OOO julho | 2017 | Cedasb

Projeto Cisternas nas Escolas inicia formações em GRHE e Oficina em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido dos municípios de Mirante e B. Jesus da Serra

“Educação do campo é direito e não esmola ! ! !”

A cisterna como elemento pedagógico educativo, é para além desta, o processo de contextualização da educação na perspectiva da convivência com o Semiárido.  Eis a questão-chave destrinchada durante a primeira capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos Escolar (GRHE) e do Iº Módulo em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido do projeto Cisternas nas Escolas executado pelo CEDASB. As atividades foram realizadas em Mirante-BA, na segunda quinzena do mês de Julho de 2017, reunindo professores/as, merendeiras, gestores/as escolares, auxiliares, porteiros e lideranças comunitárias dos dois municípios supracitados.

GRHE

É a formação em que se objetiva discutir sobre os cuidados com as cisternas, sua importância para a escola, e para a garantia de uma alimentação saudável às crianças, mas também, objetiva inserir as(os) merendeiras, porteiros, zeladoras(es) na discussão acerca da necessidade de construirmos um novo olhar para o semiárido, e consequentemente para a escola. Contextualizar para conviver, para se alimentar, para valorizar as conquistas alcançadas, e para identificar as demandas que ainda emanam do cotidiano comunitário e escolar.

OFICINA

O 1º Módulo da Oficina em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido reuniu professores/as e gestores/as das diversas escolas envolvidas no projeto em um verdadeiro momento de “ensinagem”, isto é, de ‘ensino-aprendizagem’ entre os participantes. Conhecer sobre as políticas públicas de convivência com o semiárido, a luta por uma educação do/para o campo e contextualizada, bem como, as leis e decretos que regem a comunidade escolar do campo, as fraquezas e fortalezadas das comunidades escolares, a cisterna como elemento pedagógico e instrumento gerador de vida e saúde foram alguns dos principais temas trabalhados e refletidos durante a realização dessa formação. A dinâmica utilizada para se trabalhar e aprofundar os assuntos acima citados teve o intuito de promover a apropriação da realidade na vertente da educação contextualizada para convivência com o semiárido, uma vez que a mesma é pouco debatida e difundida no cotidiano escolar das escolas do campo, assim como expressou o professor Edivan, da comunidade Segredo de Bom Jesus da Serra: “É esse o exemplo que precisamos disseminar em nossas escolas do campo. Uma educação contextualizada que busque como elemento de trabalho, a própria realidade das nossas comunidades. Essa é a beleza e a riqueza que esse projeto Cisternas nas Escolas está trazendo pra nós”.  

Tanto no GRHE, quanto no 1º módulo da oficina, as manifestações de encanto foram as mesmas. Foi esse sentimento que ambas as atividades deixaram marcadas em cada pessoa que participou dos dois dias de encontro e formação. Eis a novidade: a cisterna é a verdadeira “Boneca Branca” do nosso sertão, pois nela se guarda as águas dos céus… As águas que matam a sede e faz florescer a vida da comunidade e promovendo a cidadania… Águas que educam a partir do chão onde se vive e liberta nossa gente das garras tiranas do sistema opressor. Fazendo ecoar um grito de luta: “não vou sair do campo pra poder ir pra escola, educação do campo é direito e não esmola” (G. Santos).

Texto/Imagens – Equipe Cisternas nas Escolas-CEDASB

 

Cordel

Nesse 24 e 25 de Julho

Na cidade de Mirante

Houve aulas diferentes

E muito importantes

Sobre de cisternas

Nas escolas para os/as estudantes

 

A atuação do CEDASB

É um grande acontecimento

Que vem realizando

Grande desenvolvimento

Que é a estocagem da água

Para a produção de alimentos

 

Aprendemos o que é semiárido

Ninguém passa sede

Só se ficar deitado

Em cima de uma rede

Pois em nosso semiárido chove,

É rico e muito verde

 

Para a chave do sucesso

Nessa nossa empreitada

Preparar alunos do campo

De forma organizada

Construindo junto com eles/as

Uma educação contextualizada

 

Nessa ótima capacitação

Agradeço e ainda falo

Teve muita aprendizagem

E interação de todo lado

Falar do que sinto, vejo e ouço

Tudo sobre nosso semiárido

 

