos.

A pimenta malagueta macerada e mantida de molho por 24 horas, depois coada e pulverizada, repele insetos de fruteiras e hortaliças.

Usa-se cerca de 10 a 20 gramas por litro de água. Se for macerada e colocada na água com um pouco de sabão derretido até cobrir o macerado, pulverizando ou pincelando sobre as plantas controla pulgões, cochonilhas e trips.

HORTELÃ
A hortelã da folha miúda plantada nas bordaduras dos canteiros de hortaliças ,impede o ataque de formigas.

ALFACE
O Alface plantado com a cenoura e o rabanete torna-o mais macios e com a cebola dá-lhe proteção contra as lesmas.

CENOURA
A Cenoura vai muito bem quando plantada com alface, feijão , cebola, cebolinha, alho, rabanete, tomate, alecrim

FEIJÃO
Os Feijões em geral , vão muito bem com milho, batata, cenoura, pepino, couve-flor, repolho e ervas aromáticas.

As plantas acima descritas, são repelentes dos insetos, mas se mesmo assim houver o ataque de pragas use os inseticidas naturais.

Fonte: [ Mundo Orgânico ]

Legumes Favoráveis Desfavoráveis
Abóbora 1) Milho, Feijão, Alface, Acelga
2) Abobrinha
Batata
Alface 1) Cenoura,Rabanete, Morango, Pepino, Beterraba, Rúcula, Abobrinha
Salsa, Girassol
Alho 1) Beterraba, Pepino, Morangueiro, Alface, Tomate Feijão, Ervilhas
Alho-Francês 1) Cebola, Espinafre, Cenoura, Alface, Acelga, Tomate  
Batata 1)Feijão, Ervilha, Couve, Fava, Milho, Repolho
2) Alho, Urtiga
Pepino, Abóbora, Tomate, Girassol, Cenoura, Framboesa, Abobrinha, Maça
Beterraba 1) Alface, Nabo, Couve,Feijão Anão
2) Alho, Cebola
Vagem
Cebola 1) Beterraba, Morangueiro, Pepino, Alface, Cenoura, Espinafre, Camomila, Couve
3) Caruru
Feijão, Ervilha
Cebolinha 1) Cenoura Feijão, Ervilha
Cenoura 1) Manjerona, Tomate, Alecrim, Sálvia, Alface, Ervilha, Alho-Francês, Nabo,Cebola, Feijão, Cebolinho, Acelga Endro
Couve 1) Beterraba, Espinafre, Alface, Feijão, Ervilha, Batata, Pepino, Camomila, Hortelã
2) Sálvia, Alecrim, Menta, Tomilho
Morangueiro, Funcho, Rabanetes, Tomate, Framboesa
Couve-Flor 1) Vagem  
Ervilha 1) Cenoura, Nabo, Rabanete,Milho,Feijão, Abóbora, Pepino, Espargo, Couve, Espinafre Alho, Cebola, Batata, Chalota, Cebolinho, Salsa
Espargo Feijão, Ervilha, Alface, Alho, Cebola, Nabo, Couve, Tomate, Salsa  
Espinafre 1) Morangueiro,Feijão, Cebola, Beterraba, Couve-Flor  
Feijão 1) Milho, Batata, Alface, Beterraba, Pepino, Couve , Cenoura, Couve-Flor
2) Alecrim, Nabo
Cebola, Alho-Francês, Alho, Tomate, Cebolinho
Girassol 1) Pepino, Feijão Batata
Milho 1) Batata, Ervilha, Feijão, Pepino, Abóbora, Melão, Melancia, Trigo, Nabo, Rabanete, Tomate, Alface
2) Girassol
3) Beldroega, Cururu
 
Morango 1) Espinafres, Alface, Tomate, Feijão-Branco Repolho, Couve
Nabo 1) Ervilha, Milho
2) Alecrim, Hortelã
Tomate
Pepino 1) Feijão, Girassol, Milho, Ervilha, Alface, Beterraba, Couve, Alho2) Rabanete Batata, Tomate, Ervas Aromáticas
Rabanete 1) Ervilha, Pepino, Agrião, Cenoura, Espinafre, Vagem, Milho
2) Nastúcio
3) Alface
Acelga
Repolho-Brócolis 1) Ervas Aromáticas, Batata, Beterraba, Alface
2) Hortelã, Estragão, Cebola, Cebolinha
Morangueiro, Tomate, Vagem, Manjerona
Rúcula 1) Chicória, Vagem, Milho, Alface Salsa
Salsa 1) Tomate Alface, Rúcula
Tomate 1) Erva-Cidreira, Couve, Cenoura, Espargo, Cebola, Salsa, Alho, Acelga
2) Malmequer, Menta, Urtiga, Manjericão
Pepino, Feijão, Batata, Repolho
Vagem 1) Milho, Abóbora, Rúcula, Chicória
2) Rabanete
Cebola, Beterraba,

