O Campo por Elas

Dona Erací, Dênis e Rayane, a ATER e as abelhas: uma combinação que está dando bons resultados

Dentre as agricultoras que assisto pelo projeto de ATER do Cedasb gostaria de relatar um pouco, da bonita experiência de dona Erací e sua família com a lida das abelhas sem ferrão. Ela é agricultora experimentadora da comunidade de Água Branca no município de Cordeiros-BA. E está se destacando no cultivo da terra e principalmente com a criação de abelhas sem ferrão.

Dona Erací já labutava com alguns pequenos enxames de abelhas, mas como ela própria diz: “a gente já mexia com as abelhas, mas de forma crua e sem saber direito como lidar com esses enxames de forma correta e sem agredir”. E é aqui que entra a ATER do Cedasb, com o apoio e o incentivo para que dona Erací participasse de um curso de melipolinocultura realizado em Vit. da Conquista, uma realização da ATER (Bahiater) do Cedasb. Ela foi, participou e voltou pra sua propriedade muito animada e cheia de novas ideias, a partir das experiências trocadas durante o curso. Hoje ela já tem 13 enxames de abelhas sem ferrão e várias iscas espalhadas por toda sua propriedade, que aprendeu fazer no curso utilizando garrafa pet.

Interessante dizer que Dona Erací quis envolver seus filhos, Rayane e Dênis em todo o processo de lida com as abelhas. Ensinando/repassando todo o conhecimento nato e adquirido durante o curso sobre a lida com as abelhas sem ferrão. Hoje Dênis e Rayane já ajudam na confecção das caixinhas colmeias que servem para arranchar as abelhas da espécie Jataí. Segundo Dênis, a confecção das caixas é um serviço trabalhoso, mas muito prazeroso e gratificante. Ajudam também, no plantio e cultivo de flores que servem para a coleta do néctar usado na produção mel e na fabricação das iscas de captura das abelhas. Todo mundo sabe fazer de tudo um pouco e quem ganha é a natureza, dona Erací e toda sua família.

Com a vivência de toda essa bonita experiência, dona Erací aprendeu a preservar o meio ambiente evitando o desmatamento e as queimadas desnecessárias, preservando a fauna e a flora. Além de gerar renda pra toda a familiar a partir dessa experiência que está dando certo.

Dona Erací e sua família são exemplo de dedicação, coragem e muita força de vontade. Ela expressa e acredita, que essa prática da criação das abelhas e o cultivo da terra é um forte motivo que promove a permanência dos seus filhos no campo, perto dela e sem perder esse ânimo de cultivara terra e labutar com as abelhas. Agroecologia é a vida da terra e das águas, das matas e as abelhas, dos homens, e principalmente de mulheres como Dona Erací!

Texto/Imagens –  Maria DuCarmo/ATER (Bahiater) – CEDASB

Agroecológicos X Capitalismo

Enquanto os chicotes de tuas injustiças cortam as carnes de nosso povo

A dor metabolizada fortificava nosso caráter ‘humanizador’

Construímos símbolos mesmo sofrendo tua anulação social

Sobrevivemos as tuas propagandas. Todo teu esforço para nos transformar em nosso próprio mau.

Podem até nos humilhar pisar

Nos ferir e  nos fazer curvar

só não podem nos fazer raciocinar como teus criados

Não somos convencionais

lutamos para acabar com todas as injustiças sócias.

Machismo  preconceitos irracionais

Lutamos para reverter teus processos de aniquilação

Que colocam nosso povo em prisões

Não podem nos impedir de ler e construímos livros

Avançamos sobre tuas cercas

Não aceitamos teu autoritarismo

Não fazermos parte de teus padrões

Nas leis dos justos somos a personificação da determinação

Todas tuas investidas não são o suficiente para nos dar o complexo de inferior

Não somos os subalternos que tu queres

Não queremos potes de manteigas

não  queremos teus venenos. Não!