Esse bioma do nordeste

Agora já posso falar

Trabalhando de forma correta

Plantando de tudo dá

E o/a agricultor/a com orgulho

Já pode respirar

 

A natureza do Semiárido

Não fica na promessa

Apresenta enorme variedade

Fauna, flora e faz a festa

Porque essa Caatinga brasileira

É rica e diversa

 

Incentivos práticos agroecológicos

Tem sido a solução

Para agricultores e agricultoras

Do nosso lindo sertão

Fazendo famílias e comunidades

Terem uma grande valorização

 

Muita gente esteve presente

Nessa grande formação

Muita troca de ideias

E também interação

Bom Jesus e Mirante

Todos na mesma construção

 

Também esteve presente

Nesse grande feito

O secretário João Carlos

Que trabalha muito perfeito

E também nosso gestor

Lúcio Meira, o prefeito

 

A equipe mediadora

Veio muito preparada

Com Heber e Ezequiel

Com coisas extraordinárias

Eliane, Leandra e “Sil”

Popularmente a Silmara

 

Finalizo por aqui

Aprendendo a dar valor

Ao nosso Semiárido

Esse bioma que me encantou

Fiz com afeto e carinho

Edivagues, professor

Autor – Edvagues Nogueira – Escola Santo Antonio, Comun. Melancieira, Mirante-BA

 

CEDASB-ATER REALIZA DIA DE CAMPO NA COMUNIDADE DE MORRINHOS, PIRIPÁ-BA

Realizado no dia 20 de Junho 2017 na comunidade de Morrinhos, o dia de campo sobre Meliponicultura teve como facilitador, o apicultor e biólogo, Ricardo. E contou com a presença de agricultores/as beneficiários do Lote 38 e do coordenador do Bahiater, Roque Soares Guimarães. Foi um momento de grande troca e produção de conhecimento, assim como o reconhecimento da grande importância da criação racional das abelhas sem ferrão (ASF), que é denominada de meliponicultura.

Demonstrou ser uma atividade ecologicamente correta, de baixo investimento inicial e com boas perspectivas de retorno financeiro, sendo uma excelente alternativa de geração de renda para a agricultura familiar. Como escolher, qual espécie criar, como criar sem destruir os ninhos naturais, onde Criar as abelhas – As caixas racionais INPA – Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária, O local do Meliponário e a alimentação das abelhas foram os temas debatidos no dia de campo. Realizou-se a prática com transferência de uma colmeia para a caixa racional observando os cuidados no manejo adequado para não danificar e observando a colocação da melgueiras, do ninho e do sobre ninho, posterior a essa prática  foi desenvolvida uma técnica de captura de enxames através de iscas, feitas com Garrafas PET, papel, plástico preto e uma loção de atração. Mostrando a importância e a vantagem de não mexer naqueles ninhos naturais.

Os/as agricultores/as perceberam que cuidar da terra com técnicas agroecológicas, alimentando a terra para receber de volta fartura, é quem tem na mão a possibilidade de investir nessa preservação e ganhar junto com as abelhas sem ferrão uma renda extra e qualidade de vida. E que criar abelhas é preservar a vida! Segundo o jovem agricultor, Janio Vieira (Comunidade de Morrinhos): “Eu vi aqui pensando que era mais uma reunião, onde era só falas e que eu ia perder meu tempo, me enganei, hoje saio daqui com muito conhecimento e vamos cuidar das nossas abelhas no coletivo”.

O Projeto da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma realização do CEDASB em parceria com o governo do Estado da Bahia através da BAHIATER-SDR.

Texto/Imagens – Equipe de ATER-CEDASB

ATER-CEDASB REFORÇA PARCERIAS EM PIRIPÁ-BA

No dia 19 de julho foi realizado reencontro de articulação com parceiros na cidade de Piripá-BA no Centro de Cultura Glauber Rocha. Esse momento serviu para reforçar e firmar parceria com os diversos segmentos sociais e a nova gestão pública municipal, com a finalidade de dinamizar e intensificar as ações do projeto, principalmente na inclusão e acesso às políticas publicas no município de atuação, e por consequência fortalecer a agricultura familiar nas comunidades de atuação do projeto de ATER/BahiAter do Lote 38.