Equipes de ATER (MDA e BahiAter) desenvolvem atividades de formação, mobilização e planejamento com agricultores/as

Ontem, (10), o ATER MDA desenvolveu a atividade de Planejamento Inicial na comunidade de Baraúna, com participação de agricultores/as da comunidade local e do Tamboriu, ambas no município de Aracatu-BA. O Planejamento Inicial é uma das etapas em que os/as agricultores/as inseridos no Projeto de ATER refletem, discutem e escolhem atividades e ações práticas a serem desenvolvidas de acordo às demandas conforme a realidade local. Ou seja, escolhem os temas de oficinas, dias de campo e intercâmbios, tudo conforme às necessidades e aptidões, de cada comunidade envolvida no processo de assistência técnica para transição agroecológica e extensão rural. Hoje (11), na região do Arrecife (Brumado-BA) foi realizada uma atividade de mobilização com os agricultores/as inseridos no projeto. Essa mobilização trabalha com os/as agricultores/as sobre os princípios da agroecologia, promove uma caminhada agroecológica em alguma propriedade próxima ao lugar do encontro e realiza um resgate histórico sociocultural das origens e caminhada da comunidade local.

O ATER BahiAter realizou hoje (11), na comunidade Olho D’água da Serra I (Vit. da Conquista-BA), um ‘Dia de Campo’ com agricultores/as inseridos no projeto. O tema trabalhado nessa atividade tratou da utilização e importância dos defensivos naturais a partir da utilização de diversas plantas facilmente encontradas nas propriedades dos agricultores. Amanhã (12) essa mesma atividade e o mesmo tema serão desenvolvidos com os/as agricultores/as da comunidade de Olho D’água da Serra II (Vit. da Conquista-BA).

Texto e Imagens – Comunicação CEDASB

 

Planejamento Inicial: Comunidade de Baraúna, Aracatu-BA

 

Dia de Campo: comunidade Olho D’água da Serra I, Vitória da Conquista-BA

 

 

O Sertão e sua gente: Um chão diverso e um povo ‘sertanejamente’ sofisticado

Não podemos falar ou cantar nosso Semiárido sem levar em consideração sua gente e seu chão, pois é isso que faz do nosso Sertão uma poesia singular e silenciosa, aos olhos de quem só consegue enxergar as belezas e riquezas com as vistas do coração. É dessas raízes originárias que nasce sua cultura, seus costumes e tradições; é desse princípio que conseguimos ver e sentir de fato, o semiárido e sua gente, um chão diverso e um povo ‘sertanejamente’ sofisticado.

Só no sertão tem dessas coisas, tem de tudo um pouco e um pouco de tudo que faz dessa gente ser que é: simples, acolhedora, festeira e persistente, que transparece um semblante que cativa e faz a gente se sentir como se estivéssemos no terreiro de casa. Tem gente simples e sofisticada, têm andanças e festanças, tem silêncio e sentimento de esperança, têm carreira de menino e carreiro de tatu, tem dança e samba de terreiro, tem folia e cantoria. Tem sala de aula debaixo de umbuzeiro, tem professor nato que ensina a partir de sua história de vida, vida essa que o graduou como um verdadeiro ‘doutor do semiárido’. No sertão é assim: tem dessas coisas e muito mais; coisas, costumes e tradições que identificam e mistifica esse povo fazendo-o ser assim.

Dentro deste vasto e diversificado Semiárido existe uma porção de outros sertões, um monte de “mundos” dentro desse grande mundo, que se regem por leis contextualizadas conforme a realidade própria de cada povo. Sertões de tantas “Luzias”, “Josés”, e muitas “Josefinas” são tantos os costumes e tradições, que se expressam em suas danças, dizeres, crenças e devoções. Tudo e todos estão interligados por uma mística que só existe pelos lados desse nosso rico Sertão. O olhar de um velho sertanejo sentado em seu tamborete ao cair da tarde, o cantar da cigarra no umbuzeiro e o prenúncio angustiante da acauã que, penosamente canta por entre a mata branca da caatinga semiárida. Tudo isso é cultura enraizada que floriu e frutificou em fruto bom, frutos de uma forte identidade que se desvela numa cultura de resistência e convivência.

Para se perceber toda essa riqueza e diversidade em nosso Semiárido é preciso cultivar um sentimento interior que faça com que, a mesma alegria que toma conta do sertanejo quando este ver a chuva ensopar o chão esturricado, seja a mesma alegria e esperança que não deixa o sertanejo desanimar em tempos de estiagem. Pois, em sua sofisticação e inteligência, o homem e a mulher do semiárido aprenderam a se reinventarem, e assim resistem e convivem. Sendo assim, a cultura do Semiárido pode ser traduzida em persistência, resistência e convivência, pois se nos cordéis, cantorias e versos rimados retratam suas alegrias e tristezas. Suas crenças e tradições remetem essencialmente no auxílio do divino junto às lutas de cada dia.

Por, Heber  – CEDASB