Queremos frear o maquinário que nos prendem e nos transformam em vilões

Estamos cansados de estar nas estatísticas

de fazermos muitos e sermos apenas reprimidos

O aço de suas correntes não aprisionam minha mente

Não me compra e não me faz mostrar meus dentes

Não nos acostumamos com os termos depreciativos

Não temos medo dos riscos

Ficamos de pé por todos que foram jogados ao mar ou jogados no lixo

Pelos fetos que foram projetados a serem condenados

Por todos os operários

índios, animais e camponeses

não vamos  parar

Destruiremos teu muro de opressão

Iremos lutar

Até chegar a revolução!

Autoria: Érica Carneiro, Estudante de Tecnologia em Agroecologia.

 

Foto: Paulo Vinícius Marques

Um GRITO contra o FEMINICÍDIO

Machismo mordaz impera
Espalhando covardia
Numa luta desigual
Mata cinco todo dia
Na fogueira desse mal
Faz mais vítimas na Bahia.

Me indagam pelas redes
Por que só malho o machismo
Eu insisto, teimo, explico
Pra destruir o sofismo
Que o feminismo destrói
E fortalece o machismo.

Se é pra fazer do cordel
Uma arma popular
Eu vou mirar no machismo
E nele vou disparar
Pras mina sobreviver
ele vai ter que tombar.

Dói, machuca, desnorteia
A gente lê no jornal
As vidas desperdiçadas
Parecendo um ritual
Mulheres violentadas
O mundo achando normal.

Companheiras precisamos
Nos unir, se organizar
Pra combater o machismo
Vamos repactuar
As normas de ensinamentos
E nossas mentes mudar.

Vamos ensinar os meninos
Que eles têm que respeitar
A vontade das meninas
Se ela quer terminar
O namoro, casamento…
E seu destino mudar.

Nada de desigualdades
No modo de educar
Seja menina ou menina
Vamos ‘recatequizar’
Menino lavando prato
E tudo que ele sujar.

Pras menina a gente diz
O que é valorizar
É ser livre, consciente
E não a roupa que usar
E o menino a gente diz
Pra minissaia respeitar.

A roupa que mina usa
Não há faz freira ou vulgar
Seja short ou minissaia
Não está querendo dá
Por isso não dá direito
Dele querer estuprar.

Vamos mudar o blá blá
Vamos nos organizar
Chega de tanta chacina
Se agente quiser mudar
O feminismo é a vacina
Que o mundo tem que usar.

Daniela Bento – Academia Sergipana do Cordel e militante do feminismo LGBTT

Simples e grandioso – “Ana de Zéu” e sua produção de bolos na Comunidade de Água Branca e região

Meu nome é Maria do Carmo, sou técnica de ATER (BAHIATER) do CEDASB e dentre as 80 famílias que acompanho no município de Cordeiros-BA, a agricultora Ana de Abreu se destaca na produção e comercialização de bolos em sua localidade. Gostaria de apresentar um pouco da atividade dessa agricultora, que com uma simples atitude chama atenção pela coragem e protagonismo em dar rumo à sua história e de sua família.

Ana de Zeu, assim como é conhecida a agricultora Ana de Abreu é mais um exemplo de protagonismo feminino que se destaca em sua comunidade e região pela produção e comercialização de bolos. Toda comunidade de Água Branca e região sabe da qualidade da produção de Ana de Zeu, que com a ajuda de sua filha Uinne vende por toda a comunidade e também nas localidades vizinhas.

Segundo Ana, foi com o incentivo da ATER (BAHIATER) que atende algumas famílias em sua comunidade, que ela se animou e decidiu tocar em frente essa produção e comercialização de bolos. Ela já tinha o costume de fazer bolos, mas até então era somente para o consumo de sua família. Com as reuniões promovidas pela ATER e incentivo, Ana se animou e está ampliando a produção de bolos, tendo em vista, a comercialização, assim como já vem fazendo em sua localidade. Mas Ana quer ampliar ainda mais a produção pra poder atender a demanda de outras comunidades no entorno da Água Branca, e também vender na feira na sede do município de Cordeiros.