A atividade teve à frente, o coordenador do Bahiater Roque Soares, juntamente com equipe do Projeto de ATER/BahiAter – CEDASB, que apresentou a estrutura da BahiAter em conjunto com as ações do Ater do Cedasb no município, mostrando a importância das parcerias para fortalecer a Agricultura Familiar. Assim como, reforçar o compromisso coletivo com os parceiros. Contou com a presença e participação de agricultores, representações de Sindicatos, Associações, Cooperativa, Poder Público (Prefeito, Vereador, Secretarias de Agricultura, Educação, Administração, e Conselho Municipal).

 “A importância dessa parceria com todos servirá para fortalecer a agricultura familiar do município e que é muito importante ampliar a produção agrícola e escoamento dentro do próprio município e a inclusão dos agricultores no PNAE, Garantia Safra, Pronaf. Firmando com isso uma parceria para a implantação da feira Agroecológica no município, afirmou Flávio, prefeito de Piripá durante o encotro.

Nessa perspectiva, todos os segmentos sociais e poder público presentes na atividade, nos dois municípios cada um à sua forma, manifestaram seu compromisso em contribuir de fato, com o bom andamento da assistência técnica.

Texto e Imagens – equipe ATER (Bahiater) do CEDASB

Cedasb – Ater (Bahiater) promove “mutirão da DAP” na comunidade do Salobro

O Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (CEDASB) em parceria com a Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), realizou na última terça feira, 18, o mutirão para emissão e renovação de DAP (Declaração de Aptidão ao PRONAF) já vencidas e inscrições para o Garantia Safra na comunidade Olho D’água da Serra II, mais conhecida como Salobro no município de Vitória da Conquista-BA.

A DAP é um documento de identificação que permite o agricultor/a a ter acesso às políticas públicas como o Garantia Safra, ao PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), dentre outros.

Foi um dia de muita movimentação, informações e gratificação por parte dos agricultores/as, que esclareceram suas dúvidas e fazendo com que estes agricultores/as não precisem ir até a cidade fazer o seu documento. Essa atividade contou com a participação da equipe técnica do Bahiater composta por 04 agrônomos juntamente com a colaboração da Engª. Agrônoma Milena Mendes, do CEDASB, que presta Assistência Técnica na comunidade local, por meio do convênio CEDASB/BAHIATER, além da participação efetiva do líder da comunidade “Mazinho”. Parceria essa, que está sendo de suma importância para os/as protagonistas de toda essa história, que são os agricultores e agricultoras familiares.

Texto e Imagens – Equipe da ATER (Bahiater) CEDASB

CEDASB participa da 40ª Romaria da Terra e das Águas em Bom Jesus da Lapa-BA – “Com o Bom Jesus reconstruir a esperança a partir dos pobres”

“Romaria da Terra faz o povo reunir, numa luta sem guerra nós lutaremos por ti”

De 07 a 09 de Julho 2017 foi realizada a 40ª Romaria da Terra e das Águas em Bom Jesus da Lapa-BA. A Romaria reuniu romeiros e romeiras vindos/as de diversas localidades do nosso Brasil. Além de contar com a massiva participação de povos e comunidades tradicionais de diversas comunidades e regiões do país. E o CEDASB fez parte dessa peregrinação às terras do Bom Jesus da Lapa levando os anseios e desejos das conquistas e lutas junto aos povos do nosso querido Semiárido do sudoeste baiano.

A Romaria começou (sexta feira, 07) com uma caminhada rumo à gruta do Bom Jesus (esplanada do Santuário), uma grande procissão de romeiros e romeiras que tomou conta das ruas da cidade cantando e relembrando os temas das 39 edições da Romaria. Clamando como um brado de justiça, o tema dos 40 anos da 40ª Romaria: “Com o Bom Jesus reconstruir a esperança a partir dos pobres!”. Ao chegar à esplanada do Bom Jesus foi realizada uma celebração da partilha, onde a Palavra de Deus e o pão foram partilhados como sinal de esperança frente a um mundo de tanto egoísmo e concentração de poder.

