O Campo por Elas

Um GRITO contra o FEMINICÍDIO

Machismo mordaz impera
Espalhando covardia
Numa luta desigual
Mata cinco todo dia
Na fogueira desse mal
Faz mais vítimas na Bahia.

Me indagam pelas redes
Por que só malho o machismo
Eu insisto, teimo, explico
Pra destruir o sofismo
Que o feminismo destrói
E fortalece o machismo.

Se é pra fazer do cordel
Uma arma popular
Eu vou mirar no machismo
E nele vou disparar
Pras mina sobreviver
ele vai ter que tombar.

Dói, machuca, desnorteia
A gente lê no jornal
As vidas desperdiçadas
Parecendo um ritual
Mulheres violentadas
O mundo achando normal.

Companheiras precisamos
Nos unir, se organizar
Pra combater o machismo
Vamos repactuar
As normas de ensinamentos
E nossas mentes mudar.

Vamos ensinar os meninos
Que eles têm que respeitar
A vontade das meninas
Se ela quer terminar
O namoro, casamento…
E seu destino mudar.

Nada de desigualdades
No modo de educar
Seja menina ou menina
Vamos ‘recatequizar’
Menino lavando prato
E tudo que ele sujar.

Pras menina a gente diz
O que é valorizar
É ser livre, consciente
E não a roupa que usar
E o menino a gente diz
Pra minissaia respeitar.

A roupa que mina usa
Não há faz freira ou vulgar
Seja short ou minissaia
Não está querendo dá
Por isso não dá direito
Dele querer estuprar.

Vamos mudar o blá blá
Vamos nos organizar
Chega de tanta chacina
Se agente quiser mudar
O feminismo é a vacina
Que o mundo tem que usar.

Daniela Bento – Academia Sergipana do Cordel e militante do feminismo LGBTT

Simples e grandioso – “Ana de Zéu” e sua produção de bolos na Comunidade de Água Branca e região

Meu nome é Maria do Carmo, sou técnica de ATER (BAHIATER) do CEDASB e dentre as 80 famílias que acompanho no município de Cordeiros-BA, a agricultora Ana de Abreu se destaca na produção e comercialização de bolos em sua localidade. Gostaria de apresentar um pouco da atividade dessa agricultora, que com uma simples atitude chama atenção pela coragem e protagonismo em dar rumo à sua história e de sua família.

Ana de Zeu, assim como é conhecida a agricultora Ana de Abreu é mais um exemplo de protagonismo feminino que se destaca em sua comunidade e região pela produção e comercialização de bolos. Toda comunidade de Água Branca e região sabe da qualidade da produção de Ana de Zeu, que com a ajuda de sua filha Uinne vende por toda a comunidade e também nas localidades vizinhas.

Segundo Ana, foi com o incentivo da ATER (BAHIATER) que atende algumas famílias em sua comunidade, que ela se animou e decidiu tocar em frente essa produção e comercialização de bolos. Ela já tinha o costume de fazer bolos, mas até então era somente para o consumo de sua família. Com as reuniões promovidas pela ATER e incentivo, Ana se animou e está ampliando a produção de bolos, tendo em vista, a comercialização, assim como já vem fazendo em sua localidade. Mas Ana quer ampliar ainda mais a produção pra poder atender a demanda de outras comunidades no entorno da Água Branca, e também vender na feira na sede do município de Cordeiros.

Com a ajuda da ATER dona Ana despertou um talento que já existia e pairava dentro de si. Parece algo simples, mas é um simples grandioso e muito especial pra dona Ana e toda sua família. Sinto-me feliz por fazer parte da história de vida de dona Ana e de outras tantas pessoas através desse trabalho que desenvolvemos, principalmente às mulheres agricultoras que acompanhamos. Outras histórias virão…. E aqui serão registradas e compartilhadas ! ! !

Texto e Imagens – Maria do Carmo (Técnica da ATER – Bahiater – CEDASB).

Mulheres pelas ruas, Avantes ! ! !

Indo, vindo
Aptas a qualquer momento
Para qualquer movimento
Mães
Mulheres
Fortes
Ousadas
Preparadas
Risos
Lágrimas
Comuns, no entanto
De salto alto no mundo
Que é uma bola
Gira
À vontade
De ser quem quiser ser
Vencer é pouco
Pra quem quer viver
Mulher forte mulher
Quem foi mesmo que disse que mulher é o sexo frágil?
Não convive de perto com uma.

Ybeane (militante do MPA – Movimentos dos Pequenos Agricultores,  em Vit. da Conquista)

Imagem – Joabes Rodrigues

Com a ‘mão na massa’, dona Adélia muda o rumo de vida e se torna protagonista da história de sua família.

Dona Adélia Prates  é uma agricultora que vem se destacado com a produção de biscoitos caseiros na comunidade Olho D’água da Serra, localizada no Distrito de Bate pé- Vitória da Conquista – Bahia. Com muita determinação e força de coragem, ela e sua família trabalham em plena sintonia, com o objetivo de buscar melhores condições de vida no sertão onde vivem. “Comecei com 3kg de goma e hoje já estamos desmanchando 1 saco por semana e atendendo a comunidade e região. Eu faço os biscoitos e Nel sai entregando de porta em porta, aqui a família trabalha em conjunto…” conta dona Adélia referindo ao inicio de todo trabalho.

Dona Adélia destaca que as reuniões do CEDASB através do projeto de ATER (BAHIATER) foram o ponto de partida e motivação/incentivo para começar a comercializar sua produção de biscoitos na comunidade local, que até então eram vendidos principalmente no tempo do São João (mês de Junho). O que é mais bacana nessa história, é que todo esse trabalho é feito em parceria com o seu esposo Manoel Alves de Brito Filho, mais conhecido como “Nel”, que durante o dia cuida da lavoura e dos animais da propriedade, e ao cair da tarde coloca a produção em uma caixa adaptada na moto e sai vendendo na comunidade e regiões circunvizinhas. “Hoje já temos mais um forno, que nosso filho que tá em São Paulo mandou o dinheiro pra gente comprar. Além dos biscoitos, Adélia já faz bolo e chimango e eu saio de casa em casa entregando, as pessoas escutam a buzina e já sabem que estou chegando”, contou Nel todo satisfeito com essa prática que já está virando costumeira em toda localidade do Olho D’água, e até e na cidade de Vitória da Conquista. Pois, a produção de biscoitos de dona Adélia e Nel já está sendo comercializada na feira de orgânicos do NUPEBEM (Núcleo de Permacultura do Bem), que acontece todos os domingos na praça da Escola Normal. Graças a essa parceria muitos/as conquistenses puderam apreciar essa iguaria e compartilhar da saborosa experiência resultante desse trabalho familiar.

Essa iniciativa serve como incentivo para outras famílias dentro da comunidade colocando literalmente a mão na massa e demonstrando na prática, que é possível melhorar as condições de vida, e também ajudar a sustentar a família a partir de ações como essa de dona Adélia e sua família. “Espero que mais pessoas como eu consiga tirar seu sustento sem precisar sair de casa e fazendo o que gosta, já estamos pensando em contratar mais uma pessoa para ajudar na produção”, finalizou dona Adélia, toda contente, com um sorriso no rosto e um brilho no olhar.

Matéria e Imagens –  Milena, Técnica da ATER/BAHIATER – CEDASB.