Com a ajuda da ATER dona Ana despertou um talento que já existia e pairava dentro de si. Parece algo simples, mas é um simples grandioso e muito especial pra dona Ana e toda sua família. Sinto-me feliz por fazer parte da história de vida de dona Ana e de outras tantas pessoas através desse trabalho que desenvolvemos, principalmente às mulheres agricultoras que acompanhamos. Outras histórias virão…. E aqui serão registradas e compartilhadas ! ! !

Texto e Imagens – Maria do Carmo (Técnica da ATER – Bahiater – CEDASB).

Mulheres pelas ruas, Avantes ! ! !

Indo, vindo
Aptas a qualquer momento
Para qualquer movimento
Mães
Mulheres
Fortes
Ousadas
Preparadas
Risos
Lágrimas
Comuns, no entanto
De salto alto no mundo
Que é uma bola
Gira
À vontade
De ser quem quiser ser
Vencer é pouco
Pra quem quer viver
Mulher forte mulher
Quem foi mesmo que disse que mulher é o sexo frágil?
Não convive de perto com uma.

Ybeane (militante do MPA – Movimentos dos Pequenos Agricultores,  em Vit. da Conquista)

Imagem – Joabes Rodrigues

Com a ‘mão na massa’, dona Adélia muda o rumo de vida e se torna protagonista da história de sua família.

Dona Adélia Prates  é uma agricultora que vem se destacado com a produção de biscoitos caseiros na comunidade Olho D’água da Serra, localizada no Distrito de Bate pé- Vitória da Conquista – Bahia. Com muita determinação e força de coragem, ela e sua família trabalham em plena sintonia, com o objetivo de buscar melhores condições de vida no sertão onde vivem. “Comecei com 3kg de goma e hoje já estamos desmanchando 1 saco por semana e atendendo a comunidade e região. Eu faço os biscoitos e Nel sai entregando de porta em porta, aqui a família trabalha em conjunto…” conta dona Adélia referindo ao inicio de todo trabalho.

Dona Adélia destaca que as reuniões do CEDASB através do projeto de ATER (BAHIATER) foram o ponto de partida e motivação/incentivo para começar a comercializar sua produção de biscoitos na comunidade local, que até então eram vendidos principalmente no tempo do São João (mês de Junho). O que é mais bacana nessa história, é que todo esse trabalho é feito em parceria com o seu esposo Manoel Alves de Brito Filho, mais conhecido como “Nel”, que durante o dia cuida da lavoura e dos animais da propriedade, e ao cair da tarde coloca a produção em uma caixa adaptada na moto e sai vendendo na comunidade e regiões circunvizinhas. “Hoje já temos mais um forno, que nosso filho que tá em São Paulo mandou o dinheiro pra gente comprar. Além dos biscoitos, Adélia já faz bolo e chimango e eu saio de casa em casa entregando, as pessoas escutam a buzina e já sabem que estou chegando”, contou Nel todo satisfeito com essa prática que já está virando costumeira em toda localidade do Olho D’água, e até e na cidade de Vitória da Conquista. Pois, a produção de biscoitos de dona Adélia e Nel já está sendo comercializada na feira de orgânicos do NUPEBEM (Núcleo de Permacultura do Bem), que acontece todos os domingos na praça da Escola Normal. Graças a essa parceria muitos/as conquistenses puderam apreciar essa iguaria e compartilhar da saborosa experiência resultante desse trabalho familiar.

Essa iniciativa serve como incentivo para outras famílias dentro da comunidade colocando literalmente a mão na massa e demonstrando na prática, que é possível melhorar as condições de vida, e também ajudar a sustentar a família a partir de ações como essa de dona Adélia e sua família. “Espero que mais pessoas como eu consiga tirar seu sustento sem precisar sair de casa e fazendo o que gosta, já estamos pensando em contratar mais uma pessoa para ajudar na produção”, finalizou dona Adélia, toda contente, com um sorriso no rosto e um brilho no olhar.

Matéria e Imagens –  Milena, Técnica da ATER/BAHIATER – CEDASB.