No amanhecer do sábado, 08, foi celebrada uma Missa cantada e participada pelos romeiros/as da terra e das águas e logo em seguida foram realizados os chamados plenarinhos temáticos. Onde no Plenarinho: “Terra e Território”, o CEDASB através do jovem agricultor Kleiton, da comunidade Poço D’anta de Planalto-BA apresentou o “BioÁgua Catingueiro”, uma experiência de convivência com o semiárido desenvolvida em sua propriedade que vem dando ótimos resultados no processo de reutilização das águas de uso doméstico  e na produção de insumos agroecológicos, tendo em vista um cultivo livre de veneno gerando saúde e vida pra família de Kleiton e pra todos/as que estão reproduzindo essa bonita  experiência. Outros diversos plenarinhos aconteciam de forma simultânea abordando diversos temas pertinentes sobre as problemáticas que envolvem principalmente questões de fé e política, direitos dos povos e comunidades tradicionais e meio ambiente (Biomas: caatinga, cerrado e mata atlântica), entre outros.

No sábado à noite foi realizada a grande e animada noite cultural, que ficou por conta da animação do grupo musical do CEDASB: “Remela de Gato” e do compositor, poeta e cantor militante das causas sociais, Gogó (Roberto Malvezi – Juazeiro/BA). Foi uma verdadeira alegria e “esparramo” de gente com o forró e as cantorias que animaram os romeiros e romeiras. Sanfoneiros e tocadores se juntaram aos “cantadores” e animaram de forma marcante e muito especial a noite cultural dos 40 anos de Romaria.

Antes do despontar do sol de Domingo, 09, os/as romeiros/as seguiam em procissão de suas rancharias com suas cruzes e canções de luta em direção à gruta do Bom Jesus para celebrar a Missa da Ressurreição. Cantaram as alegrias e maravilhas que o Senhor fez e faz com seu povo e renovaram as forças para continuar as lutas e labutas nas diversas comunidades de origem década romeiro e romeira da terra e das águas. Após a Missa da Ressurreição foi realizado um grande plenário celebrativo. Que reuniu todas as discussões nos plenarinhos e as transformaram em prece de louvor e súplica, que foi celebrada de forma mística e devocional. Bispos, padres, religiosos/as e todo o povo romeiro reunidos na gruta da soledade celebraram e repartiram as sementes crioula, lembraram os irmãos e irmãs tombados pela ganancia e o poder, proclamaram e partilharam a Palavra de Deus, acenderam o círio da esperança, cataram as alegrias e tristezas das lutas das comunidades. Tudo e todos em volta do altar da liberdade e da partilha, da fraternidade e do amor divino, da unidade e da diversidade. Assim, com saudade e alegria se encerrou a 40ª Romaria da Terra e das Águas, firmando um compromisso de renovação das lutas nas comunidades e já se preparando para a 41ª Romaria em 2018 nas Terras do Bom Jesus da Lapa. ‘Pra’ o ano, com fé em Deus e firmes na luta estaremos juntos/as em mais uma romaria da Terra e das Águas!

Texto- Heber/Comunicação CEDASB     Imagens: CPT/BA e Comunicação CEDASB

 

Cisternas nas Escolas/Cedasb realiza encontro Territorial – Tecnologia Social e Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido: resgatando identidade, fortalecendo a criticidade

No dia 11 de Julho de 2017 o CEDASB, por meio do Projeto Cisternas nas Escolas, realizou o Encontro Territorial com o tema: “Tecnologia Social e Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido: resgatando identidade, fortalecendo a criticidade contando com as diversas representações dos cinco municípios contemplados com o projeto: Anagé, Bom Jesus da Serra, Cândido Sales, Mirante e Vitória da Conquista no ato representados pelas Comissões Executivas Municipais da ASA, Secretárias e Secretários de Educação, professores (as), coordenadores (as) pedagógicos, dentre outros.

O evento para além de ser uma atividade inerente ao plano de trabalho do projeto é a oportunidade de se discutir a Educação do Campo enquanto direito que é cotidianamente negligenciado. Várias são as problemáticas acerca da Educação do Campo, e para contribuir com a discussão teórico-crítica, no intuito de munir os presentes de uma criticidade que foge da análise simplista da Educação é que pudemos apreciar e usufruir do conhecimento das facilitadoras: Profª. Drª. Fátima do Fórum de Educação do campo de Vitória da Conquista e UESB, e a Profª. Ms. Priscila da UNEB Guanambi. O debate foi rico, elucidativo, e conflitante, e acreditamos que assim o conhecimento vai se consolidando e libertando. Todos os espaços formativos são preenchidos de significados, somos nós que escolhemos quais as intencionalidades que intrinsecamente os cercam. Assim acontece com os encontros das organizações que compõe a rede ASA, como o CEDASB, nossos encontros tem a missão, responsabilidade social, pois queremos difundir e construir o conhecimento.

Durante o encontro foi realizado o ato solene de assinaturas dos Termos de Parceria com o poder público representado pelas Secretarias de Educação nas pessoas de seus secretários e secretárias. Que venham mais encontros de formação! Que a Educação do Campo numa perspectiva da contextualização para a convivência com o semiárido seja uma missão que os participantes tenham como meta.

“NÃO VOU SAIR DO CAMPO PRA PODER IR PARA A ESCOLA. EDUCAÇÃO DO CAMPO É DIREITO E NÃO ESMOLA.” (Gilvan Santos)

Texto – Eliane Almeida                      Imagens – Equipe Cisternas nas Escolas/CEDASB

 

Para a realização do territorial do Cisternas nas Escolas/Cedasb, realizado em 11 de Julho 2017 foi preparado este vídeo com alguns depoimentos e experiências de etapas passadas do projeto. Confiram…

CEDASB – Oficina Pedagógica em Educação Contextualizada em Areia-PB: monitores/as pedagógicos bebem nas experiências de resistência das comunidades rurais

De quem é a escola? O que a agricultura familiar tem a ver com educação? O que significa tirar as crianças da zona rural para ir para as escolas nas cidades? Como as experiências de resistência das comunidades rurais iluminam a luta pela educação do campo contextualizada com a vida no Semiárido?
Essas questões são apenas algumas das muitas que instigaram as trocas e reflexões feitas entre os participantes da Oficina de Formação dos Monitores e Monitoras Pedagógicos/as do Programa Cisternas nas Escolas, que acontece desde terça-feira (11) e se estende até hoje (13), no município de Areia, que faz parte do território de atuação do Polo Sindical da Borborema, na Paraíba.

“Esse é o momento da formação dos formadores. Se não cuidarmos destes processos, não vamos para frente”, assegurou Glória Batista, membro da coordenação da ASA Brasil pelo estado da Paraíba, durante a mesa de abertura do encontro que teve a participação também de Roselita Victor, representando o Polo Sindical da Borborema, e de Albertina de Brito, que faz parte da secretaria nacional da Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab).

“A escola não está só na comunidade. Ela pertence a um território. É importante entender os modelos em disputa, ler a realidade dos territórios, enxergar os riscos, ameaças e as potencialidades do local para trazer esse olhar para os momentos de formação que haverá com a comunidade. Não podemos ter uma visão pessimista porque as comunidades tradicionais resistem desde sempre”, provocou Glória tocando num dos pontos nevrálgicos deste encontro: o aprendizado a partir da observação das iniciativas de resistência das comunidades e povos tradicionais do Semiárido.

Sobre a importância de ler a realidade dos territórios para trazer esse olhar para os momentos de formação com a comunidade escolar

Para Alexandre Eduardo de Araújo, professor da Universidade Federal da Paraíba, do núcleo de Bananeiras, e membro da secretaria nacional da Resab, as diferentes comunidades rurais sempre amadureceram e sistematizaram formas de resistência para permanecer no lugar. “Muitas destas experiências estão nos grupos de mulheres, de jovens e também dentro da escola, com professoras e professores, merendeiras, com a comunidade escolar e estudantes, fazendo uma educação diferente para que as pessoas que passam por ali se preparem mais para desenvolver seus espaços nas comunidades, nos assentamentos de reforma agrária…”, comentou depois da visita à comunidade Jacu, na zona rural de Massaranduba, também no território da Borborema. Essa comunidade tem uma escola de educação básica há 38 anos que, no final do ano passado, iria ser fechada pela prefeitura. A comunidade escolar reagiu, argumentou, se mobilizou e evitou o fechamento.

“A experiência da comunidade de Jacu, mais precisamente da Escola João Pequeno da Silva, traz este contexto de que é possível construir uma educação do campo, no campo, que nasça da realidade dos próprios sujeitos. Essas experiências concretas possibilitam a nós – monitores/as – construir junto à comunidade local, escolar, um diálogo para que compreendam a escola como parte da comunidade e não como algo exterior. E quando a comunidade local se envolve com o processo formativo, a educação ganha outro sentido. Não só o sentido da resistência, mas de uma educação que volta seu olhar para os sujeitos do campo”, pontuou Juliano da Silva Vilas Boas, filho de agricultor e agricultora, e monitor pedagógico do Cisternas nas Escolas pelo Centro de Agroecologia do Semiárido (Casa), uma ONG com atuação no território de Guanambi, no Sudoeste baiano.

 “A escola é da comunidade, das pessoas, não do prefeito”
Há um ditado que diz: “Quer transformar a sociedade, transforme a forma de se educar!” No Brasil, que fecha um pouco mais de 11 escolas rurais por dia (dados de 2013 e 2014), essa sentença está sendo levada a sério, só que às avessas. De 2003 até 2014, segundo dados do Censo Escolar, mais de um terço das instituições do campo encerraram suas atividades e os alunos – crianças de cinco a 11 anos – foram despachados para escolas muito mais distantes de suas casas, negando-os o direito previsto na Constituição Federal de estudarem o mais perto de seu espaço de vida. Das 103.328 escolas de ensino básico, apenas 66.732 seguem com aulas nas comunidades rurais.

“Temos um processo agressivo, violento de fechamento das escolas em todo o país, principalmente nas escolas do campo, nucleando e colocando as crianças pra estudar na cidade e quando não temos um processo educativo descontextualizado com a realidade das crianças”, comenta Rafael Neves, coordenador do Programa Cisternas nas Escolas, durante a Oficina de Formação das/os Monitoras/es Pedagógicas/os do programa.

Apesar desta avalanche que faz das crianças suas principais vítimas, algumas comunidades escolares resistem. Essa é a história da Escola João Pequeno da Silva, na comunidade de Jacu, na zona rural de Massaranduba, situado num território com forte organização dos sindicatos dos/as trabalhadores/as rurais.

No final do ano passado, a professora Josefa Nilda das Mercês Silva, conhecida como Nilda, amparada pelos pais, alunos, ex-alunos, sindicato e representante da Câmara dos Vereadores, apresentou dez motivos para a escola não fechar para a secretária de Educação, que chegou com a sentença, sustentada apenas pela justificativa de que a escola tinha poucos alunos.

“Quando chegou a notícia que a comunidade escolar seria fechada, tanto a professora, os alunos, os pais dos alunos, a comunidade escolar ficaram chocadas e indignadas. A comunidade não quer, não queria o fechamento. É uma escola que funciona há 38 anos, que já educou todos os jovens que moram aqui, hoje casados e com filhos estudando na escola. Então, [a instituição] tem uma história de vida muito longa, muito grande e que a comunidade apoia e também participa da vida escolar”, conta a professora Nilda.

Na lista dos dez motivos que ela narrou para a secretária de educação a vontade da comunidade escolar e das crianças eram os primeiros. Ninguém aceitava essa proposta por causa dos alunos serem muito novos para estudar na cidade. “Outro motivo muito forte foi o projeto que conseguimos, junto ao sindicato, que trouxe um benefício maravilhoso para a escola que foi a construção, no final do ano passado, de uma cisterna de 52 mil litros e também uma caixa d´água, uma bomba e filtros de água. Nós ainda nem tínhamos usufruído deste benefício, que é um direito nosso”, conta Nilda.

Dona Rosineide da Conceição mora no Sítio Salgadão, comunidade vizinha a Jacu, e tem duas filhas e um neto estudando na escola. Para quem ia para escola com muita dificuldade quando pequena – precisava passar em cercado com gado, atravessava rio, ‘minha mãe ia atravessar a gente no rio porque era muito perigoso, a gente passava com água batendo assim na gente (aponta para a altura do peito)’ – ter uma escola perto de casa para seus filhos aprenderem a ler e a escrever é mesmo que ter ouro.

“Se a gente tivesse fechado a boca e abrido as mãos a gente não tinha conseguido ela [a escola João Pequeno da Silva] aberta. A gente escuta pelo rádio que muitos alunos de Santa Terezinha estão sem estudo por conta do ônibus que não pode pegar devido ao acesso, de vir de lá pra cá, porque é muito difícil. As escolas de lá foram fechadas, por isso estão sofrendo. Se [eles] tivesse se organizado, se tivesse se mobilizado tudinho, se tivesse se unido, porque a união faz a força, eu acredito que não fechado.”

Para Roselita Victor, do Polo Sindical da Borborema, romper com a lógica do gestor, a partir do entendimento que a escola é da comunidade e das pessoas, e não da prefeitura, é um passo de grande importância para se contrapor ao discurso dominante que sempre sobrepõe a justificativa econômica à social.

Texto: Verônica Pragana (AsaCom) – Fonte: www.asa.org.br

ATER (Bahiater) CEDASB – Agricultores/as inauguram feira agroecológica da agricultura familiar em Cordeiros-BA

O dia de São Pedro (29 de Junho) de 2017 entrou para história da caminhada da agricultura familiar do município de Cordeiros-BA. Como mesmo disse seu Joaquim agricultor: “é sonho realizado e alegria garantida”! Pois aquilo que era desejo e sonho se tornou realidade, com a inauguração da Feira Agroecológica da Agricultura Familiar de Cordeiros. Uma feira que reuniu agricultores/as assistidos pela ATER (Bahiater) do CEDASB, que de forma agroecológica terão espaço e oportunidade de comercializar a produção livre dos venenos e adubos químicos. Isso graças à labuta e dedicação de muita gente envolvida nessa realização, que teve como protagonistas, os agricultores e agricultoras, que deram um importante passo na difusão e resgate da produção, comercialização e consumo de alimentos naturais/agroecológicos.

É possível sim produzir alimentos sem utilizar uma gota de veneno, alimentos limpos, cheios de vida e saúde. E o resultado disso foi a realização e inauguração da feira agroecológica fazendo com que o agricultor seja o ‘contador’ e o protagonista de sua própria história. De produção vegetal até criação animal foram trazidos das comunidades para serem comercializados na feira. No lançamento da feira, os agricultores/as tiveram a oportunidade de expressar suas alegrias e expectativas com a realização desta importante conquista, o poder público municipal e as representações das organizações estaduais ligadas à agricultura familiar, falaram da importância da iniciativa da construção e realização da feira agroecológica, que valoriza os produtos da terra cultivados sob as práticas agroecológicas. Questão essa ampliada e reforçada na fala das diversas representações das entidades da sociedade civil organizada que também deixou sua saudação e mensagem durante a realização da feira.

Durante a feira foi lançado uma edição do Candeeiro, que trouxe três experiências de agricultores/as, que com o acompanhamento da ATER pegaram o trem da agroecologia e hoje tem sua produção limpa de veneno, além de gerar renda pra toda família. Assim como disse Rege, um dos agricultores que teve sua experiência contada no candeeiro: “esse jornalzinho aqui é o resultado do meu esforço, e gora é certificado pra eu mostrar pra outras pessoas a forma que produzo minhas hortaliças: tudo natural”. As outras experiências contadas no Candeeiro apresentaram a história de dona Erací e seus filhos Dênis e Rayane na criação de abelhas sem ferrão, e do jovem casal Carla e Edilson na produção de biscoitos e bolos naturais.

A animação foi garantida com forró ‘levanta poeira’ da banda “Remela de Gato” do CEDASB, que alegrou o ambiente e trouxe as folias de latadas e cantigas de terreiro, cultura própria da realidade do ‘povo roceiro’. Rememorando os tempos das feiras de antigamente, espaço que reunia o povo da cidade e das comunidades rurais, e alí se comprava e vendia, comia e “proziava”, dançava e celebrava as alegrias de encontrar os amigos e amigas. E assim foi a inauguração da feira da agricultura familiar: animada e festejada com júbilo e muita satisfação. (confira esta e outras edições do Candeeiro informativo clicando na aba ‘O Candeeiro’ da página inicial do site)

A caminhada continua, a inauguração da feira de Cordeiros foi um marco e outros momentos como esse virão, graças à causa que acreditamos e lutamos. E por aqui seguimos com nosso trabalho junto aos agricultores e agricultoras das diversas comunidades por onde passamos (atuamos). Agroecologia é vida, é saúde, é geração de renda e resgate das sementes da gente, da cultura e dos costumes dos povos do Semiárido. É a presença do homem e da mulher do campo na construção de uma sociedade justa e igualitária, livre das desigualdades, preconceitos e dos venenos que destroem e matam.

A inauguração da Feira Agroecológica da Agricultura Familiar de Cordeiros foi uma realização da Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER (Bahiate/SDR) do CEDASB em parceria com os agricultores/as e com a Secretaria de Agricultura e Prefeitura de Cordeiros-BA.

Texto e imagens – Comunicação CEDASB